FOLHA DE SÃO PAULO - “(…) Sob a direção de Felipe Hirsch, Chay Suede entra em cena para sabotar a própria imagem pública em uma operação de alta precisão intelectual e estética. Hirsch obriga o ator a confiar apenas na palavra e no domínio vocal. Suede responde com uma maturidade vocal impressionante, manejando o texto denso de Galindo com uma economia interpretativa que só se rompe no final. Ele não interpreta a si mesmo; ele interpreta o “duplo” que a fama construiu, confrontando o narcisismo e a mercantilização da imagem com uma lucidez cortante. “A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Roobertchay” é um espetáculo que oferece um espelho para o nosso tempo, onde a autenticidade tornou-se uma moeda volátil. Ao afirmar que “tudo é mentira, menos o que parece mentira”, a peça nos convida a desconfiar do relato enquanto nos maravilhamos com a beleza de sua construção. É um teatro de ideias que, ao usar a cultura de massa como matéria-prima, consegue produzir uma crítica sofisticada e profundamente política sobre o que significa ser visto no século 21” FOLHA DE SÃO PAULO
Há 10 anos. Dez anos de A Tragédia e Comédia Latinoamericana. A peça passou por São Paulo, Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Chile, Alemanha e Portugal. Além de uma programação especial na França. Ganhou o Prêmio Shell, Bravo! e Governador do Estado.
E para concluir o trabalho, meu último dia
1. que não começou com esse show incrível da Cécile McLorin Salvant e Sullivan Fortner, mas que mostro já de cara por motivos de…Murder Ballads do Jelly Roll Morton. Essa canção tem um século já, e a Cécile vai escolhendo o que deseja cantar na hora, essa por exemplo o Fortner nunca tinha tocado.
2, 3, 4 e 5. O dia começou mesmo com os drones metal machine do Lou Reed. Eles pegaram os amplificadores e guitarras dele e invocaram o espectro de Lou. Quem quisesse, ou algum convidado, plugava seu equipamento em umas mesas ao lado para tocar com o fantasma.
6 e 7. Hania Rani no seu novo concerto Non-Fiction
8. Fui ver Chris Thile tocando Bach, mas ele decidiu tocar uma música dele entre cada Partita.
9 e 10. Simon Hanes e sua Gargantua
11 e 12. Qur’an Shaheed
13. Shane Parish, esse projeto é interessante, ele toca as canções do Autechre acusticamente e o resultado é muito legal
14. Nels Cline e orquestra, com o pupilo geninho Gregg Belisle-Chi ao lado. O festival merece um capítulo guitarristas: Marc Ribot, Nels Cline, Julian Lage, Fred Frith (que só tocou baixo), Bill Orcutt, etc etc
15, 16, 17 para finalizar, a estreia de Republic of Love de Laurie Anderson. Sem mais.
18. E esse foi o Big Ears
1. O sábado começou com esse encontro com Laurie Anderson
2 e 3. depois teve Cobra, talvez a apresentação mais aguardada na minha programação. Eu nunca ri tanto, nunca pulei tanto na cadeira em um show/performance. Olha o time que o Zorn regeu: Wendy Eisenberg, Brian Marsella, John Medeski, Simon Hanes, Ikue Mori, Sae Hashimoto, Dave Lombardo, Ches Smith, Celine Kang, Jay Campbell, Jorge Roeder, William Winant, Kenny Wollensen
4. Fred Frith (tocando baixo), Simon Hanes e Max Jaffe e Jordan Glenn. Depois desse show encontrei os incríveis Patrícia Brennan e Rafiq Bhatia.
5. Incerto com Julian Lage
6 e 7. L. Shankar
8. O Zorn ficava deitado em um colchão de espuma na coxia durante seus 12 shows
9 e 10. O encontro: John Zorn e Laurie Anderson
11, 12 e 13 Um dos grandes momentos do festival: Barbara Hannigan cantando a obra lírica de Zorn com Jack Quartet, Steve Gosling, Sae Hashimoto, Ikue Mori, Jorge Roeder, Ches Smith. Um deleite.
14. Tennessee Theater na Gay St.
15. Fim de noite com a formação do Masada. Estou fechando um Ouroboros no Big Ears. Foi o Zorn em 88 no Free Jazz que girou minha cabeça e escrevi sobre isso em O Globo nas minhas colunas. Foi o John Lurie também um ano antes e tive a oportunidade de falar isso para o Marc Ribot agora (que continua tocando de costas para a plateia). Mas é também um Réquiem æternam ver Laurie, Zorn, Byrne, Palestine, Ribot, Frith, Roscoe Mitchell, ouvir Eastman, Moondog. Falamos sobre isso no telefone, eu e Dani, enquanto ela estava assistindo ao último show do Gil. Mas, voltando ao Masada, eles entraram para fazer acontecer de novo o seu tempo. E conseguiram. Comoção.
Amanhã posto o último dia
Atrasado mas bem intencionado, comento os outros três dias de trabalho e hedonismo no Big Ears. O segundo dia:
1 e 2. O segundo dia começou com a música de Moondog no belíssimo teatro Tennessee com a Ghost Train Orchestra e participações de David Byrne (que chegou de bicicleta), Joan as a Policewoman, Karen Mantler Bley
3. Depois uma conversa com Roscoe Mitchell e as curiosidades de seu período em Paris com a BYG e a Actuel Series
4. Petra Haden cantando as canções de amor de John Zorn
5. Sim, Laurie Anderson e sua apresentação especial what war is it? what time is it? Lindo de morrer
6. John Zorn tocando no escuro sobre os filmes de Harry Smith
7. a extraordinária Caroline Shaw
8. O quarteto novo de Fred Frith (que resolveu só tocar baixo) com Jordan Glenn, Kasey Knudsen, Marié Abé
9 e 10. Lucretia Dalt
11. Apresentação surpresa de Thurston Moore e Steve Shelley
12. Poor Hymnal do David Lang
13. Impromptus, baladas e noturnos de John Zorn com os inacreditáveis Brian Marsella, Jorge Roeder, Ches Smith (que tocaram em uns 15 shows no festival)
14 e 15. a histórica apresentação de Charlemagne Palestine na St. John’s
16. Dirty Three 🥱
17. John Zorn encerrando a noite com Awakening Ground
Eu queria escrever tantas coisas sobre cada um desses shows e encontros, mas não dá tempo. O dia começou já com John Zorn. Fiquem, por enquanto, com esse carrossel.
1. David Byrne (chorei umas 6x no show que consegue ser tão incrível quanto o primeiro)
2. Kaoru Watanabe, Kweko Sumbry e Fay Victor falando sobre o projeto Bloodlines
3. Uma conversa bonita com Fay Victor (ela me lembra a @jucaramarcal )
4. Essential Tremors com Maria Chavez (aqui eu tenho uma coluna inteira sobre o que ouvi e pensei)
5. Wild Up tocando Julius Eastman
6. Eu acho que o Julius Eastman ouviu Milton Nascimento.
7. Mais Wild Up
8. O autêntico Terry Allen
9. Bloodlines Interwoven
10. Fay no Bloodlines
11, 12, 13 Mais Byrne
14. House of Motion!
15. Sim, eu fiquei perto assim
16. Fckice (leia na minha camisa)
17. Once in a Lifetime
18. Burning Down the House
19. Marc Ribot e Mary Halvorson e banda inacreditável
20. Medeski, Martin, Nels Cline
Amanhã tem muito mais
Alguns de vocês sabem que o que gosto mesmo é de escrever sobre música e sou e fui curador de festivais como C6 fest, Heineken No Line Up, Dogma, colaborador do Tim e outros que virão em breve etc. Meus próximos 4 dias serão aqui no Tennessee, trabalhando entre músicos que admiro, vendo shows, em reuniões, mesas, assistindo e ouvindo o máximo que conseguir desse extraordinário festival. Mando notícias por aqui. Hoje conversei por mais de uma hora com o grande William Hooker, fabuloso improvisador que acaba de lançar dois novos discos, entre eles uma gravação clássica no NYC Jazz Museum feita em 1977. Muito jovem ele tocou com os Isley Brothers e Dionne Warwick, depois em sua fase free jazz nos anos 70 na cozinha do inferno da sua Nova York, com David S. Ware, William Parker, David Murray, e no final do século passado com o pessoal do Sonic Youth, Zeena Parkins e até em dupla com o incrível artista Christian Marclay. Enfim, muitas histórias, e ele está louco pra conhecer o Brasil, é formado em ciências políticas, sociologia, história, e sabe muito sobre a história de Lula. Amanhã, se tudo der certo
Thursday
11:30am - 12:25pm || FILM: Zorn I
1:00pm - 1:45 pm || CONVERSATIONS Tell me your Story, I’ll tell you mine (Bloodlines Interwoven)
2:00pm - 3:00pm || Essential Tremors: Maria Chavez
3:00pm-5:00pm || Record and Labels Fair
6:00pm - 7:15pm || Wild Up Julius Eastman’s Feminine
7:30pm - 8:30pm || Kaoru Watanabe’s Bloodlines Interwoven Concert I (feat. Cyro Baptista, Fay Victor, Shahzad Ismaily, Sunny Jain etc) OR Terry Allen (partial)
9:00pm - 10:45pm || David Byrne
11:00pm - 00:15am || Marc Ribot (feat. Mary Halvorson) Shrek
00:30am - 1:00am || Medeski, Martin, Metzger & Nels Cline OR SUSS Americana Apocolypse (partial)