...que já não cabem mais na infância, mas ainda não pertencem totalmente à vida adulta.
No início da vida da criança, a consulta é quase totalmente dirigida aos pais. Falamos de sono, alimentação, choro, desenvolvimento, inseguranças e medos. Cuidar do bebê é também cuidar de quem cuida. A pediatria nasce ali como espaço de acolhimento familiar.
Na infância, a criança passa a ocupar o centro da conversa. Mostra desenhos, conta histórias, revela pequenos mundos. A consulta acompanha crescimento, comportamento, aprendizagem, relações sociais. É um tempo fértil de orientação, muitas vezes silenciosa, mas profundamente estruturante.
E então surge uma lacuna muito comum.
Entre os cinco e dez anos, a criança deixa de adoecer com frequência. Parece que está tudo bem. As consultas espaçam, às vezes desaparecem. Como não há febre, urgência ou intercorrências, perde-se o hábito da consulta anual.
Mas é justamente nesse período que existe uma das maiores janelas de oportunidade da Pediatria.
Ali acontecem conversas sobre autonomia, limites, autoestima, exposição às telas, organização emocional, vínculos familiares, habilidades sociais, construção de identidade e valores. São alinhamentos discretos, orientações progressivas, pequenas conduções.
Na pré-adolescência, a escuta muda novamente. O olhar já não busca apenas os pais. Começa a experimentar independência. Surgem perguntas reservadas, dúvidas sobre corpo, pertencimento, amizades. O profissional conduz menos e escuta mais.
E então chega a adolescência.
É quando percebemos que o vínculo realmente aconteceu. Eles voltam por vontade própria.
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@drabetinalahterman para It Mãe Magazine . Leia na íntegra em .br #itmae