Conheci Augusto dos Anjos ainda na escola ao ler "Psicologia de um vencido". Desde lá, o poeta paraibano frequenta minhas leituras constantemente. O que mais me chama a atenção em cada leitura é a aparente contradição entre uma linguagem cientificista e uma sonoridade marcante, que faz com que muitas pessoas saibam de cor seus poemas, além de um profundo pessimismo em relação à vida e à humanidade.
Hoje tivemos a oportunidade de conhecer o local onde Augusto dos Anjos nasceu e viveu até a juventude, que se localiza em Sapé, município paraibano. O
@memorialaugustodosanj0s mostra aos visitantes um percurso mais que especial pela obra, mas principalmente pela vida, do poeta. O seu diretor
@joseaderaldoeliaselias apresenta cada pedaço do percurso com profundidade e amor.
Um dos momentos mais especiais da visita é conhecer o famoso pé de tamarindo para qual Augusto dos Anjos dedicou alguns de seus poemas.
Debaixo do tamarindo
No tempo de meu Pai, sob estes galhos,
Como uma vela fúnebre de cera,
Chorei biliões de vezes com a canseira
De inexorabilíssimos trabalhos!
Hoje, esta árvore, de amplos agasalhos,
Guarda, como uma caixa derradeira,
O passado da Flora Brasileira
E a paleontologia dos Carvalhos!
Quando pararem todos os relógios
De minha vida, e a voz dos necrológios
Gritar nos noticiários que eu morri,
Voltando à pátria da homogeneidade,
Abraçada com a própria Eternidade
A minha sombra há de ficar aqui!