Gosto de uvas, mas não as como quando chega a meia-noite. Tampouco pulo sete ondas no mar. A mim já não interessa escolher qual cor de roupa íntima usar. Como a Fernanda Torres no comercial das Havaianas, eu prefiro começar o ano com os dois pés, em vez de um. Abandono o sincretismo que envolve a ritualística desse momento. Não faço listas, não estabeleço metas: a minha única simpatia é fazer da esperança um verbo fora de tempo. E assim, espero.
Espero — não esperando — por coisas sagradas demais para serem ditas em voz alta. Trago-as no peito, e com elas caminho na corda bamba, tentando equilibrar a vontade de sustentar a fé inebriante nos meus desejos junto com a insistência em retomar o excesso de lucidez que faz de mim mais eu.
Mantenho o coração aberto.
Há um mundo inteiro de possibilidades lá fora, e eu gostaria de ser surpreendida por algumas delas.
Desejo o mesmo a todos vocês.
“Mistério sempre há de pintar por aí,” prometeu Gil.
Assim o é e assim será.
Feliz 2026 ✨