Tem umas semanas que terminei A Metamorfose e ainda carrego aquele aperto que o Kafka deixa na gente.
A leitura me fez encarar o peso da solidão, do abandono e do quanto podemos nos tornar invisíveis para quem diz nos amar. A solidão do Gregor foi me atravessando aos poucos, e no final eu estava tão afetado quanto ele, senti a dor de ser reduzido ao que você pode oferecer. Acompanhar Gregor perdendo lugar dentro da própria casa foi sufocante, e justamente por isso tão marcante.
Kafka nunca escreve para confortar, mas para cutucar.