O novo álbum de bonança pode ter por nome "só", mas foi para um sótão lotado que se fez ouvir.
Numa noite reservada à voz e guitarra, foi a Tiago Jesus, com a sua inconfundível lírica, que coube dar o mote: procurar fazer sentido das tribulações da vida não delas fugindo, mas exorcisando-as.
Em seguida, subiu a palco bonança. As novas canções fizeram-se ouvir numa sala que celebrou os altos e baixos dessa viagem, em conjunto.
Houve direito a lágrimas, é certo, mas também alegria, como manda a vida. No entanto, acima de tudo, terminou-se o serão com a certeza de que podemos superar qualquer tempestade - e depois fazer música bonita.
Chegou ao fim o primeiro Jameson Common Ground. Com Leonor Arnaut e o “Grande Almoço Português” de Duarte Pinto Coelho a abrir o apetite, no sábado.
Depois um double bill de sonho: Sereias e Gilla Band. Os primeiros a deixar todes de boca aberta com as canções do novo álbum; os segundos a dar um dos melhores concertos de rock deste ano.
Pelo meio, ouviu-se Maria Reis, artista incomparável, num raro concerto a solo, a apresentar temas inéditos e, como sempre, maravilhosos — venha o disco. Mas também velhos favoritos, incluindo um dos hinos de “Alfarroba”, das Pega Monstro: “És Tudo O Que Eu Queria”.
Paralelamente à erupção noise-rock dos Gilla Band, Elijah Minnelli levou o seu dub globalizado ao Sótão. Também por volta da mesma altura, no Anexo da Casa, cantou Femme Falafel. E, de volta ao Sótão, a espanhola Amore.
A fechar a noite, no Rés do Chão, M¥SS KETA, rapper e iconoclasta italiana, a caminhar por entre o público e a dominar o palco, em mais um dos concertos da noite. Foi bonita a festa.
O primeiro Jameson Common Ground começou em grande, ontem à tarde.
Com Co$tanza e a sua Post Modem Orchestra a conduzir a multidão que encheu o Terraço da Casa Capitão numa evocativa viagem pela “Linha Verde” do Metro de Lisboa. Que show. Antes e depois do concerto, ouviu-se ao vivo o “Saturno” de Pedro Paulos.
Seguiram-se as coplas da cantora espanhola La Tania; o dub interdimensional dos Devon Rexi; e a indie-pop onírica e sedutora do casal do momento, os Kiss Facility. A tirar notas, na plateia, alguns dos principais inovadores da música portuguesa atual — Ana Moura, Herlander, Pedro Mafama…
A fechar a noite, com chave de ouro, o rapper do momento em Espanha, Teo Lucadamo (a atuar perante muito menos pessoas do que aquele espetáculo merecia). Quem foi para casa depois do concerto dos Kiss Facility nem imagina o que perdeu.
Hoje há mais.
O mestre @costa.nza__ e a sua Post Modem Orchestra voltaram a guiar-nos numa odisseia pela “Linha Verde” do Metro de Lisboa, qual Homero da tuga contemporânea. E todo o mundo parou para o ouvir, no Terraço da Casa, a abrir o @jamesoncommonground . Um concerto conceptualmente perfeito, em que nem faltou o atraso de oito minutos. Como na Linha Verde.
É sempre um privilégio e um gosto ouvir B Fachada cantar Zeca, Zeca e mais Zeca!
Aconteceu mais uma vez ontem, dia 24, na Casa. Aliás, mais duas vezes, com o Rés do Chão cheio em ambas as sessões. E com algumas das melhores canções que já se escreveram neste país a serem cantadas por um dos seus melhores escritores e intérpretes. Algumas, irreconhecíveis, terminalmente afachadadas, sempre icónicas; outras, fiéis à intenção original, mesmo quando assombradas por novos fantasmas. O passado feito presente, a projetar amanhãs que cantam.
Entre outros hinos, num par de concertos com alinhamentos diferentes, mas a mesma espinha dorsal, ouviram-se “Os Fantoches de Kissinger” e “O País Vai de Carrinho”, “Teresa Torga” e “Os Índios da Meia-Praia”, “Gastão era Perfeito” e “Nefertite Não Tinha Papeira”, “Maio, Maduro Maio” e “Adeus Ó Serra da Lapa”, “Os Vampiros” e o “Hino de Caxias” — que não era de José Afonso, todavia era o que o mestre teria querido ouvir naquele encore, segundo Fachada.
Podíamos passar uma vida inteira a escutar isto. Tomara que passemos.
A Super de Abril foi especial. Com DJ Koco aka Shimokita num Rés do Chão a rebentar pelas costuras, a meter todo o mundo a dançar como se fossem quatro da manhã quando ainda nem dez da noite eram. E a abrir, logo às 20.30 de quinta-feira, DJ Spot, um dos melhores gira-disquistas nacionais. Quem não esteve lá, não imagina o que perdeu.
Sábado foi dia de “Enterro”, mas foram mais os sorrisos do que as lágrimas, na Casa Capitão. Os PAUS sempre fizeram tudo à deles, não ia ser passados 18 anos que iam mudar.
Na hora da despedida, tocaram o último disco de uma ponta à outra, mas revisitaram também diferentes momentos e fases da sua carreira. Foi um final feliz. Um de muitos que vão escrever este ano.
Ainda estamos a pensar no sábado passado. Toda a gente cá em Casa a celebrar o Dia Internacional contra a Discriminação Racial. Diversos artistas e comunidades reunidos à Mesa e no Mercado Afrolink, em torno de músicas, filmes, exposições, performances, oficinas e conversas; a gritar: “Deixa passar o meu povo”.
E a fechar a noite, JUP do Bairro, artista brasileira fundamental e combativa, descobrindo e arquitetando novos espaços de ação política e social em cima do palco do Rés do Chão, num exercício de desconstrução sonora, emocional e política. Foi bonita a festa. Venha a próxima.
A Casa Capitão assinalou o Dia Internacional contra a Discriminação Racial, no sábado, com o programa Deixa Passar O Meu Povo. Com arte, risos, conversas e descoberta em cada canto da Casa. E, claro, com muita música.