#novidades #vinyl #nashpaints todos os anos há um fenómeno assim. ou o fenómeno renova-se. por vezes há mais do que um num ano. Finn Carraher McDonald é Nashpaints, membro dos Princ€ss, colaborador de Maria Somerville, e por esta altura é seguro pensar que não há um regresso do shoegaze - ou de outro género - a acontecer mas uma geração que se contaminou com a informação e ao invés de ser nostálgica, replicar, resolveu assumir a falta das coisas reais que lhes foram fabricadas na memória e criar a partir daí. em “Everyone Good Is Called Molly” encontra-se Velvet Underground, My Bloody Valentine, Cocteau Twins (e outras coisas da 4AD), mas também uma mão dada com Cindy Lee, com coisas da Escho (Astrid Sonne, claro) e ML Buch. a fixação por géneros é um meio e não o caminho, e é por isso que Nashpaints - e outros contemporâneos, repetindo, Cindy Lee, Astrid Sonne, ML Buch, Maria Somerville - são mais do que mera música decorativa, mas a pop importante de hoje, como a pop de Ariel Pink e Panda Bear era importante nos 2000s e fez a revolução que tinha a fazer. melodia e noise misturam-se, o passado destila a cada segundo como algo fresco e estas canções maravilhosas são pop e trágicas, cheias de graça e com o tumulto do que significa ser novo em 2026: daí haver alguma insegurança no som, o que o torna ainda mais fascinante. onde não há insegurança é na forma como gosta de existir nesse não-lugar: não é nostalgia, não é uma homenagem, é o culto do novo olhando para o novo como objecto histórico. uma anarquia sonora em forma de bombom. há semanas que não conseguimos parar de ouvir isto.
LP disponível na nossa loja no Mercado de Arroios e em www.flur.pt
#novidades #vinyl #dagmarzuniga gravado ao longo de cinco anos, entre Nova Iorque, Athens (Georgia) e na Noruega, Dagmar Zuniga foi gravando estas canções num Tascam 424 e, quando achou que tinha um álbum, disponibilizou-as online. isso foi em Janeiro de 2025, tornou-se um pequeno fenómeno, Mount Eerie convidou-a para uma digressão (fun fact, ela estava a pensar vir a Lisboa no verão passado e atuar na Flur), tocou na edição mais recente do Festival Rewire e o álbum é reeditado (já tinha tido uma edição pequena em cassete no ano passado) em vários formatos pela AD 93. é folk? Sim. há traços de Karen Dalton? sim. mas Dagmar Zuniga ultrapassa o fervor da nostalgia, da comparação, e ouve-se pelo novo, pela empatia e ligações entre o divino e o quotidiano e, sobretudo, como aproxima esse divino de uma ideia de amor universal. “in filth your mystery is kingdom / far smile peasant in yellow music” é um álbum do presente vindo de outro tempo, uma mensagem do futuro para olharmos para o aqui e agora. em simultâneo, experiencia-se como música que está connosco desde sempre, que nos toca, que nos conquista com uma harmonia que não conhece fim e ecoa na memória quando abruptamente desaparece na canção ou se dispersa nos ruídos da fita. e, por ali, ouve-se a voz de Dagmar, baixa, discreta, de um além que parece ter sido encontrado agora. pela forma como foi gravado, a voz ouve-se num estado de deterioração. há algo de “The Disintegration Loops”, de William Basinski, aqui, a música não desaparece no momento, mas sente-se que o possa estar a fazer. um prazer como poucos, ouvir “in filth your mystery is kingdom / far smile peasant in yellow music” e passar trinta minutos à procura de terra firme. ela não existirá depois disto. um álbum de sonho, um sonho tornado realidade.
LP disponível na nossa loja no Mercado de Arroios e em www.flur.pt
#novidades #vinyl #dadawah quando “Run Come Rally” começa, sabemos desde logo que acabámos de entrar num disco especial. de subgraves rompantes (o início do disco parece que conta com a potência de um Korg MS-20, apesar deste disco ser datado de 1974), o ano da revolução também é transposto para um disco que canta sobre ela, sobre a necessidade de desvincular de correntes, ideológicas ou literais, de libertar o homem negro em toda a sua diáspora. com percussão circular, ritualística, guitarra embebida em psicadélia (com os wahs particularmente reveladores), linhas de baixo que entusiasmam e trazem conforto, sossego, tranquilidade, cantando tanto como Ras Michael canta sobre o doce sabor da vitória. “Peace and Love” é mesmo especial: o título do disco é a intenção pintada pela música que aqui se escuta. amor e paz, cadência sempre vagarosa, psicadélia exacerbada pelo dueto entre guitarra em stacatto e pelas linhas de baixo melódicas. longos exercícios de música em movimento, nunca inerte e em constante mudança - mesmo que subtil, há sempre pormenores novos por descobrir, como é o caso das caudas das guitarras a mudarem as suas dinâmicas como se de ondas a quebrarem numa costa se tratassem. faltam-nos as palavras para descrever o quão especial é este disco. música verdadeiramente elementar. ouvir para crer.
LP disponível na nossa loja no Mercado de Arroios e em www.flur.pt
#novidades #vinyl #cd #squarepusher Squarepusher reinventa-se a cada disco que lança. se há uns anos nos dissessem que, pela altura de “Kammerkonzert”, Squarepusher estaria a apostar numa espécie de jazz MIDI, seguindo a linhagem de discos como Jazz from Hell de Zappa ou, indiscretamente, de “Camerata Elettronica” dos Telectu, provavelmente acreditaríamos, já que Tom Jenkinson e o seu baixo têm vindo a desenvolver uma linguagem em disco que deve muito mais ao jazz e a uma linguagem contemporânea do que os primeiros esforços mais ligados ao breakcore/drum and bass. mesmo com o seu título, nem tudo aqui é música de câmara: “K2 Central” apoia-se numa sequência em baixo groovada sobre 808 e 303, fazendo lembrar mais os discos iniciais de Squarepusher - são os jogos de cordas que tornam este Jenkinson numa nova versão de si mesmo, mais alinhado com uma visão cinemática da sua própria música, propondo tensão e suspensão nesta faixa que até com campainhas/sinos conta, ligando a percussão da 808 com uma MIDI, mais realista, sugerindo essa ambição de elevar a sua música a um outro patamar menos computorizado. “K4 Fairlands” liga os seus jogos de ritmos quebrados com cordas, sopros e outros instrumentos de câmara, aproximando-se de intenções como a do disco em húngaro de Venetian Snares. “K3 Dilligence” volta a afastar-se do hardware clássico de música electrónica e sugere um tictatear nos passos de um trombone, com bateria “real” a conferir ritmo ao luxo de cordas e instrumentos de percussão metalizados, melodiosos, que vão surgindo, até irromper uma secção em piano que torna este disco - quase - num disco de prog. “Kammerkonzert” é, portanto, um álbum que corrobora o desenvolvimento natural da música de Tom Jenkinson, uma convergência de todas as vontades avistadas na música de Squarepusher até então, com ambição de ir além do óbvio e de misturar géneros como poucos o fazem. música de câmara? mais que isso. é um concerto em quatro dimensões a desbravar-se à nossa frente.
LP e CD disponíveis na nossa loja no Mercado de Arroios e em www.flur.pt
sexta parte da cronologia ainda em progresso e que visa mapear actividades de divulgação (rádio, imprensa) e as suas particularidades. 1988 e 89, um pouco de 1990. exposição exaustiva, embora não integral, de correspondência com Controlled Bleeding e ...Of Tanz Victims, duas rondas de comunicação vitais para uma perspectiva mais sóbria acerca da música industrial, distanciando paixões, analisando um pouco do que eram as entrelinhas. fim da Rádio Universidade Tejo; rádio na Rede A, em Almada, respectivas playlists; as ligações com o jornal LP, a influência da sua directora Manuela Paraíso, o esporádico clube Xik, ex-Jukebox; os Click Click ao vivo; impacto de La Fura Dels Baus; estudo sobre Severed Heads; gráficos, bilhetes, pedaços de capas e folhas de imprensa, muita matéria bruta que se sistematizava como se sabia, para passar a mensagem. um pedaço de história divulgadora semi-subterrânea (ao fim e ao cabo teve espaço em jornais de distribuição nacional como o Blitz e o LP), pessoal, parcial, comprometida sobretudo com a voracidade em conseguir discos e cassetes. toda a série 1 entregue ao arquivo de José António Moura. publicação impressa em risografia no estúdio DESISTO, formato A5, escala de cinza, papel de textura rude, lombada segura.
Livro disponível na nossa loja no Mercado de Arroios e em www.flur.pt
#novidades #rhythmandsound #vinyl lançamento gémeo de w/ the Artists, o disco das Versões vai ao encontro da tradição dos maxis de dub/reggae jamaicanos, onde nos lados B surgia uma “versão” do lado A, por norma com mais foco no instrumental e de vocais mais despidos. Mark Ernestus e Moritz Von Oswald decidiram seguir de perto o modus operandi dos jamaicanos e criaram versões dos temas vocais de “w/ the Artists”. música mais despida, ainda mais minimalista nos seus elementos, onde as vozes não se afiguram como um “lead” nos temas mas antes como um outro instrumento, um elemento a processar e a expandir com as câmaras de eco, reverbs e delays. temas vagarosos, calorosos, que, mesmo sem os vocais carregados de alma que se encontravam em W/the Artists, enchem as medidas com instrumentais poderosos, de subgraves gordos, percussão precisa, incisiva, processamentos no ponto, um mundo novo de música electrónica desbravado à nossa frente. nada soa a mais ou a menos, tudo se encontra no seu respectivo sítio, música que podia loopar até à infinitude sem nunca aborrecer. atmosferas vagarosas, quentes, qual música ideal para o Verão ou para dias lânguidos. música virtualmente perfeita? está perto disso. mesmo.
LP disponível na nossa loja no Mercado de Arroios e em www.flur.pt
#novidades #hisnameisalive #vinyl #cd em termos oficiais, “Livonia” é onde tudo começou. o primeiro álbum de His Name Is Alive foi gravado em casa por Warren Defever entre 1985 e 1989, sofrendo várias alterações ao longo dos anos, devido ao esforço de Defever em satisfazer a vontade (e gostos) dos cabeças da 4AD. tanto insistiu que lá conseguiu. este período é um lugar especial para os His Name Is Alive / Warren Defever, como se constatou há poucos anos com a compilação “A Silver Thread - Home Recordings 1979-1990” (Disciples). experiências que hoje se ouvem como um embrião para o indie norte-americano dos 1990s e que agora são um bom contributo para voltar aos primeiros álbuns dos His Name Is Alive. “Livonia” é um bicho, o seu esqueleto é slowcore, mas naquela obsessão de identidade, John Fryer e Ivo Watts-Russell quiseram transformar o álbum de estreia dos His Name Is Alive em algo completamente 4AD 1980s. não havia fuga. por isso, mais aqui do que ali, soa tremendamente a Cocteau Twins, é fluído como This Mortal Coil, mas nunca é etéreo. na sua base, a música não é obsessiva em ser algo, é de um experimental lúdico, que permitia a voz de Karin Oliver espelhar as diferentes estranhezas que existiam na estrutura de “Livonia”.
LP e CD disponíveis na nossa loja no Mercado de Arroios e em www.flur.pt
#novidades #spidertaylor #vinyl #cd mais um leque de bandas-sonoras para filmes pornográficos gay recuperado pela Dark Entries - todo um mundo que parece infinito e com qualidade musical, até agora, irrepreensível. Spider Taylor terá sido um dos criadores musicais mais originais para este tipo de filmes nos 80s. desde a bonita e ascendente “Stairs”, ao tema “Rain Forest” que soa exactamente ao seu título, com rizomas de pássaros, percussão exótica, sopros sintéticos alucinantes, um longo exercício de música paradisíaca e relaxante, própria para actividades na horizontal - pelo seu fim, um pulsar rítmico, bassy, convida ao futuro. ou “Cobra”, que recorre a toda uma parafernália percussiva para ilustrar o cenário de encantamento de cobras, com sopros psicadélicos, síntetese futurista em arpeggio e em mutação constante e com chamamentos vocais a puxarem para o além. ou “Slow Bug”, cujo início se assemelha à antecipação de uma faixa de um qualquer disco de Hype Williams, com vozes reverberadas, loop de drum machine, linha de baixo gravíssima e abstracções em guitarra, sintetizador e outros instrumentos. “Tech” é proto-jack, com percussão Roland 707 a ressaltar por entre os túneis de luz abertos pela síntese em exibição, com linha de baixo catchy e espectro de cores carregado. disco variadíssimo e mais uma prova por parte da Dark Entries de que há ainda muitos tesouros por revelar dentro do mundo das bandas sonoras de filmes eróticos gay. música verdadeiramente incrível.
LP e CD disponíveis na nossa loja no Mercado de Arroios e em www.flur.pt
#novidades #vinyl #clairerousay “Sentiment” é uma fantasia pop como poucas. centrado, sobretudo, na voz e guitarra de Claire Rousay, estas canções enfatizam uma ideia de bedroom music que é cada vez menos comum. ao ponto de que em alguns concertos da digressão deste álbum, Claire Rousay actuava num palco montado como se fosse um quarto, o seu quarto. contudo, não é música fechada em si mesma. extremamente pessoal, sim; extremamente vulnerável, também; mas que comunica com o outro. de forma unilateral, espera que seja ouvida, e não quer ouvir uma resposta. essa é a candura desta mensagem de Claire Rousay, “Sentiment” é um álbum, um conjunto de canções, para se sair de um sítio. é uma espécie de “Persona” versão audível e pop em modo 2020s. no meio de melodias que escorregam bem, ouve-se contemporânea e concreta, sons que consideramos invasivos e que aqui são reconfortantes, como se fossem a prova de que existe lá fora: do quarto, de “Sentiment”. é um grande manifesto moderno, um dos maiores da pop contemporânea feita às margens, nas margens, pelas margens.
LP disponível na nossa loja no Mercado de Arroios e em www.flur.pt
#novidades #rhythmandsound #vinyl do contínuo Basic Channel / Chain Reaction saiu também o projecto Rhythm and Sound, que a este ponto dispensa apresentações. se em Basic Channel se formou um tipo de Techno com as regras e os engenhos do dub, em Rhyhtm and Sound a dupla de Mark Ernestus e Moritz Von Oswald meteram o Techno de lado e dissecaram a essência do Dub, despida e com a sua matéria revelada nestes temas que formam o álbum “w/ the Artists”. de produção exemplar, de alta fidelidade, replicando de forma exímia a lógica dos engenhos de estúdio do dub, cada tema é uma lição de contenção e minimalismo nos elementos, usando os efeitos e respectivos processamentos como potenciadores sónicos. fora os instrumentais irrepreensíveis, há aqui colaborações com cantores caribenhos como Tikiman (Paul St. Hilaire), Chosen Brothers (com uma versão dubbed out da hínica March Down Babylon”), Jah Batta ou Love Joy (estes últimos três nomes com presença assídua na icónica Wackie’s). Rhythm and Sound fecham então o círculo do contínuo germano-caribenho, num disco que não só tem poderes curandeiros como é capaz de mudar perspectivas menos sóbrias e opiniões mal fundadas sobre a música Dub/Reggae. acham que soa tudo ao mesmo? sem paciência para música das caraíbas? dêem uma hipótese a esta obra prima que não só homenageia de forma honesta todo o contínuo de música caribenha como rivaliza com os melhores álbuns de dub/reggae a saírem da Jamaica. absolutamente essencial em qualquer colecção melómana.
LP disponível na nossa loja no Mercado de Arroios e em www.flur.pt
#novidades #djramonsucesso #vinyl logo nos primeiros segundos de “Rompendo o Espaço-Tempo”, percebemos a habilidade e as intenções de Ramon Sucesso. continuação do que foi deixado no primeiro “Sexta dos Crias”, a técnica de Ramon continua em altas: a destreza no ligar/desligar dos efeitos do seu controlador (desde flangers, reverbs certeiros, backspins, etc.) a velocidade na transição entre faixas, os samples lançados inesperadamente, as repetições dos cue points com o tocar do botão de cue/play, os drops nos sítios certos e com total eficiência para pista de dança. parece que este fenómeno do TikTok conseguiu mesmo explodir e sair do Rio de Janeiro para todo o mundo. a música continua futurista, idiossincrática, de sonoplastia diferente, relativa sempre a um actualizado, recontextualizado e reconfigurado funk carioca, o tal beat bolha distorcido, de subgraves rompantes e percussão explosiva, de letras vulgares mas cómicas, de velocidade célere e com todo o tipo de cruzamentos entre faixas, sem sabermos muitas vezes se estão uma, duas ou três reproduzidas em simultâneo. perdemos a conta da quantidade de músicas tocadas em ambos os lados deste disco - muito sumo, portanto, para extrair desta obra de Ramon Sucesso, com batidas diferentes de todos os fenómenos de música de dança aos quais nos temos vindo a habituar, revelando intenções de imortalizar a música num futuro distante, incerto, tal é o poder vanguardista do que aqui se ouve. um DJ que é mais do que um mero tocador de discos ou reprodutor de faixas. um criador.
LP disponível na nossa loja no Mercado de Arroios e em www.flur.pt
novas @thewiremagazine feat. @sunnofficial com capa de @flyzruz
em stock na nossa loja no Mercado de Arroios e em www.flur.pt
#novidades #magazine #thewiremagazine