Na trama dos encontros e encantamentos, encontrei
@ajosycunha na trilha do Utinga, numa tarde encharcada, delirando e pedalando dentro de um toró de rios aéreos amazônicos.
Tenho o costume de catar no mapa as áreas verdes das cidades que visito, no caso de Belém me deparei com uma Sumaúma na entrada de um percurso que levava kms adentro, uma área de 1.393,088 hectares, o equivalente a 1.400 campos de futebol.
Tive a sorte de sincronizar os percursos com Josy e conseguir permanecer mais horas ali, confabulando Belém… percebendo os sons, as espécies, os corpos, os cheiros, sabores e artefatos de preservação e pulsão inventiva, entrelaçadas em retomadas contínuas.
O Parque do Utinga é considerado uma unidade-símbolo da diversidade biológica presente na Região Amazônica, além da histórica função de aportar, tratar e abastecer de água quase 70% da população da Região Metropolitana de Belém.
Dentro do parque existe o Memorial dos Povos Originários Verônica Tembé, um centro de exposições e difusão da cultura material e imaterial dos indígenas amazônidas criado em 2021, batizado em homenagem a cacica Tembé-Tenetehara, Verônica Tembé, a primeira liderança indígena feminina da etnia e articuladora política indígena na região.
O parque também abriga o Programa de Reintrodução e Monitoramento de Ararajubas, desenvolvido pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (
@ideflorbio ) e pela Fundação Lymington, uma ave típica da região Norte, que durante 60 anos não teve registro de aparição na área metropolitana de Belém devido ao processo de extinção entre as décadas de 1940/1950, consequência da expansão urbana, o desmatamento e o comércio ilegal.
Retomando as imagens e escritas desde Fortaleza, celebro a reintrodução de algumas espécies como o Periquito Cara-Suja pelo projeto Refaunar Arvorar, o Carnaubal das Jandaias, as trilhas e ilhas verdes dessa cidade, que não chove como Belém mas sonha água em lençóis de dunas.