• ENQUANTAMENTO •
O maior pl(ano) da vida se realiza
nos intervalos.
Não entre a dor nos pés e o repouso
que assinalo.
É aquele que nem se fez, nem se sabe,
enquanto.
É aquele que minha bebê faz parar no que adianto.
Enquanto olho aquelas mãozinhas
grudadinhas, avisando o sono.
Enquanto suas bochechinhas
colam em mim e no meu abandono.
Volto a quem sou, enquanto quanto.
Enquanto passou, ficou, recanto, canto.
O maior plano da vida não é nem viver,
é capturar desse momento sua sensação.
Os arredores, os entres das coisas,
não o que se vê. Aquilo que se sabe pelo alçapão.
É quando ela pega com o dedinho, é quando, de repente, acordou com cílios grandes.
É quando ela joga o corpo ali sozinho, tentando se sentar como quem se expande.
É quando os de repentes duram por toda vida
depois de subestimados.
É quando parece clichê, até que antes dos quatro meses ela se vire, ali, de lado.
E aqueles medos de coisa de gente grande vão se tornando pequeni(ninhos).
Medo é perder as coisas que acontecem na sua sala se parar pelo vizinho.
O maior plano da vida se concretiza
entre, enquanto, sem nem ter sido chamado.
É quando seu bebê balbucia, você chega
e ele sorri como se soubesse ter conquistado.
É quando você faz o roteiro, mas entre as ruas vê a mais linda cafeteria.
E lá você pode o bolo, mas prova o que nem sabia.
Contemplar a ruga da sua mãe enquanto conversam sobre a infância.
Lembrete de que ela foi criança, insight sobre constância.
Não é nem coisa de pausar, nem de fazer.
É olhar o entre, enquanto, enquanto, enquanto ser.
Por ser no intervalo da programação que se bebe água
e olha
na cara do ponteiro.
O maior sucesso não é a flor;
é chegar no inverno sendo
jardineiro.
/// 04 meses de você, nós, laço.
@vanessabrunt