TÔ NA VOGUE (e não consigo fingir costume)
tem uma história que setembro é o mês mais importante para a Vogue e para o calendário de moda. a september issue da edição americana, é a que define o novo e o recomeço.
que significativo é ter meu nome e meu ofício, pela primeira vez, digitalizado no cantinho da página 61 da edição de setembro do Brasil. são essas conquistas que reafirmam que minha paixão e dedicação estão no lugar certo!
de meta em meta, meu coração vai me guiando para onde eu sempre quis chegar.
gratidão pra quem tá comigo. sem vocês, o joãozinho de 10 anos não estaria absurdamente realizado por estar na @voguebrasil
obrigado demais @clarawatanabe e @zazapecego 🤍
vivienne westwood sempre disse que a moda deve provocar, incomodar, nunca se curvar ao silêncio. mas por aqui, no Brasil, o silêncio já virou uniforme. ele veste editoriais, atravessa passarelas e se esconde nos bastidores. quem ousa falar é tratado como inconveniente. quem ousa pensar, vira alvo.
foi o que aconteceu com zazá pecego. atacada sem piedade por se posicionar contra um golpista condenado. em um discurso que repercutiu, mônica salgado já havia deixado claro o pensamento dominante: não punir uma funcionária que se manifesta “desafia a lógica mercadológica” e “vai contra quem paga as contas”. a tradução é simples, o capital acredita que, ao comprar espaço publicitário e financiar páginas de revista, compra também o direito de censurar vozes.
é uma infantilidade disfarçada de poder: assina-se uma revista e se imagina dono da narrativa. paga-se um anúncio e se exige silêncio. e assim a liberdade de expressão vira piada de mau gosto. não é mais sobre falar ou não falar, é sobre quem está autorizado a ocupar esse espaço sem ser apedrejado.
enquanto isso, a moda, tão acostumada a posar de diversa e criativa, encolhe. prefere salvar contratos a sustentar coragem. finge ousadia, mas abaixa a cabeça quando a pressão chega. se vende como palco da diferença, mas se mostra cúmplice pela omissão.
não é ignorância. é escolha. escolha por conveniência, por medo, por submissão. uma burrice consciente, que prefere distorcer a informação a engolir o óbvio.
entrar nesse mercado já significa engolir egos, hierarquias e abusos. mas ver a moda se dobrar ao autoritarismo é outra camada de violência. é como descobrir que o setor que se vende como palco de rupturas não passa de vitrine de subserviência.
no fim, não há neutralidade possível. há conveniência, e a moda brasileira já escolheu o lado do silêncio comprado.
o que resta, então, para quem ainda acredita em algo maior? resistir. mas resistir sozinho não basta. é preciso coletividade, é preciso rede, é preciso deixar o ego de lado e sustentar uns aos outros. só assim nasce uma moda capaz de desafiar esse ciclo de covardia. uma moda crítica, corajosa e viva. a única que merece continuar existindo.