Ontem não apenas assisti O Filho de Mil Homens, eu o senti.
A obra escrita, dirigida e sonhada por Daniel Rezende é marcada por belíssimas sequências silenciosas que não falam do que está visível, mas do que pulsa dentro. No fim, guardamos as imagens e as emoções que elas despertaram; emolduram-se os sentimentos, e isso é o que chamamos de cinema.
Em tempos em que histórias precisam caber em um minuto e aberturas de filmes são obrigadas a “prender o espectador antes mesmo que ele pisque” (sic), Daniel, como bom diretor, entrega o ritmo pelo olhar de seu protagonista, Crisóstomo — que, ainda criança, após uma perda cruel, aprendeu a desacelerar e silenciar para sobreviver. Sobre o modo como Daniel retrata a infância no cinema, eu poderia me estender por horas e horas...
Em 2023, enquanto aguardávamos para subir ao palco de um evento, contei a ele sobre
@clariceveestrelas , que estava prestes a abrir seus testes. Daniel, que já fazia escolhas de elenco certeiras antes mesmo dos filmes da Turma da Mônica, me deu uma verdadeira aula. Falamos sobre crianças, mas também sobre como era essencial tornar o filme atemporal, mais analógico do que tecnológico, conselhos que levei muito a sério (
@elsaromero sabe bem!) e fiz valer cada palavra daquela conversa. No último Grande Prêmio de Cinema, já com Clarice filmado, relembrei a ele esse nosso encontro. Para Daniel, a memória era vaga; para mim, foi um acaso precioso: naquele dia, ele quis falar e eu tive a sorte de escutar.
O Filho de Mil Homens é isso também: intenso e delicado, forte e carinhoso. Generoso com quem se dispõe a prestar atenção. É Daniel em essência. Um filme feito para quem sente.
E aqui fica o pedido: quero aprender mais com você,
@danirez