Há cerca de um mês, assisti uma palestra sobre "zoo design" organizada por um grupo de estudos de animais selvagens. A ministrante era bem-intencionada, mas cometeu uma série de equívocos a respeito do assunto. O mais grave e que, infelizmente, é muito comum no Brasil, foi confundir dois conceitos distintos: exibição panorâmica e imersão na paisagem. Preocupante? Sim, ainda mais porque ela estava falando para estudantes. A culpa foi dela? Ficou evidente que não. Ela só transmitiu o que é doutrinado nesta área aqui no país. Mas é preciso quebrar esse ciclo. Substituir a doutrina pela educação. O dogma pela ciência. Esta é a razão de eu fazer essa postagem. Seguem as referências abaixo.
Coe, J.C. (1985). Design and perception: making the zoo experience real. Zoo Biology (4), 197-208. doi: 10.1002/zoo.1430040211
Coe, J.C. The Evolution of Zoo Animal Exhibits in The Ark Evolving - Zoos and Aquariums in Transition; Wemmer, C.M., Ed.; Smithsonian Institute: Washington, DC, USA, 1995; ISBN -10 0963840827.
Hancocks, D. (2001). A different nature: The paradoxical world of zoos and their uncertain future. Berkeley, CA: University of California Press.
Maple, T.; Perdue, B.M. Zoo Animal Welfare. Springer Science & Business Media: Berlin/Heidelberg, Germany, 2013; Volume 14.
Nem todo herói usa capa. Nem todo herói luta por uma nação. Existem heróis que lutam pelo planeta e não estão numa superprodução hollywoodiana ou nos gibis. Essas são as frases que se aplicam aos meus heróis pessoais, desde a infância. Não raro, alguém no Brasil decide ser biólogo ou veterinário por influência de Sérgio Rangel, Steve Irwin ou - pior - Richard Rasmussen. Eu conheço cada um desses nomes, mas nenhum deles teve qualquer influência ou foi uma referência para mim. Meu grande herói pessoal sequer fala português e minha primeira recordação de vê-lo na TV nem é dele realmente aparecendo, mas de libélulas voando sobre um fundo azulado, seguidas por diversos outros animais, ao som de acordes. Aí lembro que ele surge um minuto depois, caminhando em uma ilha varrida pelo vento e com gaivotas-rapineiras dando rasantes. A seguir, orcas capturam leões-marinhos na arrebentação e, depois, chimpanzés caçam colobos. Meu herói não usa, em nenhum momento, gírias, xingamentos ou faz dancinhas para chamar a atenção. Ele não ofende a inteligência de quem assiste o programa em momento algum. Ele simplesmente te conta uma história e mostra o mundo como realmente é. Hoje, esse mundo está mais perto do fim e não é uma metáfora. Mais uma vez, é real. Em todos os aspectos. Porque meu herói completa hoje 100 anos de existência e, assim como todos os heróis, mal sabe que eu existo ou o quanto ele me inspira. Infelizmente, não espero sequer vê-lo pessoalmente. O tempo para ele está acabando, da mesma forma que para as espécies que tentamos salvar e proteger. É irônico, não é? Ele é o último de sua espécie. Ao completar 100 anos, David Attenborough nos lembra que só raramente encontramos uma figura pública capaz de exercer uma liderança ética e moral. Cada vez menos pessoas conseguem ver a floresta além das árvores e, portanto, de pensar o futuro além de um ciclo eleitoral. David Attenborough faz parte da grande tradição da divulgação do conhecimento, como Carl Sagan e O Mundo de Beakman. Esta tradição tem no seu cerne uma convicção: para nossa civilização continuar a existir numa época cada vez mais dependente do conhecimento, este tem de ser democratizado. Conhecimento é poder.
A conversa mais marcante que tive com um dos meus orientadores do mestrado ocorreu em 2018, quando ele me deixou no aeroporto de Seattle. Pouco antes de eu descer do carro, ouvi a seguinte pergunta: o que você ainda faz no Brasil, Igor?
Não lembro o quê ou se respondi. Mas recordo as palavras depois de "não há nada para você lá". Tenho certeza de que alguns colegas e amigos irão contra-argumentar sobre esse meu orientador estar errado. Eu gostaria que ele estivesse. Mas não, não há nada errado. O Brasil mostrou, demonstrou, provou e até reprovou isso para mim. Tentei a sorte no Nordeste, Centro-Oeste e Sul. Passei por quase todo tipo de experiências e conheci todo tipo de pessoas. Houve aquelas horríveis (felizmente, poucas), a maioria que "dança conforme a música" (preocupantemente) e algumas extraordinárias, que nos lembram da força do "espírito" humano. Sinto-me honrado de considerar certo número destas como amigos. Na verdade, são elas que tornam esse momento agora muito difícil.
Daqui a 10 dias, eu estarei partindo do Brasil definitivamente. Vou fazer o caminho inverso do meu avô materno, que, em 1930, atravessou o Atlântico vindo de Portugal. Ele fez essa jornada durante dias em um navio. Eu farei de avião, em meras 7 horas. Impressionante como ainda existem pessoas que constroem um passado mítico e glorioso, não é? Ou que desprezam a ciência ou, pior, fatiam-na e selecionam "desta ciência, eu gosto, dessa ciência aqui, não"?
Não sei como será minha vida em outro continente ou o que o futuro me reserva. Biólogo no Brasil aprende rápido, e de forma infeliz, a não fazer planos. Não é algo que valha a pena quando se tem uma das cinco profissões com mais desvio de formação ou função no país. Você termina constatando que é melhor viver um dia de cada vez e não pensar muito no futuro. As únicas certezas são de que o boleto com a anuidade absurda do CRBio irá chegar e você ouvirá muitas besteiras sobre sua área de atuação. Com o tempo, se desiste de responder. Não vale a pena em um país onde 89% da população é analfabeta científica e ignorância é sinônimo de felicidade. Você percebe que o melhor a fazer é pegar a estrada, muitas vezes sem saber aonde levará.
Trecho do programa "Zoológicos Urbanos" (Zoo Life: Urban Zoos, 1992) mostrando os avanços não só na infra-estrutura do San Diego Zoo e Safari Park, mas também nos projetos de conservação para ajudar a sobrevivência das espécies no ambiente natural. A instituição é uma referência mundial na reprodução de grandes mamíferos, com - por exemplo - mais de 165 rinocerontes de 3 espécies nascidos desde a sua fundação em 1916.
POR QUE PRECISAMOS DO ZOOLÓGICO MODERNO?
O biólogo David Bodenham responde a esta pergunta durante uma visita ao Chester Zoo, na Inglaterra. Tal questionamento é essencial para a conservação da biodiversidade no mundo atual, pois como falou o célebre biólogo Iain Douglas-Hamilton:
"Eu não acho que algumas pessoas apreciam a importância do efeito que os zoológicos podem ter na vida de pessoas comuns para levá-las a amar os animais. Os zoológicos podem ser um canal para compartilhar o sentimento de admiração e compreensão dos animais que eu tenho."
"É melhor enfrentar um leão do que um leopardo", diz um antigo provérbio africano. Palavras que, por si só, ilustram a astuciosidade ou ferocidade deste felino. A verdade é que a própria origem da palavra "leopardo" também se relaciona ao leão, pois vem do grego "λέοπάρδος" e significa - literalmente - "leão manchado". Sua relação com a humanidade é antiga, estando presente em diversas lendas desde a Europa, onde era o símbolo do deus Dionísio, até a Índia, país no qual sua reputação como "devorador de homens" atinge níveis míticos. Conta-se que lá, dois indivíduos conhecidos como os leopardos de Rudraprayag e Panar, caçaram mais de 500 pessoas antes de serem abatidos por Jim Corbett no início do século XX. Corbett, que era um ávido naturalista, além de caçador, fez registros detalhados sobre o comportamento dos animais e identificou que estes indivíduos "devoradores de homens" eram idosos ou carregavam ferimentos que os impediam de capturar suas presas habituais. No entanto, conflitos entre humanos e leopardos estão longe de serem algo do passado. As redes sociais são prolíficas em divulgar vídeos de encontros amistosos ou não das duas espécies, muitos feitos em Mumbai, onde uma população de 35 leopardos está cada vez mais confinada no Parque Nacional de Sanjay Gandhi devido ao crescimento desenfreado da cidade.
Existem pelo menos 8 subespécies reconhecidas de leopardo, com algumas criticamente ameaçadas segundo a Lista Vermelha da IUCN. A mais conhecida de todas, o leopardo-de-Amur, possui menos de 150 indivíduos em estado selvagem no Extremo Oriente. Felizmente, a população sob os cuidados das Associações Norte-Americana e Europeia de Zoos e Aquários é maior e porta genes que já se encontram extintos na natureza, reforçando a sua importância. Há programas de manejo populacional em cativeiro também para outras subespécies, como o leopardo-persa, que é coordenado atualmente pelo Zoológico de Lisboa. O futuro da espécie permanece incerto por causa da caça e destruição do habitat e isto levou a 03/05 ser considerado o Dia Mundial do Leopardo. Tomara que possamos agir para que este felino magnífico não fique restrito aos mitos e lendas. #InternationalLeopardDay
As antas estão entre os mamíferos mais antigos da Terra. Sua origem data do período Eoceno, há cerca de 56 milhões de anos, e muitas espécies de anta vagaram pelo Hemisfério Norte no passado. Hoje, existem apenas 4 e a maioria delas está restrita às Américas. A exceção é a anta-malaia, que com sua chamativa pelagem preto e branca, distribui-se pelo Sudeste Asiático. Apesar das antas estarem entre os maiores mamíferos terrestres nos biomas em que ocorrem, podendo atingir a marca de 300 kg, esses animais ainda são vítimas da caça ilegal, destruição do habitat e atropelamentos em estradas.
Aqui no Brasil, a anta-comum (Tapirus terrestris) é uma espécie classificada como vulnerável à extinção pela Lista Vermelha do Ministério do Meio Ambiente e quase desapareceu da Caatinga, perdeu 67% da sua população no Cerrado e algumas populações na Mata Atlântica contam com menos de 20 indivíduos. 27/04 é considerado o Dia Mundial da Anta, uma data que tem o objetivo de conscientizar as pessoas diante esse cenário preocupante, visto que a anta é uma peça essencial para o funcionamento dos biomas. Isso porque devido ao hábito de comer frutas, a espécie exerce o papel de dispersora de sementes para várias plantas, incluindo o famoso açaí. É por isso que alguns pesquisadores a apelidaram de "jardineira das florestas". Se não fizermos algo para protegê-la e ajudá-la a recuperar as suas populações, há um sério risco de termos um mundo não só sem antas e sem florestas saudáveis, mas também sem açaí no futuro.
Apesar dos zoológicos brasileiros manejarem antas-comuns há décadas, ainda não existe um programa de conservação em cativeiro dessa espécie no país. Isso significa que não sabemos o nível de parentesco entre os animais e até mesmo a qual população pertencem ou representam. Em compensação, as Associações Norte-Americana (AZA) e Europeia (EAZA) de Zoos e Aquários mantêm programas de manejo populacional "ex situ" e apoiam projetos de conservação no ambiente natural para todas as 4 espécies de anta. Eu já tive a sorte de conhecê-las pessoalmente. Será que deixaremos as futuras gerações terem a mesma oportunidade?
#WorldTapirDay #antaéelogio
Os pinguins surgiram no final do período Cretáceo, pouco antes da extinção em massa que dizimou quase todos os dinossauros (exceto as aves, claro). Sua origem parece estar associada ao continente antártico e de lá, a linhagem se diversificou por todo o Hemisfério Sul. Hoje, existem de 17 a 20 espécies de pinguins, com esse número impreciso refletindo divergências entre os taxonomistas. Por exemplo, alguns pesquisadores consideram o pinguim-real como um subespécie do pinguim-de-Macaroni e não uma espécie distinta.
Discussões científicas à parte e ao contrário do imaginário popular, nem todas as espécies habitam o gelo. O pinguim-das-Galápagos, descrito por Carl Sundevall em 1871, vive na linha do equador e tem sua população mantida graças aos cardumes alimentados pela corrente fria de Humboldt. Mas essa capacidade de adaptação parece não protegê-los das ações humanas. Pelo menos 10 espécies de pinguins são consideradas ameaçadas ou dependentes de esforços conservacionistas. Elas sofrem pressão por conta da poluição, mudança climática e declínio dos estoques pesqueiros. Em uma colônia de pinguins-Adélia, apenas 2 filhotes sobreviveram na temporada reprodutiva de 2017. Ou seja, precisamos repensar o nosso uso dos combustíveis fósseis e padrões de consumo caso desejemos salvar essas aves carismáticas.
Uma das estratégias para ajudá-las tem sido os programas de conservação em cativeiro e as Associações Norte-Americana (AZA) e Europeia (EAZA) de Zoos e Aquários mantêm manejos populacionais para 6 espécies. Hoje é o Dia Mundial do Pinguim. Então, que tal fazer sua parte em casa e, caso o zoo ou aquário da sua cidade mantenha pinguins, questionar o que eles fazem pela conservação dessas aves? #worldpenguinday
Alan A. Milne escreveu: "Muitas pessoas falam com os animais, mas poucas os escutam. Isso é um problema." Ou seja, existe uma diferença entre gostar de animais e entender sobre animais. Assim como se pode gostar de uma Ferrari e não entender sobre engenharia mecânica. Esta é a maior problemática do movimento pelos "direitos dos animais". Muitas pautas carecem de sentido com relação aos animais e à natureza. O mundo já perdeu 75% da vida selvagem. 96% da biomassa dos mamíferos hoje é de seres humanos e espécies domésticas. Quando falamos de aves, 70% são galinhas domésticas. Como resolver esse problema? Fazer todo mundo virar vegano? Ok. Quanto tempo levará isso? Não irá acontecer amanhã, no próximo mês ou ano seguinte. Só que os impactos da destruição de habitats, poluição, crescimento desordenado da população humana, coleta excessiva e introdução de espécies exóticas irão continuar. No caso da introdução de espécies exóticas, há um agravante. Seu impacto não cessa ao pararmos de liberá-las. Seu impacto cessa apenas ao removê-las do novo ambiente. Complicado, não é? Esta é uma das primeiras coisas que aprendemos na missão de consertar os estragos feitos pela humanidade no planeta e construir um mundo melhor. Exige conhecimento e tomar decisões difíceis. Não é simples. Não é preto e branco. Isso é evidente no caso dos hipopótamos introduzidos por Pablo Escobar na Colômbia, em 1981. O que era uma população de 4 indivíduos cresceu para mais de 200 atualmente. Colocando em risco as espécies da região, como o peixe-boi-marinho e o crocodilo-americano, e até as pessoas que moram lá. Não é só uma questão dos hipopótamos atacarem outros animais. Eles consomem uma grande quantidade de vegetais e, junto com seus dejetos, alteram o ambiente nos rios e lagos. Não há predadores ou competidores para eles na Colômbia como existe na África. Caso não sejam removidos, o impacto irá continuar e aumentará. Por se tratarem de hipopótamos altamente consanguíneos, nenhum zoo moderno poderá recebê-los e não há santuário com capacidade para 200 deles. A única saída é a eutanásia. Não é algo que alguém fará sorrindo. Mas precisa ser feito pelo bem das 63.000 espécies nativas da Colômbia.
Sabia que existem mais de 1.300 espécies de morcego no mundo? Eles correspondem a 25% dos mamíferos atualmente e são o segundo grupo mais diverso dentro deste táxon, perdendo apenas para os roedores. Há morcegos em quase todos os continentes, exceto a Antártica. Eles chegaram até mesmo a colonizar ilhas longínquas, como a Nova Zelândia. O nome da ordem dos morcegos, "Chiroptera", é uma palavra em latim que significa "asa de dedos" e já mostra uma de suas características principais. Isso porque suas asas nada mais são do que uma membrana esticada entre os dedos do equivalente às mãos.
Apesar de algumas pessoas terem medo ou os considerarem feios, os morcegos são essenciais para a polinização de flores, dispersão de sementes e fluxo de nutrientes para o interior das cavernas. Lá, seus dejetos ajudam a abastecer todo um ecossistema. Há até grandes exemplos de solidariedade entre esses animais. Sabia que as 3 espécies de morcego-vampiro apresentam comportamento altruísta? Elas compartilham alimento com seus companheiros de bando para evitar que morram de fome. No entanto, tudo isso não impede que os morcegos tenham problemas. Várias espécies têm sua sobrevivência ameaçada por doenças, destruição de florestas e até a caça em algumas regiões, onde são considerados iguarias culinárias. No Brasil, 5 espécies de morcego estão classificadas como em risco de extinção.
Essa é a razão pela qual 17 de abril é o Dia da Apreciação dos Morcegos. Uma data para lembrar dos nossos parentes voadores mais próximos e o que podemos fazer para garantir que tenham um futuro melhor. Que tal olhar pela janela hoje à noite e admirar os morcegos? #BatAppreciationDay
Hoje é o dia de alguns dos animais mais carismáticos e icônicos do planeta. Trata-se dos ursos, ou melhor, das 8 espécies de urso conhecidas, cujo tamanho varia desde o grande urso-pardo-de-Kodiak, que vive nas ilhas do Alasca, até o pequeno urso-malaio da Ásia. Os ursos também são famosos por habitarem diversos tipos de ambiente e terem dietas bem variadas, incluindo carne, peixes, ovos, frutas e vegetais. Alguns deles, inclusive, desenvolveram adaptações para se especializarem num determinado tipo de alimento, como é o caso do panda-gigante. Este urso preto-e-branco possui uma protuberância muscular nas patas dianteiras, que atua como um sexto dedo para ajudá-lo a segurar o bambu do qual se alimenta.
Outro detalhe interessante sobre o panda tem a ver com sua conservação. Sabia que ele é um grande exemplo de sucesso de esforços para salvar uma espécie? Há 40 anos, existiam 800 pandas em todo o mundo. Hoje, há 2.000 e a espécie passou de "criticamente em perigo" para "vulnerável à extinção", que é um grau menor de ameaça na Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza. O mesmo destino pode estar reservado para outras espécies de urso, como é o caso do urso-andino ou de óculos. Esta é a única espécie de urso da América do Sul e está ameaçada devido à caça ilegal, mudança climática e destruição do habitat. Estima-se que menos de 5.000 ursos-de-óculos habitem as florestas, charnecas e áreas semidesérticas dos Andes entre a Venezuela e o noroeste da Argentina. No entanto, existem ações em andamento para reverter esta situação. Vários países implementaram planos de conservação para a espécie e o Equador estabeleceu um corredor ecológico para ursos-de-óculos no Distrito de Quito.
Outra estratégia pode ser os programas de manejo populacional em cativeiro. Contudo, estes dependem de um trabalho em conjunto e a longo prazo dos zoos para obterem sucesso. No Brasil, por exemplo, a população de ursos-de-óculos está altamente consanguínea porque os zoos não a manejaram seguindo preceitos de genética e ecologia populacional. Eu já tive a sorte de ver as 8 espécies de urso do planeta. Será que deixaremos as gerações futuras terem esse mesmo privilégio?
22 de março não é apenas o Dia Mundial da Água, elemento essencial à vida neste planeta, mas também de um dos seus habitantes mais carismáticos: a foca. Existem 19 espécies de foca conhecidas das mais variadas cores, formas e tamanhos, desde o enorme elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina) até a pequena foca-do-Baikal (Pusa sibirica). Uma delas, a foca-monge-caribenha (Neomonachus tropicalis), foi o primeiro mamífero descrito pelos europeus no Novo Mundo e sofreu com intensa caça até 1939. A espécie não é avistada desde 1952 e presumivelmente está extinta. Destino similar ameaça sua parente próxima, a foca-monge-do-Mediterrâneo (Monachus monachus), cuja população é estimada em apenas 700 indivíduos. Esta espécie enfrenta muitos dos problemas que afligem outras focas através do mundo, como a poluição, captura acidental em aparatos de pesca e ocupação desordenada da zona costeira.
Não é raro que tais ameaças façam animais jovens se separarem de suas mães e, quando isso acontece, estes são muitas vezes encaminhados para aquários e centros de reabilitação. A análise se sua soltura irá ocorrer posteriormente é um processo complexo e, no caso de espécies antárticas, não é recomendada pelo risco de introdução de patógenos que estes animais podem adquirir com o contato humano. Isso significa que um número considerável dessas focas permanecem em cativeiro como embaixadoras de suas espécies e, dependendo das instituições onde estejam abrigadas, podem participar de programas de manejo populacional.
Outro detalhe importante é que, apesar de serem animais icônicos e populares, muito famosos principalmente entre as crianças, as focas costumam ser confundidas com os lobos e leões marinhos. No entanto, estes pertencem a uma família diferente, possuem orelhas visíveis e se deslocam em terra apoiando-se nas nadadeiras dianteiras, ao contrário das focas, que apoiam-se na barriga e não tem orelhas visíveis. Quer outra dica de como diferenciá-los? É só oferecer-lhes uma bola. Os lobos e leões marinhos têm pescoços fortes e musculosos, e conseguem equilibrar a bola na ponta do focinho. Enquanto as focas, com seus pescoços curtos, podem somente brincar com ela dentro da água.