Esse é o melhor dueto que eu já fiz em toda a minha vida, sem dúvida nenhuma. Lembro que ele foi gravado numa época em que Sofia começava a se apaixonar por Moana e, até hoje, ela continua gostando bastante.
Ensaio de hoje foi daqueles… pesado, encaixado e com uns timbres absurdos. As músicas fluíram fácil demais, tudo batendo certinho como se já estivesse pronto há muito tempo. Sensação boa de que estamos começando esse projeto muito bem!
Eu sempre trabalhei muito, mas a paternidade me ensinou a reorganizar meu tempo para ser mais presente. Na maior parte dos dias estou em home office, e reconheço a sorte que é poder viver essa paternidade de perto. Acompanhar minha filha, participar das pequenas rotinas, enxergar cada gesto novo, cada coisa que ela aprende… tudo isso virou uma parte essencial da minha vida.
Mesmo com essa agenda apertada, a música encontra suas brechas. Deixo a guitarra sempre ao alcance, e de vez em quando ela ganha dez minutos de protagonismo no meio do dia. Não é como antes, ainda não é em coletivo, mas continua sendo meu jeito de respirar um pouco dentro dessa correria boa que a vida se tornou.
A Torre
Hoje trabalhamos em músicas, num dia bastante produtivo e empolgante que nos deixou ainda mais motivados. A pré-produção segue correndo bem e, em breve, vamos deixando registrado o resultado desse processo intenso que já começou a ganhar forma ontem. #orangeamps #orangeamplifiers #orangeth30 #orangeor15 #gibsonsg
Voltei a pintar recentemente. Acho que foi a vontade de ver a Sofia com as mãos sujas de tinta que me puxou de volta. Sempre gostei de pintar, sempre tive ideias na cabeça, mas as telas ficavam guardadas, os pincéis quietos, e eu repetindo para mim mesmo: “um dia eu pinto de novo”. Até que resolvi colocar isso na rotina, e na rotina dela também. Tenho convidado a Sofia para começar uma pintura, e depois faço uma intervenção por cima, termino.
Já disse antes que faço um monte de coisas, embora não faça nenhuma delas bem. Sou um pouco pintor, um pouco músico, um pouco escritor, um pouco escultor. E sigo fazendo, mesmo sem fazer direito. Essa volta à pintura, meio sem querer, me lembrou que a graça está nisso: no ato de tentar, de continuar, de se sujar de tinta, junto de quem a gente ama.
Nasci duas vezes.
A primeira foi a que me trouxe até aqui.
A segunda, no dia em que Sofia nasceu.
Dali em diante, os medos e inseguranças do passado deram lugar a outros, mas também abriram espaço para esperança e, principalmente, motivação. Foi quando, pela primeira vez, eu tive medo real de morrer. Passei a calcular mentalmente quanto tempo ainda teria de vida para ficar com ela. E, desde aquele dia, faço de tudo para estar perto, trabalhar menos e dedicar mais tempo a entender essa pessoa pequenininha que, a cada mês que passa, muda completamente.
Para mim, é só um mês. Para ela, é um pedaço enorme de vida. E isso a transforma em uma nova pessoa a cada dia. É fascinante descobrir como ela fala, como se desenvolve, como troca as palavras “erradas” pelas certas, deixando uma saudade dolorida do “bisoto”, do “pipito”, do “pamunete”, do “papai fofinha” e sentir o orgulho por cada nova conquista. São manias, costumes, detalhes que aparecem e desaparecem, mas já deixando claro a personalidade da figurinha.
Eu não sei o que fazia com meu tempo antes dela nascer. Hoje, às vezes falta tempo para tocar guitarra, escrever artigos ou pintar. Mas descobri que posso fazer tudo isso com ela. E, mesmo que não seja exatamente como eu imaginava, acaba se tornando algo que eu quero ainda mais.
Não sei se virei uma nova pessoa. Talvez seja clichê dizer isso. Mas sei que sou melhor. Menos egoísta. Mais atento. Mais responsável. Do tipo que acorda cedo para fazer o café da manhã, simples, mas feito com cuidado, e sentir uma alegria indescritível ao vê-la comer.
Aprendi também que a paternidade se vive de muitas maneiras. Na maioria delas, a gente faz como pode, com o que entende e com o que tem para dar. E eu sou grato por ter muito a oferecer.
A gente já viveu tantas versões da nossa história, mas uma coisa nunca mudou: você sempre foi força. Mesmo nos dias em que tudo pesa, você carrega, não só o que é seu, mas também o que é nosso. Às vezes do seu jeito torto, às vezes com um sorriso cansado, mas sempre com coragem.
Não preciso dizer que te admiro, você sabe. Só quero lembrar que continuo aqui, ao seu lado, testemunha dessa mulher incrível que você se tornou. E também cúmplice, porque boa parte do que somos hoje foi feita com as nossas mãos. Agora somos três, e essas mãos viraram seis. Cuidando, criando, construindo um mundo só nosso, mesmo quando o mundo lá fora tenta atrapalhar.
Feliz aniversário, meu amor. Sofia e eu te amamos daqui até onde a vida permitir.
Hoje me emocionei um pouco mais nessa jornada de ser pai. É a primeira semana de aula de Sofia e, coincidência ou não, também é Carnaval. Nunca me importei muito com essas datas, Carnaval, Natal, São João… Para ser sincero, nunca me identifiquei ou me senti parte delas. Talvez por ser roqueiro, talvez porque sempre as enxerguei como datas comerciais, e sendo pobre, nunca tive grandes motivos para participar.
Mas hoje foi diferente. Hoje levei Sofia para o seu primeiro baile de Carnaval na escola – sua primeira escola, em sua primeira semana de aula. E, no fim das contas, pouco importa se é Carnaval ou qualquer outra celebração. O que realmente importa é vê-la de fantasia, encantada com as cores, os brilhos e as fantasias das outras crianças. Mesmo com um pouco de timidez e um certo distanciamento, ela observava tudo com aquele olhar curioso de quem está descobrindo um novo mundo. E isso, para mim, já faz tudo valer a pena.
Na última sexta-feira, 25 de outubro, participei da #SIPAT da @embasaoficial , em Feira de Santana, #Bahia, compondo a mesa de discussão intitulada “Respeito: Palavra de Ordem”. Como representante do argumento #ateísta, fui convidado a compartilhar uma perspectiva muitas vezes invisibilizada em espaços predominantemente religiosos. A mesa foi composta por um grupo diverso de representantes de diferentes tradições e crenças, incluindo um padre, um pastor, uma estudiosa judia, um espírita e uma candomblecista, todos comprometidos em dialogar sobre a importância do respeito mútuo e da tolerância.
Durante minha fala, destaquei a dimensão cultural das crenças religiosas, apontando como elas frequentemente se enraízam nas tradições e influências da sociedade em que nascemos e vivemos. Ressaltei que, para construirmos uma convivência pacífica e respeitosa, é fundamental que flexibilizemos nossas certezas e abandonemos a noção de superioridade conferida pela força numérica da maioria. Esse tipo de certeza, muitas vezes, nutre um proselitismo desrespeitoso, que ignora e deslegitima outras expressões de fé e a ausência dela. Ao abrir mão dessas certezas, tornamo-nos mais aptos a escutar e compreender o outro em sua diversidade, sem necessidade de conversão ou imposição de uma verdade única.
Enfatizei, ainda, que o desrespeito à descrença e às religiões minoritárias é uma problemática frequente, especialmente em sociedades onde as tradições cristãs são dominantes. A maneira como invisibilizamos aquilo que nos é estranho ou minoritário acaba por cercear a liberdade individual e reforçar preconceitos. Minha participação na mesa foi, assim, uma oportunidade de lançar luz sobre a importância de um respeito verdadeiro e inclusivo, que valorize não apenas a tolerância religiosa, mas também o reconhecimento da descrença como uma expressão legítima e digna de ser ouvida e compreendida. #ateismo #tolerancia