Sonhar é um projeto, e o caminho precisa de direções.
E aqui vou contar como achar as minhas.
Foto: Praça Alfredo Egydio de Souza Aranha
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Não saio muito de casa. Não conheço a maior parte das obras arquitetônicas e urbanísticas da minha cidade pessoalmente. Não sei, ainda, o que é estar em uma e me emocionar profundamente. Muitas coisas servem como obstáculo, mas minha aproximação com a fotografia amadora talvez deixe isso um pouco mais expressivo e me ajude a apreciar cada detalhe que conversa comigo e com tudo.
Foto: Praça Oswaldo Cruz, com a escultura Índio Pescador de costas.
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Uma fachada de cobogós e ripas de madeira, porque edifícios espelhados já bastam nessa cidade. Mal conseguia me olhar nos espelhos ao sair da cama, ao escovar os dentes e ajeitar o cabelo, mas também não conseguia flertar com a ideia de torres isoladas em seu próprio mundo. Nada foi intencional, eu apenas sempre abominei obras que acabei julgando a capa como dizem para não se fazer com livros.
A transparência sempre me convidou. Ventos que podia controlar, só não fazia ideia de como. Cores quentes e a proximidade da natureza urbana que infelizmente somos nós. Mas só fui descobrir hoje que minha própria fachada era sólida demais, uma fortaleza implodindo. Sequer refletindo os outros. E, olhando para trás, vi que eu não passava de uma obra que pedia reforma para que não fosse mais um prédio espelhado.
Projeto: Habitação Coletiva, autoral
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Há 10 anos tinha muitas convicções sobre esse trajeto, e ao mesmo tempo sem nenhum propósito muito grande. Era jovem, sem anseios grandes, seguindo o rumo lento de um mar calmo.
Desilusão é uma palavra forte, mas um ano e meio depois as certezas se esvaíram. Não tinha mais espaço pra nada. Pra estudar, pra olhar o mundo aqui fora, e sequer pra acordar.
Eu pedi ajuda, mas a linha subjetiva entre me isolar por incapacidade ou por uma decisão é uma dúvida que tenho até hoje. Patologicamente, é uma limitação. Nos devaneios, era culpa e também piedade.
Refugiar-se na própria mente me distanciou do que penso hoje sobre arquitetura. E é esse o principal desafio. Como participaria de um universo em que é necessário pensar em todos se eu não conseguia pensar nem em mim mesmo?
Ou, em melhores termos, como ajudaria uma cidade que dentro de mim não existia?
Projeto: Casa da Música, Colectivo C733
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