A cara de pau é uma habilidade que a pessoa já nasce com ou - como no meu caso - que requer muito treino. Pois foi a cara de pau que me fez pegar essa canção do Caetano já definitivamente interpretada pela Angela Ro Ro e decidir cantar no meu show. Mas como não sou totalmente maluco (só um pouco) e pra trazer dignidade à versão chamei pra participar minha amiga/ídola @ludom.oficial , que gentilmente topou fazer parte e abrilhantar a noite ❤️
| parte 1 |
#músicabrasileira
#electricguitar
#mpb
#fendertelecaster #coodercaster
Essa é a capa do meu disco. Meu primeiro, que vai ao ar integralmente hoje à meia noite. Canções que fui escrevendo sem pretensão de juntar num álbum mas que em dado momento percebi que talvez fizessem sentido irem juntas ao mundo.
São canções que eu gosto.
Não necessariamente gostei das situações que me inspiraram a escrevê-las (quem ouvir vai perceber isso), mas hoje olho com carinho pra essas historias que me trouxeram até aqui. Ao longo do processo decidi mais de uma vez abandonar tudo, começar do zero, gravar outras músicas. Depois percebi que besteira seria largar incompleto esse trabalho. Enfim, passei por todas as etapas que quem se aventura a criar conhece bem.
São músicas simples, apesar da seriedade das letras. Tive que atravessar todo um caminho dentro da música, estudar harmonia a fundo, experimentar compor em tempos compostos estranhos, flertar com música concreta, jazz e eletrônico conceitual pra finalmente me permitir escrever canções de inclinação pop. E é maravilhoso como a música permite a coexistência de todas essas formas de expressão dentro de uma mesma pessoa.
Acima de tudo, esse álbum é isso: canções que eu gosto. Todas tratam de expêriencias absolutamente pessoais, e expor-se tão intimamente gera por muito tempo imensa, imensurável apreensão, mas trazê-las ao mundo transforma essa aflição em grande satisfação.
Ainda por cima decidi lançar com meu nome, meu rosto na capa - um desafio especialmente radical pra alguém cronicamente avesso a falar de si.
Músicas que ressoaram em mim e que espero que ressoem em mais alguém também.
ps:
Ao longo dos dias vou publicando aqui o encarte com as letras, créditos e historinhas de composição e processo de gravação <3
uma música de @gilbertogil dispensa qualquer apresentação ❤️
Gravado ao vivo no @clubemanouche em 19.11.25 | Rio de Janeiro
#músicabrasileira #mpb #brazilianmusic #livemusic #electricguitar
Agora que o fim do mundo foi adiado por duas semanas, posso seguir falando do meu trabalho por aqui - coincidentemente também sobre outra forma de fim, que às vezes se assemelha a um fim do (nosso) mundo.
Já escrevi tanto aqui sobre fins de relações que sinto já ter começado a me repetir. Mas se o tema se esgotasse rapidamente assim não teria merecido tantas e tantas obras ao longo da história - e, no meu caso, um disco inteiro :)�
Cada história tem seus enredos próprios e, consequentemente, seus finais e suas próprias cores e dores. e quando você acha que não tem mais como adicionar drama e sofrência ao repertório, vem a vida e ensina que sempre cabe mais um.
No caso dessa música o tema se apresentou tão literalmente quando comecei a trabalhar na letra que nao consegui chamar de outra coisa a não ser… ‘fim’ :)
video completo no youtube | link no perfil
#músicabrasileira #brazilianmusic #mpb #aovivo #indie
A primeira vez que ouvi Jards foi no rádio - as rádios da Brasiíia da minha infância eram excelentes (se algum candango estiver lendo me avisa se isso ainda procede). Rádios com uma curadoria riquíssima de música brasileira e que eu ouvia no carro com meus avós ou meus pais - e em Brasília se passa BASTANTE tempo dentro do carro.
E foi ali, como eu vinha dizendo, que ouvi Jards pela primeira vez, cantando um samba maravilhoso mas altamente cancelável hoje em dia - Orora Analfabeta. E fiquei absolutamente fascinado por aquela voz bêbaba e aquele jeito torto de tocar violão, que por alguma razão misteriosa juntos se encaixavam perfeitamente. Eu, que dava meus primeiros passos no violão, entendia que aquilo era samba, mas era diferente do que eu tinha ouvido até então. Era livre, anárquico. E eu amei.
Assim, depois de ouvir o locutor da rádio dizer o nome do artista, tratei de ir atrás de descobrir quem era aquele cara. Só que no começo dos anos 2000 uma investigação dessas era bastante mais difícil - apesar de certamente mais romântica. Dias e dias vasculhando os saudosos blogs de música baixando tudo que eu podia encontrar do Jards. E sem me dar conta a influência da sua obra tomou na minha vida lugar igual ao de Beatles e Pink Floyd, esses muito mais atraentes pra um adolescente obcecado por guitarras e barulhos.
Nada mais natural então - apesar de desafiador - que Jards estivesse presente nesse show, nessa parceria genial com Wally Salomão.
vídeo completo no youtube, link no perfil.
#músicabrasileira #mpb #jardsmacalé #brazilianmusic #livemusic
noite especial cantando junto da minha irmã do hemisfério norte @soamusic_ nesse evento concebido com amor por @olivianachle , que tambem é a autora dessas fotos lindas ❤️
viva o @a__casulo ✨
A maior parte das músicas desse show (e que estão também no disco) foi escrita como desabafo pessoal, pequenos exercícios de reflexão em tempos tumultuados de uma vida. Essa não é diferente; veio de uma tacada só numa manhã silenciosa em São Paulo (coisa rara, eu sei - São Paulo e silêncio não costumam pertencer à mesma frase), como uma declaração de amor pra uma relação que já se segurava por um fio. Uma declaração sincera, apesar da iminência do fim, uma homenagem a um tempo que valeu a pena. Mas, no fim das contas, um canto de cisne travestido de choro canção apaixonado.
música completa no youtube | link na bio
#músicabrasileira #mpb #brazilianmusic #sambacanção #aovivo
A cara de pau é uma habilidade que a pessoa já nasce com ou - como no meu caso - que requer muito treino. Pois foi a cara de pau que me fez pegar essa canção do Caetano já definitivamente interpretada pela Angela Ro Ro e decidir cantar no meu show. Mas como não sou totalmente maluco (só um pouco) e pra trazer dignidade à versão chamei pra participar minha amiga/ídola @ludom.oficial , que gentilmente topou fazer parte e abrilhantar a noite ❤️
| parte 2 |
Video completo no youtube. Link na bio
#músicabrasileira #brazilianmusic #electricguitar #mpb #angelaroro
Um dia, como eternizou o Paulo Mendes Campos, o amor acaba. Mas a gente sabe precisar o momento em que ele de fato termina? Numa discussão sem sentido num sábado a tarde, na frieza de um olhar que antes só reservava carinho e admiração. Ou será que o amor se esvai silenciosamente, como uma música em fade out, no tédio da rotina? Não sei se alguém vai ter a resposta exata pra isso - e ainda bem, senão de que adiantaria divagar a respeito? Todas as músicas e toda a literatura seriam em vão.
E, no fim, o que resta é cada um pra um lado e o silêncio. A mágoa e todo os momentos em que ‘a mente tenta nos levar pra casa do sofrer’ pensando no que poderia ter sido feito de diferente, lutando inutilmente contra o passado.
No meu caso, como acontece com frequência, desagou em música. Desagou em discos inteiros. Essa foi a primeira canção de um longo processo de luto de uma relação que, como se um fim já não fosse suficientemente doloroso, coincidiu com o início de uma pandemia. Um fim junto do começo do medo de outro fim. Ao mesmo tempo em que lidava com uma situação absolutamente pessoal testemunhava e fazia parte de um desafio coletivo sem precedentes.
vídeo completo no youtube ⚡️