ATÉ ONDE VAI A FÉ? E ONDE COMEÇA O EGO?
Estamos vivendo uma crise silenciosa dentro do Candomblé. Uma crise que não vem de fora, mas brota do nosso próprio meio, regada à vaidade, regida pelo deslumbramento e alimentada por um desejo incontrolável de pular etapas.
Tem gente correndo para o culto de Ifá como quem corre atrás de um bilhete premiado. Não por fé profunda, não por ligação ancestral, mas por puro status. “É que Ifá tá na moda”. Paga-se caro — e como se paga! — por um jogo, um título, uma guia diferente no pescoço. E o pior: volta para dentro do terreiro achando que agora é “mais iniciado”, que sabe mais que o próprio Babalorixá ou a própria Iyalorixá que um dia lhe deu de comer com a mão.
Estão misturando tudo: Ifá com Candomblé, culto ancestral Yorùbá com fundamentos da diáspora, fazendo uma salada onde nada tem raiz, onde nada tem tempo, onde nada tem chão. E no meio disso tudo, nem Ifá é respeitado como se deve, nem o Candomblé é mantido como foi construído.
Se você migrou, se reconstruiu sua fé com honestidade, estudou com critério, se conectou com seu orí e achou seu caminho — axé para você!
Mas se foi só pelo “hype”, pela pose, pela pressa de parecer mais sábio…
Me pergunto: isso é fé ou é vaidade?
Isso é devoção ou é o ego espiritual tentando sentar no trono de Orunmilá?
O Candomblé não é palco. Ifá não é atalho. E o conhecimento ancestral não está à venda.
A ancestralidade se conquista com tempo, com chão lavado, com folha pisada e com silêncio.
Quem quer tudo hoje, geralmente não honra nada amanhã.
Por isso, o que estamos vendo não é evolução: é confusão.
E no meio dessa bagunça, o orixá — aquele que um dia te escolheu — fica calado, esperando você lembrar de onde veio e para onde deveria estar indo.
Porque o axé, meu irmão, não é no Instagram.
É no orí abaixado, no respeito à tradição, no amor à sua casa.
E principalmente, na humildade de entender que nem tudo o que reluz é Ifá .
Todo êxito antecede uma jornada árdua de comprimento e fé
🏹 Uma ótima quinta-feira de fartura e bons frutos na vida de todos(as) nossos colaboradores, amigos e filhos
#logunede #candomblé #odé #tradição #fé
O Babalorixá @rodriigues_feliipe convida a todos para:
- Olodés no dia 23/05 às 18h30;
📍Endereço: Rua C, 92 - Barra de Guaratiba
📍Melhor referência: Rua da Globo
📍Waze: Ilè Omorode Àse ÌyaOmi
Que a fartura e bonança dos espíritos caçadores nos abençoem e intensifiquem nossa espiritualidade conosco e com o próximo. 🏹
Esperamos por você!
#fyp #orixás #candomblé
No dia 13 de maio, mais do que recordar uma data marcada pela abolição oficial da escravidão no Brasil, é essencial reconhecer as histórias de resistência, preservação cultural e continuidade ancestral construídas pelo povo negro ao longo dos séculos.
As Iyalorixás do Ilê Axé Opô Afonjá construíram muito mais do que uma sucessão de lideranças religiosas. Mãe Aninha de Xangô (Obá Biyí), Mãe Bada de Oxalá(Olufan Deyí), Mãe Senhora de Oxum(Oxum miwá), Mãe Ondina de Oxalá(Iwin tonã), Mãe Stella de Oxóssi(Odekayodê) e Mãe Ana de Xangô(Oba gerê) representam a continuidade de um legado que preservou tradições, fortaleceu identidades e manteve viva a herança afro-brasileira mesmo diante das tentativas de apagamento ao longo da história.
Cada uma, em seu tempo, ajudou a transformar o terreiro em espaço de acolhimento, sabedoria, memória e resistência cultural. Honrar os ancestrais é garantir que essas histórias continuem sendo contadas pelas próximas gerações.
Que a memória dessas mulheres siga ecoando como símbolo de força, dignidade e axé.
▶️ Nas próximas publicações, iremos mostrar como essa linhagem ancestral atravessa gerações até chegar ao Ilê Omorodé, preservando fundamentos, ensinamentos e a continuidade desse legado de axé.
Hoje, o Ilê Omorodé Axé Ìyá ÒMím teve a honra de receber Larissa e Sofia, assessoras de cultura da gestão da vereadora @mairadomst , em um encontro marcado pelo diálogo, pela escuta sensível e pelo compromisso coletivo com a construção de políticas públicas verdadeiramente populares.
Conversamos sobre a profunda contribuição histórica do candomblé para a formação cultural do Rio de Janeiro, sobre a resistência dos povos de terreiro e sobre a urgência de políticas afirmativas que contemplem a população preta, periférica, LGBTQIAPN+, caiçara e tradicional, tantas vezes invisibilizada pelos espaços de poder.
Foi uma tarde de troca, acolhimento e ancestralidade. Compartilhamos um delicioso Omolokun, comida votiva da nossa matrona Ìyá Òṣun, e, como sobremesa, acaçá de leite, tudo preparado com extremo carinho por nosso querido Ijibagun. Também estiveram presentes nossa Iyakekere, nosso Babakekere, diversos filhos da casa e nosso filho Saukèn, que gentilmente proporcionou este importante encontro de trabalho e construção coletiva.
Receber uma gestão comprometida com políticas de esquerda sérias, humanas e populares nos renova a esperança de que ainda existem mandatos capazes de compreender que cultura não é privilégio, mas direito. E que o povo de terreiro não pode mais ser lembrado apenas em períodos festivos ou eleitorais, mas reconhecido como patrimônio vivo, guardião de memória, identidade, resistência e transformação social.
Nosso profundo agradecimento à equipe da vereadora Maíra do MST pelo olhar atento, respeitoso e comprometido com aqueles que historicamente sustentam esta cidade com fé, trabalho, arte e ancestralidade.
Seguimos ansiosos para nosso próximo encontro, no dia 23/05, durante a Festa dos Olodés.
Que possamos continuar construindo pontes, fortalecendo o povo e honrando aqueles que vieram antes de nós.
Àṣẹ.
Pela quarta-feira de Xangô, o Orixá da justiça e honra. Seguimos preenchendo nossos corações com a manifestação do sagrado em nossas vidas.
- 21/04/26 -
Hoje escrevo com a alma lavada, com o coração tranquilo e profundamente realizado. Sinto-me tomado por uma felicidade serena e verdadeira, dessas que nascem do dever cumprido e da certeza de ter caminhado ao lado de pessoas que honram o axé.
Quero expressar minha gratidão ao meu filho Carlos Obafenã e aos meus netos, pela acolhida, pelo respeito e pelo carinho manifestados em cada gesto, desde os mais simples até os mais grandiosos.
Que o axé desta casa continue crescendo, iluminando caminhos, formando filhos e perpetuando a tradição que nos sustenta.
Mo júbà ao Ilé Omo Obá Ogodo.
Mo júbà ao sagrado que nos conduz.
MODUPE aos filhos do Omorode!
Vocês não são um axé, juntos, vocês formaram uma nação que louva com maestria o nome de Logunedé e Oxum. 💛
#candomblé #axé #tradiçao #xango #fé
No dia 23/03 após as festividades das Águas de Oxalá, o branco repousou para dar lugar ao colorido intenso, vivo e poderoso daquele que guarda os caminhos, movimenta a existência e leva adiante toda palavra que precisa chegar ao seu destino.
É dia de louvar Exu, nosso sentinela, mensageiro entre o Orun e o Aiyê, senhor da comunicação, da dinâmica da vida, da abertura dos caminhos e da justiça que não dorme. Exu é princípio de movimento, é ordem dentro do caos, é o guardião que vigia a porteira da existência e anuncia que nada caminha sem sua permissão.
No Omorodé, celebrar Exu é reafirmar nossa fé na força que protege, orienta, adverte e encaminha.
Sem Exu, não há passagem. Sem Exu, não há palavra que chegue. Sem Exu, não há caminho aberto para que o axé circule.
Hoje, vestimos o colorido forte da vida para render honra ao Orixá que nos ensina sobre presença, coragem, vigilância e verdade. Exu, nosso comunicador divino, nosso grande sentinela, seja louvado com alegria, respeito e honra.
Laroyê Exu.
Exu é Mojubá.
Viva Exu!
#exu #candomblé #fyp #orixás #religiao
Em uma sexta-feira como essa, há 7 dias, eu renascia para o Orixá. Um momento que marcou não só o meu corpo, mas principalmente a minha alma. Hoje, olhando para tudo que vivi, só consigo sentir uma gratidão imensa ao meu pai Oxalá, que me sustentou, me fortaleceu e não permitiu que eu desistisse em nenhum instante dessa caminhada.
Foram dias de entrega, silêncio, aprendizado e conexão profunda com o sagrado. Um verdadeiro reencontro comigo mesmo, com minha essência e com aquilo que acredito. Cada detalhe vivido ali teve um propósito, cada dificuldade foi necessária para que eu saísse mais forte, mais consciente e mais alinhado com meu caminho.
Hoje me sinto realizado. Realizado por ter tido coragem de seguir, por ter honrado esse chamado e por ter vivido algo tão grandioso e transformador. Foi mais do que um ritual… foi uma mudança de vida, um divisor de águas, um despertar espiritual.
Que essa nova caminhada seja guiada pela luz, pela paz e pela sabedoria de Oxalá. Que nunca me falte fé, equilíbrio e axé para seguir firme, com humildade e verdade.
Na ocasião: Pilão de Oxaguian e Odun Etá Pedro Oxaguian - Ajádeyì.
O RETORNO DE OXALUFAN E A FESTA DO PILÃO
Nas tradições de matriz nagô-yorùbá preservadas na diáspora, o ciclo das Águas de Oxalá é o momento em que a comunidade revive, por meio do corpo e do gesto ritual, a trajetória de Oxalufã, o grande pai, que experimentou o sofrimento decorrente da teimosia e da desobediência ao oráculo, sendo injustamente aprisionado nas masmorras de Xangô, até que a verdade fosse restabelecida e sua honra restaurada.
Este retorno simbólico de Oxalufã é, antes de tudo, um ensinamento moral. Ele nos recorda que até mesmo o mais sábio pode ser provado pela consequência de seus atos, e que o caminho da paciência, da humildade e da escuta ao destino é a verdadeira trilha para a restauração da dignidade.
Ao lavar o grande orixá, a comunidade não apenas purifica seus assentamentos, mas também purifica sua própria consciência coletiva. Durante dias consecutivos, filhos e filhas do axé percorrem caminhos sagrados, transportando águas em silêncio e devoção, recriando simbolicamente a jornada do sofrimento até o reencontro com a dignidade.
É nesse contexto que se ergue a Festa do Pilão e do Inhame, celebrada como expressão de júbilo pelo retorno do grande pai. O inhame, raiz primordial, alimento ancestral e símbolo de sustentação da vida, torna-se metáfora da continuidade e da fertilidade espiritual. Pilá-lo em comunidade é reafirmar o princípio de união, pois o pilão exige força coletiva, ritmo compartilhado e harmonia entre os que o manejam.
Receber Oxalufã com inhame pilado é acolher o retorno da serenidade, reconhecer a vitória da verdade sobre a injustiça e reafirmar o compromisso com a moral, a pureza e a retidão que ele simboliza.
É nesse espírito que o pilão ressoa, que o inhame é oferecido e que as águas lavam não apenas o sagrado, mas também o coração daqueles que se mantêm fiéis à tradição.
Ẹpà Bàbá. Ẹsò Oxaguian.
#pilaodeoxoguian #fé #candomblé #oxala #fyp
Na ocasião: Procissão de Oxalufan e Nome do Yawô de Oxalá - Aláfíọjó.
PROCISSÃO DAS ÁGUAS E O ZELO AO GRANDE ORIXÁ
A Procissão das Águas, destinada a lavar o Grande Orixá após os sete anos de resiliência, constitui um dos atos mais sagrados e de profunda densidade filosófica para as casas de tradição Nagô Yorùbá estabelecidas no Brasil, especialmente aquelas designadas como Nação Ketu.
Trata-se de um ritual que ultrapassa o gesto litúrgico e se estabelece como um ensinamento vivo sobre cuidado, memória e responsabilidade espiritual.
Cuidar do Grande Orixá após um momento de tristeza, simbolicamente vivido na trajetória de Òṣàlá, é reafirmar que até o mais elevado entre nós também atravessa momentos de provação.
Ao lavarmos o Orixá, não lavamos apenas seus símbolos materiais, mas renovamos a pureza dos nossos próprios caminhos, reconhecendo que a paciência, a dignidade e o silêncio são fundamentos indispensáveis para a continuidade da vida espiritual.
Este ato nos ensina que a resiliência não é apenas suportar o tempo da dor, mas aprender a transformar a experiência da adversidade em sabedoria e serenidade. A água que percorre o caminho da procissão carrega consigo o compromisso coletivo de restaurar a harmonia, reafirmando que o cuidado é um valor essencial dentro das casas de tradição, onde cada gesto é carregado de ancestralidade e reverência.
Que este ato sagrado continue sendo, para nossas casas e para o mundo, um testemunho de fé, de memória e de responsabilidade coletiva.
Ẹpà Bàbá.
#aguasdeoxala #fyp #candomble #orixas #oxala
Osun é a doçura que acolhe como colo de mãe
Não a que enfraquece, mas a que fortalece, protege e ensina a amar. Senhora das águas doces, ela carrega o afeto que sustenta laços, que cura feridas e que mantém viva a conexão entre mãe e filho.
Logun Edé é o brilho que nasce do equilíbrio, mas também do pertencimento. Filho que carrega em si herança, identidade e amor, ele traduz a ligação profunda entre mãe e filho, e a beleza dos vínculos que se constroem no respeito e no cuidado.
Entre águas e matas, também vive o amor dos irmãos, aquele que cresce junto, que protege, que caminha lado a lado.
Amor de sangue, de raiz, de história compartilhada.
Osun ensina a cuidar.
Logun Edé ensina a honrar de onde se veio.
E juntos lembram: família é mais do que presença
é afeto que atravessa gerações, é ligação que nem o tempo desfaz.
📸: @manuproducoes_ | @_manuproducoes
🏛️: @ileomorode@rodriigues_feliipe