A Gentil Carioca retorna à ARCO Madrid 2026 com FUNFUN, apresentação solo com obras inéditas de Kelton Campos Fausto, no stand 9P03.
Nas palavras da artista, FUNFUN mergulha na simbologia de Òbàtálá — o grande Òrìṣà Funfun — explorando a pureza, a criação, o caráter e os caminhos espirituais que moldam o Orí, o destino e a conduta humana.
A Gentil Carioca participa da seção Perfis | Arte Latino-americana, curada por José Esparza Chong Cuy.
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[A Gentil Carioca returns to ARCO Madrid 2026 with FUNFUN a solo presentation featuring new works by Kelton Campos Fausto, booth 9P03.]
[In the artist’s words, Funfun immerses itself in the symbology of Òbàtálá — the great Òrìṣà Funfun — exploring purity, creation, character, and the spiritual pathways that shape the Orí, destiny, and human conduct.]
[A Gentil Carioca takes part in the Profiles | Latin American Art section, curated by José Esparza Chong Cuy.]
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ARCOMadrid
A Gentil Carioca - Booth - 9P03
Kelton Campos Fausto - FUNFUN
Seção [section]: Perfis | Arte Latino-americana
IFEMA Madrid
Visitação [on view] 04/03 - 08/03 [March 04 - 08].
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📸 Ivar Rocha
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@feriaarco@josesparza@keltoncf
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Passei um longo período em reflexão, mergulhando nos significados da tradição de Ifá e na essência de Obatalá. Essa jornada não foi apenas teórica, mas um aprofundamento sobre o meu próprio Ori e minha relação com essa divindade. Assim nasceu a série FUNFUN, onde exploro Obatalá em África e nossa conexão com Oxalá na diáspora.
Ao traçar interseções entre Freud e Orunmilá, busco entender a urgência do culto às nossas cabeças. Por que tantas cabeças em minhas telas? Porque elas representam o mistério e a nossa intimidade mais profunda. Como segurar nossos próprios destinos (Àyànmọ́) e ter a força para protegê-los?
Nesta série, a figura preta é inspirada no conceito de Kerry James Marshall: uma negritude tão retinta e absoluta que a raça deixa de ser o único tópico para que possamos transgredir e falar sobre o mistério, a alma e o autoconhecimento (Odu).
Nesta obra, o reflexo na água não é narcisismo, mas autoconhecimento. A árvore central ancora o segredo da vida, conectando a terra ao sagrado. É o instante em que olhar para si revela o invisível, transformando a matéria em um espelho ancestral que orienta o caminhar e o zelo com o Ori.
O autoconhecimento é a ferramenta para o bem-estar no mundo (Aye).
“Àyànmọ́” (FUNFUN) 2025
pigmentos naturais e acrílica sobre tela
[natural pigments and acrylic on canvas]
144 x 185 cm
[56 3/4 x 72 7/8 in]
A Gentil Carioca tem o prazer de participar da ARCO Madrid 2026 com Fun Fun, apresentação solo com obras inéditas de Kelton Campos Fausto.
Em iorubá, Fun Fun significa “branco”, simbolizando clareza, integridade ética e equilíbrio espiritual. Inspirada no universo simbólico de Obàtálá, a mostra entende a prática artística como um gesto ético e reflexivo.
Por meio de repetição, estrutura e movimento, Kelton investiga autoria, responsabilidade e o equilíbrio entre corpo, mente e ambiente.
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[A Gentil Carioca is pleased to join ARCO Madrid 2026 with Fun Fun, a solo presentation with new artwork by Kelton Campos Fausto.]
[In Yoruba, funfun means “white,” symbolizing clarity, ethical integrity, and spiritual balance. Inspired by the symbolic universe of Obàtálá, the project approaches artistic practice as an ethical, reflective gesture.]
[Through repetition, structure, and movement, Kelton explores authorship, responsibility, and the delicate equilibrium between body, mind, and environment.]
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ARCOMadrid
A Gentil Carioca - Booth - 9P03
Kelton Campos Fausto - Fun Fun
Seção [section]: Perfis | Arte Latino-americana
IFEMA Madrid
Visitação [on view] 04/03 - 08/03 [March 04 - 08].
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A Gentil Carioca participa da seção Perfis | Arte Latino-americana, curada por José Esparza Chong Cuy.
[A Gentil Carioca participates in the Profiles | Latin American Art section, curated by José Esparza Chong Cuy.]
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@feriaarco@josesparza@keltoncf
Seyni Awa Camara (1945-2026)
Minha obra de 2024 não é só uma homenagem; é um acerto de contas com o que eu projeto e desejo. Ao estudar Seyni, não vejo apenas cerâmica, vejo a mesma estrutura que sustenta a história de Dagmar de Belmonte, na Bahia: mulheres que usaram o barro como tecnologia de sobrevivência para criar seus filhos.
Mas vamos falar do que ninguém quer falar no coquetel da galeria: a crueldade do mercado de arte.
É de uma hipocrisia imensa ver a comoção de colecionadores e instituições em torno de artistas racializados quando eles se tornam “ativos” do mercado secundário. Existe um fetiche doentio pela arte de quem já morreu. A dinâmica de oferta e demanda sobre o espólio de quem sofreu para existir em vida é, para dizer o mínimo, perversa.
Como artista jovem, o que me assombra é a preservação do legado. O direito de sequência é tratado como uma maldição, um nome que o sistema finge que não existe para não ter que dividir o lucro com quem de fato produz a cultura.
O mercado neoliberal é rápido em absorver nossos discursos, nos colocar em feiras e exposições para cumprir cota de “diversidade”, mas é incapaz de garantir permanência e proteção histórica. Eu sei que tem gente que revira o olho e diz que “não aguenta mais esse discurso”. Pois bem: foda-se.
Não vou vestir a máscara da “artista agradecida” e fingir que essa estrutura não é podre enquanto ocupo esses espaços. A inclusão sem legado é apenas uma nova forma de exploração.
Muito obrigada, Seyni. Talvez eu nunca tenha o capital para possuir uma obra sua, porque o sistema inflacionou seu nome depois de extrair sua energia, mas sua trajetória em vida é o que me mantém atenta e revoltada. 🤎
Hello art lovers,
Today’s discovery is Kelton Campos Fausto (São Paulo, 1996).
@keltoncf
Living and working in the Global South, Kelton Campos Fausto is a multidisciplinary, non-binary artist, and the founder and resident of the platform and collective BRASILÂNDIA.CO. Their practice moves fluidly across video, painting, ceramics, and performance.
Kelton’s work investigates the plastic construction of the Brazilian diaspora’s ambiguities, creating spiritual spaces and visual narratives that propose alternative ways of understanding the body and reality. Their practice is deeply rooted in ancestry, spirituality, and material presence.
Kelton transports us to an ancestral time where the relationship between humans and the earth is intimate and essential. The work invites reflection on origins and our ancestral connection to the land, emphasizing clay as a fundamental element in the construction of life itself.
Inspired by a Yoruba creation myth in which human beings are formed from the earth, Kelton presents a body of paintings that seeks to reorient our way of being in the world, activating our most primary senses and lived experience. Through the Yoruba cosmology of Odú and Olodumare — Destiny and the Creator — the work opens a space for reconnection, memory, and embodied knowledge.
#brazil #artconsulting #blackart #history #blackart
Detalhes da obra “Àwò Fúnfun” 2025
Minha arte é o lugar onde o mistério se torna visível. Nesta nova série, sigo os passos de Rubem Valentim para investigar a experiência humana sob a perspectiva de Orunmilá e seu fiel orixá Obatalá — divindade que guia meus caminhos desde que entrei para o ase em 2019.
Sophie Oluwole nos lembra que Orunmilá, assim como Sócrates, foi um homem real em Ile-Ife (Nigéria) antes de ser divindade. Essa humanização me permite pintar não apenas o sagrado, mas a sabedoria aplicada à vida. Se os “Babalawos” são os “livros vivos” de Orunmilá, minhas telas buscam ser diálogos abertos sobre essa ancestralidade.
Levar esse trabalho ao mundo é um desafio: o público e as instituições precisam expandir seus horizontes. A arte que produzo não cabe nos moldes estreitos da academia tradicional.
Ela exige uma escuta do que a diáspora tem a dizer 🤍
2023 /
WHEN ALL WAS EARTH AND THERE WAS AN INQUIRY INTO THE BEINGS THAT RELATE TO THE EARTH,
I REMEMBER HEARING FROM DONA DAGMAR (A CERAMIST FROM BELMONTE – BA) THAT SHE CREATED
14 CHILDREN OUT OF CLAY/EARTH. THIS MADE ME THINK ABOUT HOW SOME OF MY OWN
PROJECTIONS COULD BE BUILT. AN EXERCISE IN CONSTRUCTION — HOW TO
TRANSFORM DREAMS INTO MATERIALITIES?
THIS IS THE INVESTIGATION OF THE SERIES: TO MOVE THROUGH LITERALITIES AS A PRACTICE OF
BREAKING WITH THE CONDITION OF CERTAIN SPECIES (HUMAN/NON-HUMAN), SEEKING
WITHIN THE LAYERS OF TIME RESOLUTIONS FOR THE TRAUMA OF THE EUROPEAN
CIVILIZATIONAL EXPERIENCE.
NARRATING AN EXERCISE THAT DOES NOT FLIRT WITH THE INSTITUTIONALIZATION OF RELATIONS,
WHETHER HUMAN OR NON-HUMAN, PROJECTING “OTHER WAYS OF INHABITING THE EARTH,”
INVOCATING PRIMARY SENSES OF THE EXPERIENCE OF LIVING.
ACCELERATIONISM — CONSUMING OTHER WORLDS.
THE CONSTRUCTION OF A UNIVERSE IN WHICH THERE ARE NO FRICTIONS OF NARRATIVES; I AM NOT
SPEAKING OF PEACE, BUT PERHAPS OF EXERCISING HUMANIZATION AS A VALID EXPERIENCE
FOR THIS PEOPLE — A CENTRIPETAL MOVEMENT, A CIRCLE THAT DOES NOT CLOSE,
A SIMULTANEITY.
TIME / TEMPORALITY
TIME STRUCTURES US.
IT SHADES AND TEXTURES OUR SOCIAL ORGANIZATIONS.
IT LIVES WITHIN OUR CIVILIZATIONAL EXPERIENCES.
IT IS PRESENT IN ALL OUR GATHERINGS AND IN OUR EUPHORIA.
IT IS PRESENT IN ALL SPHERES OF HUMAN AND COSMIC EXPERIENCE.
(LEDA M. MARTINS)
WHEN WE ARE EXHAUSTED, WE SING.
Em 2024 tive a oportunidade de trabalhar em um grande ateliê no bairro onde nasci, Brasilândia, em São Paulo. Foi um processo profundo, atravessado pela territorialidade. Muitas vezes associam meu trabalho à denúncia, mas sigo pensando em arquitetura e no corpo dentro dela em construção e (des)funcionalidade dos seres no espaço, seja mineral ou animal.
Colhi terras: do terreno onde ergueram um Burguer King, do metrô da linha laranja da Brasilândia (prometido desde 2009). Essas matérias guardam histórias, camadas e ausências.
Agora me preparo para pintar paisagens, paisagens fantásticas, que são também parentes que não conheci em vida. Talvez saudade, talvez um gesto lúdico. Tenho chamado essa fase de Lucas Arruda.
No fundo de tudo, a memória de um sonho da minha tia Salete: minha avó, que nunca conheci, segurando uma peneira para colher feijão