Sobre a onda, o flow e a marola
por Clodoaldo Arruda
Ondas. São certos movimentos pra frente em variações de subida e descida, as ondulações. É como a onda do mar. Conhecida, cantada, estudada. Na arte e na ciência, lá está ela. Pra quem gosta de rap, rimas, scratches, viradas, grave no estômago, cabeça batendo (você pensou em “Bang Your Head” ou “Pule Ou Empurre”, fala a verdade, é onda), enfim, pra quem gosta do peso, a onda mesmo é a onda sonora. Fenômeno da área da física chamada Acústica (lógico), a onda sonora é o que fez as viradas dos DJs Roger e Will (substituindo KL-Jay) chegarem aos ouvidos de quem esteve na edição-dezembro do Clube do Rap. As viradas iam das caixas (acústicas) e em ondulações chegavam ao público que dançou, provocado por outra onda, a onda de choque, que libera energia e se propaga atingindo o que estiver ao redor. Momento reflexão: nem toda onda é boa. Dias antes dessa noite, uma onda de agressões à mulheres e feminicídios assolou o país com casos diários. E como uma onda, o que começou em rincões longínquos, foi chegando e chegou próximo de nós. Muito, muito próximo de nós! O Clube reafirma seu compromisso no combate a todas as formas de violência contra a mulher! Sem pano! Voltando: outra onda que devastou a Tamarineira do Rap foi a das palavras bem distribuídas no ritmo, da dicção perfeita, da melodia que desliza na batida, a essa onda as novas gerações chamam de flow. O flow do microfone aberto aos novos talentos do rap que têm seu espaço no Clube e o do MC que tem o nome da onda: Flow. Com F maiúsculo porque é seu nome e porque o nome define o mano: do trap ao boom bap, passando pelos samples de samba-rock e de ragga, Flow MC deitou em show ao vivo, mostrando porque é um dos nomes mais relevantes da geração dos anos 2000 e ainda levou dois convidados de primeira, a mana que canta e rima, e faz as duas muito bem, Vuki Soul e o rapper de rimas malandreadas Bitrinho. E a marola? É a onda fraca, ondinha. Essa rolou nos comentários de um aí que se diz do rap, mas não entendeu o rap, foi transfóbico com a Monna Brutal na minha crônica do mês passado. Marolinha boba e o trouxa só tomou caldo. Até o próximo Clube!
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@felipebenici0