A exposição "Mundo do Trabalho: entre a exploração e o sonho", produzida por estudantes do segundo segmento do Núcleo EJA SUL 1, é um percurso visual que atravessa desejos, conquistas e contradições do mundo do trabalho. As imagens não apenas registram cenas, elas denunciam, tensionam e interrogam aquilo que muitas vezes é naturalizado. Os sonhos dos estudantes não são apenas de inserção no mercado de trabalho, mas de transformação, de encontrar caminhos mais justos, onde trabalhar não signifique abrir mão de si. Ao percorrer as imagens, somos confrontados com questões de gênero, autoridade e controle. O cartão vermelho erguido no campo por uma juíza demonstra o quanto é difícil para as mulheres ocupar espaços que historicamente foram atribuídos aos homens, mas também simboliza as regras rígidas que definem quem pode permanecer e quem é excluído, o trabalho, assim como o jogo, também expulsa, pune e seleciona. Em contraste, surge a imagem do ambiente corporativo, onde a carteira de trabalho é recebida com um sorriso, onde o sonho do ambiente de trabalho saudável prospera. Aqui, o emprego aparece como conquista, promessa de estabilidade e reconhecimento. É o imaginário social do “dar certo”, cuidadosamente construído. Mas a narrativa se rompe. A mesma carteira, agora em outro cenário, aparece nas mãos de alguém que cobra o emprego, a jovem exausta e angustiada, parece esmagada pelas pressões e expectativas. O sonho começa a pesar. O trabalho, que deveria dignificar, também adoece. A tensão se intensifica na figura do trabalhador que veste luvas de luta. Ele encara o mundo como um ringue, segurando sua carteira como um símbolo ambíguo: direito conquistado, mas também arma de sobrevivência. A presença feminina nas imagens não é apenas representação, mas denúncia. Corpos de mulheres ocupam espaços de esforço, repetição e invisibilidade, evidenciando como o trabalho, muitas vezes, é também um território de desigualdade de gênero. São mãos que cuidam, limpam, organizam, produzem, frequentemente sem reconhecimento proporcional, sem descanso e sem escolha plena. Por fim, as cenas do trabalho informal revelam a face mais dura dessa realidade.
19 days ago