Manifestação popular centenária, a Lavagem do Bonfim transforma a cidade de Salvador em um grande cortejo. Hoje, milhares de pessoas se reúnem pra expressar sua fé em um percurso de 8 km entre a Basílica Conceição da Praia e a Colina Sagrada.
Símbolo religioso da Bahia, os devotos do Senhor do Bonfim caminham em trajes brancos ao lado das espiritualidades de matriz africana. As ruas se convertem em altar: os fiéis entoam cantos, fazem rezas e afirmam seus ideais, dando continuidade a esse ritual sagrado.
Nos dois anos em que registrou a tradição secular, 2023 e 2025, o fotógrafo soteropolitano Davi Reis diz ter se reencontrado com uma de suas construções artísticas mais importantes. “Voltei a fotografar Salvador depois de anos trabalhando fora, com uma perspectiva amadurecida, íntima, cheia de signos e fragmentos atemporais que se revelam através da espiritualidade”, conta.
Pro fotógrafo, as imagens são como resíduos de herança. “Esses registros importam porque falam de resistência em uma cidade múltipla, que está sempre se refazendo. Carregam memória, fé e continuidade, sem deixarem de ser profundamente contemporâneos”, afirma. “É um lembrete pra mim mesmo de que algumas imagens não nascem apenas do avanço, mas da pausa necessária pra reconhecer onde se está e o que é importante.”
Sobre o autor
Davi Reis (
@filecfritas ) é artista visual, fotógrafo, diretor e diretor de fotografia. Ele investiga a fotografia e os estudos da imagem como campo de preservação de signos e identidades locais. Natural de Salvador, sua pesquisa enraiza imagens como veículos de uma memória atemporal, em camadas que se entrecruzam no corpo e em uma cidade múltipla, ancestral e simbólica.