Essa semana discordamos. Então concordamos que discordamos. E aí discordamos concordando. Condiz, diz com, como disse, como quem diz, quem disse?
Daí você reenviou aquele texto, que já tinha me enviado, que agora faz todo sentido, outro sentido, outro sentir. Sentir algum, sentido, todo nenhum. Sentido, eu li;
“Assim o rosto é uma entrada para forças, e o rosto que adquiro, para mim, é-me significado, antes de mais, pelo rosto dos outros. Não como uma imagem do espelho (em que nem eu nem a imagem chegam a ser <<outros>>), mas como pólos de indução de forças mais ou menos conscientes que induzem signos. O meu rosto é-me significado indiretamente, através de pequenas percepções refratadas nos rostos dos outros. Sem os outros eu não teria rosto. Mas o rosto que tenho, e que nunca vejo, depende do processo de significância e de subjetivação que o sistema buraco-negro/muro-branco dos rostos dos outros induzem em mim.
Não vejo o meu rosto em mim; e no rosto dos outros vejo a minha relação (de forças, afetiva) que com eles estabeleço; vejo, pois, qualquer coisa como a marca do meu rosto neles, marca que depende do que o rosto deles provoca em mim. Escapo desta sobreposição ameaçadora de caos (caos na minha imagem de mim, incapaz de me desembaraçar da imagem dos outros, caos de identidade), não vendo senão indiretamente o meu próprio rosto: nas pequenas percepções, entre os traços de rosto que atribuo aos outros.”
Como num passe, num passo, que pode ser de dança, ou dessa longa caminhada dançada, você me fez acreditar em minha fé. Obrigado por existir assim, do seu jeito único, há 33 anos.
Viva Gabriela, viva São José. E que as chuvas de hoje se tornem as bençãos das colheita de Junho.
É mistério segredo e muito mais.
Tele-reflexo - Experimento sobre projeção-identificação 01. Apresentado durante a exposição ‘Entre a Seiva e o Mel’ com curadoria de @biacoslovsky , Ateliê do Largo - 2024.
Espelhos colados sobre tela de monitor que exibe vídeo.
Tela 3 - Video por @ludmilakloosterman
Tela 4 - Video por @ninaamarante