Na manhã de 30 de maio de 2004, o mar de Jurerê Internacional, em Florianópolis, era apenas o começo do que se tornaria a mais épica disputa da história do Ironman Brasil. Entre os mais de mil atletas, duas mulheres escreveriam, passo a passo, braçada a braçada, pedalada a pedalada, um capítulo memorável no triatlo sul-americano: a brasileira Fernanda Keller e a italiana Edith Niederfriniger.
Desde os primeiros metros da natação, as duas deixaram claro que a disputa seria acirrada. Saíram da água com segundos de diferença e, no ciclismo, travaram uma verdadeira dança sobre rodas — uma não deixava a outra escapar. O público, atento e eletrizado, assistia a uma corrida que parecia coreografada: cada avanço da italiana era respondido por Fernanda com determinação feroz.
Mas foi na maratona que a verdadeira batalha começou. Ombro a ombro até o km 25, até que a brasileira sentiu uma fisgada — uma dor traiçoeira que a fez desacelerar. Edith, percebendo a chance, acelerou. Abriu quase dois minutos e parecia, naquele momento, que a vitória cruzaria o Atlântico rumo à Itália.
Só que Fernanda Keller nunca foi de aceitar um roteiro comum. Entre o calor, o cansaço e a dor, reacendeu uma força interna que só as grandes campeãs conhecem. Reduziu a diferença passo a passo, até que, no km 35, surgiu no horizonte como um míssil verde e amarelo. Passou Edith com uma velocidade que desafiava a lógica daquele ponto da prova.
Aos gritos da torcida emocionada ,Fernanda cruzou a linha de chegada em primeiro lugar, após 9h26min.
Aquele dia não teve apenas uma vencedora. Teve duas guerreiras e uma batalha digna das lendas do esporte.
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