Tudo começou lá por 2022/23, quando a gente do
@botedeteatro decidiu começar uma nova pesquisa.
A gente queria falar sobre o centro da cidade, sobre uma Recife que pulsa no meio do caos, entre o brega do bar, a pressa da calçada e a vida real que acontece tendo a cidade como plateia.
Era inevitável fazer um teatro recifense de verdade, de rua, de encontro, de risco.
E, mesmo com medo do vazio, a gente foi.
Chamamos a Toda Deseo, de BH, que a gente conheceu enquanto fazíamos uma circulação nacional com o nosso último espetáculo.
E
@dmaurity e
@rafaellucasbacelar chegaram como duas pérolas dispostas a viver Recife de dentro.
Foram mais de cinquenta dias de processo intenso, de encontros diários, sem descanso.
E no meio disso tudo nasceu ILHA:DOIS, um espetáculo que fala sobre o fim:
o fim da cidade, o fim das coisas, o fim que, no fundo, é só um outro começo.
Recife é a 16ª cidade do planeta a desaparecer, segundo a ONU.
A primeira capital do Brasil que deve sumir com o avanço do mar.
E esse espetáculo é sobre isso também, sobre o que fica quando tudo vai.
É sobre vida, memória e tempo. Sobre início, meio e início.
A estreia foi na Praça do Sebo, bem no coração de Santo Antônio
e foi uma das noites mais bonitas da minha vida.
A rua lotou.
Parecia que Recife inteira tava ali, misturada:
os bares tocando brega, o cheiro de mijo, o povo passando, parando, ficando.
E a gente no meio daquilo tudo, com um espetáculo que nasceu daqui e fala do mundo.
E é isso.
Agora, depois de tudo isso, a gente volta pra Praça do Sebo,
dias 18 e 19 de outubro, sábado e domingo, às 19h, EM DUAS SESSÕES EXTRAS, pra viver de novo esse tudo.
Pra falar da vida, do fim e do que fica.
Pra ver Recife olhando pra si mesma.
Cheguem cedo.
Peguem uma mesa na Praça do Sebo, tomem sua cerveja, fiquem de boa.
Em algum momento, o espetáculo vai acontecer.
E a água vai chegar também.