Hoje é o Dia Mundial do Teatro!
E eu gostaria de compartilhar com vocês uma experiência muito particular que eu tive que mudou totalmente meu olhar para uma vertente teatral: o Teatro para as Infâncias.
Segundo Marina Marcondes Machado, em seu estudo sobre o teatro e as infâncias “Trabalhar em cena a infância como um princípio, ou seja, como o inicio da vida de todos nós, é fazer um tipo de teatro que podemos nomear existencial. É pensar em um tipo de inteligência e sensibilidade que a criança tem e que nós deixamos para trás.”
E é partindo desse pensamento que há o projeto de extensão Teatro na Escola @teatronaescola_ , em que alunos do curso de Arte e Mídia vão para escolas públicas apresentarem espetáculos para crianças - que talvez, nunca tiveram contato com o Teatro.
Em dezembro do ano passado tive o prazer de assistir e fazer alguns registros do espetáculo que eles tem apresentado nessas escolas, O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá (de Jorge Amado), essa apresentação foi a primeira realizada em um teatro e eu tive o prazer de assistir, não apenas ao espetáculo, mas a linda reação de toda uma plateia, e assim perceber como o teatro para as infâncias atinge as diferentes crianças — incluindo as crescidas.
série “Filhos dos Trilhos”
fotografias realizadas ano passado na “Rua do Priquito”, uma comunidade aqui em Campina perto do centro da cidade e localizada do lado da linha férrea — desativada há algum tempo.
a comunidade é oriunda de uma invasão durante a década de sessenta. durante décadas, eles viveram ao lado dos trens, com aquele barulho sendo algum comum — até a desativação da linha férrea. recentemente, foram surpreendidos com uma notícia: a retomada da linha férrea a partir de um VLT aqui para a cidade. sinal de progresso para alguns, mas de pesadelo para os moradores da comunidade — todos serão desapropriados.
de uma hora para outra, durante a madrugada, todas as árvores da rua foram derrubadas (incluindo um campinho de futebol das crianças) e escavadeiras dominaram o espaço, fazendo com que uma poeira gigantesca se tornasse algo comum, adoecendo os moradores da rua — que são, principalmente idosos e crianças.
conversando com os moradores ouvi suas histórias.
essa senhora de máscara se chama dona Lourdes e mora na rua há 52 anos. desde que a obra começou, ela — recém operada — adoeceu. não sabe se é por causa da poeira incessante (comentou que limpa a casa durante o dia e a noite já está toda suja) ou do medo de perder a casa onde sempre viveu. ela me convidou para entrar em sua casa e me mostrou uma porta retrato do seu marido, falecido há 5 anos. no porta retrato, uma foto dos dois segurando a escritura da casa construída pelas mãos dos dois: ele como pedreiro e ela como ajudante.
os filhos dos trilhos não são apenas esses idosos, mas crianças também que tudo que conhecem são esses trilhos — e agora, as escavadeiras.
agora, o medo é de perder toda essa história, suas memórias e vivências — para as escavadeiras, para o progresso e para uma cidade que é cada vez mais para os turistas e menos para os locais.