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@cinemasemsulfito é um projeto com o qual me identifico muito, porque une várias das minhas paixões (cinema, vinho, gastronomia) e, sobretudo, pelo caráter interdisciplinar que aproxima o universo da bebida e da comida do mundo da arte.
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Nesse sábado participei da mesa de conversa pela segunda vez representando a
@viventevinhosvivos , em edição especial do
@finosfilmes . O filme escolhido foi a linda animação A Tartaruga Vermelha (coprodução com o studio ghibli), acompanhada de degustação de um Pet-nat da Vivente e de produtos do
@projetoa.mar . O elo entre filme, vinho e comida era o mar, tema que também inspirou a collab entre a vinícola e a.mar: a cuvée Tempo de Mar, envelhecida no fundo do oceano.
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Assistir ao filme na telona do
@cineclubecortina , com o espumante na taça, trouxe uma sensação única. Há filmes que conseguem ser profundamente poéticos, nos colocar em uma frequência mais contemplativa e, ao mesmo tempo, nos fazer mergulhar em sua narrativa, prendendo nossa atenção mesmo em um ritmo mais lento. Poucos, mesmo dentro do chamado cinema de autor, alcançam essa façanha: capturar o espectador sem aprisioná-lo, deixando espaço para múltiplas interpretações.
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O vinho natural segue uma filosofia parecida. Não busca maquiar o que a uva entregou para atingir um resultado específico. Trabalha-se com técnica, claro, para extrair o melhor da fruta, mas sem recorrer a intervenções que produzam aromas ou sabores artificiais. Dessa forma, não surge aquela fruta “pornográfica”, como diz meu caro Zanini, mas sim espaço para nuance, revelando camadas.
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Para mim, mais do que a temática em comum, foi essa forma de apreciar tanto o cinema quanto o vinho que realmente uniu os dois mundos. Nem a animação, nem o vinho perseguem um fim pré-determinado ou recorrem a manipulações para guiar o público. Sua liberdade, no processo e no resultado, os torna mais poéticos e, arrisco dizer, até mais respeitosos com quem está do outro lado. Não existe apenas uma interpretação correta para A Tartaruga Vermelha, nem um único jeito de degustar um vinho da Vivente. O espaço que seus autores abrem para a nuance permite uma relação mais íntima, pessoal e livre com quem aprecia.