Fuorisalone: 2º Ato — Os Palcos
Agora é preciso falar dos lugares… dos cenários que se transformam em palcos para cada espetáculo/instalação.
A Alcova, ocupando um antigo hospital militar abandonado, continua mexendo comigo.
Eu amo experiência e ali tudo é mais cru, mais livre… mas ao mesmo tempo eu vejo o futuro.
A Dropcity agora ocupa de vez os galpões da Centrale. E é bonito de ver a evolução: a cada ano eles investem mais.
O que antes parecia chão de fábrica hoje tem estética de filme de ficção científica. Eu adorei ficar horas vendo testes de materiais, muita ideia em construção… um laboratório vivo.
O Palazzo Citterio, com When Apricots Blossom, foi um respiro inesperado. A qualidade da instalação é absurda. Uma aula de cenografia com o Uzbequistão, quem imaginava?
Já o Palazzo Acerbis, com H&M e Kelly Wearstler…
Fiquei encantada com a inteligência da coleção, dos móveis aos materiais, até as instalações.
Tava tudo tão perfeito que pensei: não é possível… isso parece um prompt de IA.
(E eu juro: vou amar o dia que ela disser que teve ajuda nisso.)
Saí querendo comprar tudo e achando realmente inovador.
E o encontro de Kohler com Flamingo Estate, no Padiglione d’Arte Contemporanea…
o cenário perfeito pra experiência.
Um verdadeiro santuário de bem-estar que mistura design e natureza.
Teve ainda a Piscina Romana com 6:AM, o apartamento do Borsani no Interni Venosta, DEORON , o jardim da Gucci, a sacristia da Aesop, a Torre Velasca…
No fim, cada palco tem a sua ópera, seus excessos e seus dramas.
E talvez o mais interessante seja isso:
nem tudo aqui é sobre design… é sobre experiência de como a gente quer viver. 😎🤌🇮🇹
Fuorisalone: Primeiro Ato em Milão
Se Fígaro vivesse hoje, ele não seria apenas um barbeiro; ele seria o PR mais requisitado de Brera. Imagine o cenário: a abertura da ópera de Rossini começa a tocar, mas em vez de violinos clássicos, há um sintetizador moderno ecoando pelos pátios do Palazzo Litta.
Fígaro entra em cena não com uma navalha, mas com um protótipo de cadeira em impressão 3D e um convite exclusivo para o cocktail da Gucci. Ele corre de um lado para o outro gritando seu novo mantra:
“Largo al factotum della Design Week! Fígaro! Fígaro! Fuorisalone!”
Enquanto o Conde Almaviva tenta desesperadamente encontrar um hotel (está tudo esgotado ou custando €2.000/d ), ele se disfarça de estagiário de uma revista de arquitetura alemã para conseguir entrar na instalação secreta da Hermès e ver sua amada Rosina.
Que por sua vez, não está presa em uma varanda. Ela é uma designer emergente que acaba de lançar uma coleção de luminárias sustentáveis feitas de casca de laranja. Ela canta “Una voce poco fa”, mas a letra é sobre o drama de ter que montar seu estande em apenas 12 horas antes da abertura oficial.
O vilão Don Bartolo é o crítico de design conservador. Ele odeia o minimalismo, odeia as instalações imersivas do Tortona District e reclama que “no meu tempo, o mobiliário era feito para durar, não para o Instagram”. Ele tenta impedir Rosina de assinar com uma grande marca dinamarquesa, mas Fígaro, o mestre do networking, já organizou uma colaboração entre ela e a Kartell.
A ópera termina no Bar Basso, com todos os personagens bebendo um Negroni Sbagliato. A confusão de cores e a pressa frenética de Milão provam que, seja no século XIX ou em 2024, a vida é uma grande encenação onde o mais importante é ter um bom estilo e, claro, um barbeiro (ou um curador) que saiba exatamente onde está a próxima festa.
Entre um Spritz e um protótipo, a gente percebe que a vida é um grande Fuorisalone: caótica, barulhenta e absolutamente fascinante. Fígaro ficaria orgulhoso desse networking. Milão respira arte. A gente corre pra não perder nenhum detalhe dessa ópera moderna. Por isso, todos atentos… vem aí uma sequência de posts sobre o meu olhar sobre Milão 2026. 😎🤌🇮🇹