Em dez meses, tive o prazer de ministrar a oficina Afetos em Rede nove vezes em cinco cidades diferentes. Foram encontros inesquecíveis que aproximaram pessoas comprometidas com formas emancipatórias de conexão. Me sinto muito grate por ter esbarrado em tanta gente incrível nessa jornada.
Nesse sábado, dia 10, vai rolar a segunda edição em Salvador, na @colaborae , e no outro final de semana, será em Vitória. O link para as inscrições está na bio. Bora?
A edição desse reels é da parça baiana @jamilesalima 🧡
#nãomonogamia
#afetosemrede
#relacionamentos
#comunidade
#relacionamentosLGBT
#relacionamentosaudavel
Um dos processos mais bonitos de desconstruir monogamia passa por valorizar as amizades e garantir-lhes uma centralidade nas nossas vidas.
Há quem jure que não-monogamia se trata de reivindicar um maior número de parceiros sexuais. Eu diria que não há visão mais rasa do que esta. Repensar o mundo através de uma ótica não-monogâmica é, sobretudo, questionar a hierarquia imposta pelo sistema monogâmico (como bem aponta Brigitte Vasallo), na qual o Casal™ ocupa o topo, enquanto os outros tipos de relações (com pai e mãe, amigues, colegas de trabalho, etc) são relegadas a um segundo, terceiro plano. Em suma, não importa há quanto tempo você tenha uma relação harmoniosa com um amigue, conviva na mesma casa...Se o o-amor-da-sua-vida™ aparecer, o caminho natural esperado socialmente é o de que você saia da casa que divide com seu amigue para se juntar com seu amor e viver o idílico sonho prometido por praticamente toda a cultura ocidental do felizes-para-sempre™. Já parou para pensar que são raras as narrativas ficcionais que colocam no centro relações não-românticas? Thelma & Louise foi um raro caso na década de 90, sobretudo numa época em que a narrativa hegemônica era a de que as mulheres não poderiam ser amigas de verdade porque em geral rivalizavam pela atenção de um homem, aquele com quem poderiam formar o almejado Casal de Cinema™
O sistema monogâmico não é fruto apenas de uma muito bem sucedida doutrinação feita pela grande maioria das narrativas ficcionais. O Estado te oferece uma série de benefícios se você fizer parte de um Casal™. Experimente por exemplo fazer um financiamento de um apartamento com um amigo. Ou reivindicar passar sua cidadania para uma amiga com quem você tem uma relação estável há 20 anos.
Uma vez que começamos a questionar a monogamia como sistema que hierarquiza nossos afetos, as amizades (ou outros tipos de relações não-sexuais) passam a assumir um papel tão importante em nossas vidas quanto os relacionamentos românticos. Em suma, fazer sexo ou não como uma pessoa deixa de ser um critério definidor do nível de intensidade da relação que você terá com ela. (Link para o texto completo na bio)
Já faz um tempão que venho ruminando esse texto, cuja intenção era estabelecer uma relação entre a teoria de Laura Mulvey sobre o olhar masculino e a subversão dessa experiência ao posar para ume artista não-binárie sendo também uma pessoa não-binaria.
Aproveitei que hoje é aniversário de @thix para arregaçar as mangas e terminar enfim de escrever essa reflexão. É sobretudo uma forma de agradecimento por elu ter me retratado e por como essa obra me ajudou a elaborar não só o luto pela falecimento do meu pai como também pela despedida de um “eu” carregado de socialização feminina que prefiro deixar no passado.
Agradeço sobretudo pela amizade bonita que construímos e pelas elaborações conjuntas que fazemos em torno do tema da não-binariedade. É maravilhoso ser retratade com tanta generosidade por quem a gente tanto admira. Viva o olhar não-binário! Viva o olhar sobre pessoas gênero-dissidentes 🏳️🌈
O link para o texto completo está na minha bio
#Artecuir
#Artequeer
#MaleGaze
#OlharNãoBinário
#PessoasNãoBinárias
#PaulPreciado
Costumo dizer em tom de piada que a canoagem é como esquema de pirâmide. Você faz pela primeira vez, se apaixona e quer carregar uzamigue tudo junto. E foi desse jeito que convenci @maira_com_acento e @letcialuca a embarcarem nesse rolê junto comigo. Foram três remadas memoráveis em Floripa e em Bombinhas que nos deram a oportunidade não só de explorar novos mares e praias, como também de compartilhar esses momentos com outras remadoras brabas (valeu, Natália, Laura, Camila e Jana) que botaram a canoa pra deslizar.
No meio dessa jornada, conhecemos a @camilapianezzeryoga , que além de ter sido uma capitã maravilhosa em uma das remadas, nos convidou para o @maredasmanas , que tinha como objetivo reunir mulheres praticantes do surfe da região. O evento oferecia uma série de prêmios sorteados, entre os quais uma tattoo da @gihandpoketattoo . A gente tinha se prometido que se uma de nós ganhássemos esse prêmio, as outras fariam a mesma tattoo em homenagem à canoa. E não é que a Letícia ganhou o mesmo o sorteio?
Foram quatro dias intensos que mereceram um registro permanente na pele. Nós fomos felizes e sabíamos.
Há exatamente um ano, nós três pegamos chikungunya numa outra viagem pra Bombinhas. Passamos meses sofrendo com as sequelas nas articulações. E agora cá estávamos de volta celebrando a vida besuntadas de repelente.
Que a vida nos traga mais remos e encontros e menos mosquitos.
Um dos desafios de envelhecer é aprender a lidar com os limites do próprio corpo e com a sua capacidade (limitada) de regeneração. A gente nunca sabe quais transformações/limitações corporais chegaram para ficar para sempre e quais podem se retransformadas.
Pensei muito isso quando fiz há algumas semanas essa travessia de 17 km para uma ilha de Arraial do Cabo. Há um ano comecei a praticar canoa havaiana em meio a uma crise absurda de dores na lombar que durante meses limitaram muito minha capacidade de movimentação. Na época, eu acreditava que essas dores já eram crônicas e que durante o resto da vida eu teria que manejá-las. Me livrar completamente delas era algo impensável.
Comecei a fazer canoa duas vezes por semana por pura teimosia de estar em contato constante com o mar, o grande amor da minha vida, mesmo sabendo que isso significaria testar sempre as dores na coluna.
Um ano depois e inúmeras travessias por mares de Cabo Frio, Arraial, Salvador, Floripa e do Lago Paranoá em Brasília, percebo que este corpo de 43 anos, mesmo com tantas limitações, tem capacidade de se regenerar e se superar. As dores desapareceram e cada vez que remo para mais longe sem sofrimento, me sinto presenteade pelos lugares incríveis que esse corpo ainda consegue me levar.
Que a gente nunca perca a fé na capacidade do nosso corpo de nos surpreender e de nos conduzir para lugares tão bonitos que marcam nossas retinas para sempre.
Um agradecimento especial para Elaine e Pingo, capitães da equipe @hinomaruwaa , que de forma muito generosa me estimularam neste último ano a lidar com as limitações do meu corpo e a acreditar na sua regeneração. A coragem é coletiva. 🛶
#canoa
#canoagem
#saude
#autocuidado
#cura
#coletividade
#esporteesaude
#vaa
#paddle
Faz um tempo que gesto o desejo de mobilizar e debater em torno da não monogamia. Quando soube da oficina, na época em salvador, nao tive dúvidas e logo vim. O tamanho do desejo encurta distâncias, não é mesmo? Ter a possibilidade de vivenciar essa oficina remexeu muita coisa em mim. Como um presente, a amizade com Mar e a possibilidade da oficina em Recife vieram logo em seguida. Me emociona demais poder co-facilitar essa oficina com alguem que admiro tanto e na minha cidade!
Convido vocês a fazer parte desse momento conosco. Vai ser lindo demais ☺️
link para inscrições na bio ✨️
Desde que iniciei minha jornada com as Oficinas Afetos em Rede, em 2022, queria demais levar o projeto a Recife, uma cidade que me traz memórias bonitas. Mas o preço surreal das passagens aéreas me fizeram adiar por muito tempo esse desejo.
Daí eu conheci a lindeza da @cassiamilla na Oficina que dei em Salvador no ano passado. E acabou reacendendo esse desejo ao me convidar pra realizar o sonho de passar o Carnaval em Recife. Bom, por que não juntar dois sonhos-desejos e parcelar as passagens no cartão, não é mesmo? A vida está precária mas só se vive uma vez. rs
De modo que, depois de algumas conspiradas com a Cássia, decidimos conduzir juntes a oficina em Recife (ou “no Recife”? Digam lá, recifenses) na terça que antecede o Carnaval. E eu que ando jururu com uns trancos esquisitos que a vida me deu em janeiro, já sinto um entusiasmo bater no peito só de antecipar o que vai ser esse combo oficina e Carnaval Recife-Olinda. Que deyse (deus não-binárie segundo a @maira_com_acento ) me dê fôlego pra todo esse rolê de intensidades.
Então fica aí o convite pra quem quiser participar da oficina conosco. O link para as inscrições está na bio!
(…)
Destaco no fim um trecho da ótima entrevista que a @genipapos concedeu à Folha. Geni Núñez tem sido nos últimos anos uma das minhas maiores referências de pensamento contra-hegemônicos para mim e, por conta disso, é uma das intelectuais que inspiram os debates na Oficina.
#OficinaAfetosEmRede
#nãomonogamiapolítica
#AnarquiaRelacional
#nãomonogamia
“Você acha que eu cursei medicina por mais de 14 anos para pensar apenas na minha vida e deixar os pacientes para trás?”
Essa é a última fala pública do nefrologista palestino Hammam Alloh antes de ser assassinado, junto com familiares, por um ataque aéreo israelense.
Ele trabalhava no hospital de Al Shifa, na Faixa de Gaza, que entrou em colapso depois de múltiplos bombardeios feitos pelo Estado de Israel.
O assassinato de Hamman ocorre dias após vir a público uma petição assinada por cerca de 100 médicos israelenses que deram o apoio ao bombardeio dos hospitais em Gaza, o que constitui flagrante crime de guerra (e não importa quantos túneis do Hamas o Estado de Israel diga que há. Bombardear hospitais é crime de guerra. Ponto).
Imagine dar aval para que seus colegas de profissão sejam bombardeados enquanto exercem a dura tarefa de conduzir seguidas cirurgias sem anestesia, sem água potável disponível, sem luz? .
Em memória de Hammam Alloh e de seu exímio exercício do cuidado na medicina ao não admitir deixar seus pacientes para trás para salvar a própria pele num contexto tão apocalíptico.
Cessar-fogo já. Palestina livre
Quem acompanha o genocídio em Gaza pelos meios de comunicação corporativos do Ocidente e do Brasil não fica sabendo que há um genocídio em curso, que há limpeza étnica, que a população de Gaza vivia um regime de apartheid.
Ligar a TV e ver tanta desinformação e tanta propaganda de guerra sendo despejada de forma acrítica é muito angustiante. Sobretudo se paralelamente você acompanha o noticiário reportado por quem está sob uma chuva de bombas e já teve que noticiar inclusive o assassinato de seus familiares.
Tendo em vista essa discrepância enorme entre as narrativas empregadas por gente que está nas redações climatizadas do Ocidente em contraposição aos fatos relatados pelas testemunhas oculares que reportam o genocídio em campo, é muito bem-vinda a mobilização coletiva de jornalistas em solidariedade a colegas mais vulnerabilizados que estão literalmente sob a mira do Estado de Israel.
Não dá mais para aturar a normalização do genocídio em curso e a difusão acrítica de propaganda de guerra sionista.
Tendo tudo isso em mente, resolvi traduzir toda a carta aberta assinada por mais de mil jornalistas independentes e das mais importantes redações do mundo cobrando mudanças na linha editorial empregada pela imprensa ocidental. Link na bio.
Cessar-fogo já. Cessar-fogo pra ontem
Algo que não se pode perder de vista nesse momento em que um genocídio acontece diante dos olhos do mundo é a completa desproporcionalidade da cobertura da mídia ocidental em favor de uma visão sionista (Vejam o documentário “The Lobby”, da Al Jazeera).
Todos os dias vemos inúmeros exemplos de veículos que igualam a Palestina ao Hamas como forma de desumanizar os palestinos e transformar suas vidas em descartáveis e assim legitimar a limpeza étnica sem responsabilizar o Estado de Israel pelos inúmeros crimes de guerra que comete.
A Faixa de Gaza tem voltada contra si não só os mais sofisticados e pesados equipamentos bélicos mas também as maiores máquinas de produção de discursos maniqueístas do mundo (a imprensa ocidental e Hollywood).
É asqueroso ver todo os grandes poderes do Ocidente reunidos com o propósito de massacrar um povo formado em sua maioria por crianças e mulheres.
Por isso resolvi compartilhar esse vídeo da podcaster egípcia Rahma Zein (@zein_rahma ), que de forma muito corajosa confronta a repórter da CNN, Clarissa Ward.
Lembre-se: todo jornalista é militante. Alguns, como eu, são militantes abertos das causas dos mais vulneráveis, Outres se escondem atrás da ficção política da “neutralidade/imparcialidade” quando na verdade defendem a manutenção do status quo, da máquina de guerra, dos grandes bilionários e das superpotências. Nesse momento, a distinção tem sido cada vez mais evidente.
Fuja da narrativa criada pela imprensa ocidental que repete acriticamente a propaganda de guerra sionista. Não repita como um papagaio o slogan de guerra: “Israel tem direito de se defender”. Há leis internacionais que proíbem o bombardeio de hospitais, igrejas, a punição coletiva. E enquanto eu escrevo esse post, muito provavelmente Israel já meteu mais bombas num espaço lotado de crianças.
A virada do discurso vai ser coletiva graças à atitude de gente como Rahma Zein e tantas outras pessoas que denunciam o genocídio. Só resta saber quanto tempo levará até que a carnificina produzida pelo Estado de Israel pare e a cúpula desse governo genocida seja enfim responsabilizada. Será que até lá ainda haverá Palestina? #Cessarfogo
#ceasefire
Nas oficinas “Afetos em Rede” que tenho facilitado ao longo desse último ano em diversas cidades, sempre surgem debates interessantes sobre que palavras relacionadas historicamente a contextos monogâmicos merecem ser ressignificadas e quais poderiam ser descartadas em prol da construção de novos termos.
É comum ouvir relatos, sobretudo de pessoas da comunidade LGBTI+, de que “amigues são a família que a gente escolhe”. Ou que fulana e sicrana são “SÓ amigas”, quando a intenção é determinar que não há envolvimento sexual entre ambas. Ou que beltrano é tão amigo que é “como se fosse um irmão”.
É como se o termo amigo/amigue/amiga não fosse suficiente para designar um relacionamento profundo e devesse ser sempre comparado a uma relação de cunho familiar/monogâmico para ser legitimada socialmente como importante.
Esses debates sempre me fazem lembrar desse trecho que destaco no post de uma entrevista de 2015 concedida por Leonor Silvestre para a Pikara Maganize (link nos stories para a íntegra).
Acho interessante demais essa reflexão, que recupera inclusive essa origem etimológica da palavra Família, pra repensar se vale à pena dentro das relações dissidentes seguirmos insistindo no uso de um termo que remete à escravidão doméstica.
Quem estiver em Salvador nesse fim de semana e quiser refletir coletivamente sobre esse tema (e sobre outros tantos relacionados à monogamia como sistema que hierarquiza nossos afetos), fica o convite para participar da oficina no domingo. O link para as inscrições está na bio.
A gente queria que a imagem de despedida de Marta das Copas do Mundo fosse com um de seus gols espetaculares, mas daí a gente vê um vídeo como esse, da adversária Bunny Shaw abraçando, reverenciando e recebendo conselhos da camisa 10 do Brasil e tem a dimensão que o legado que ela deixa é muito maior do que as incríveis estatísticas que construiu ao longo de sua carreira.
É muito provável que Marta tenha inspirado toda essa geração de jamaicanas que hoje comemora uma classificação inédita para as oitavas depois de terem tido que fazer vaquinha pra chegar ao Mundial.
A precariedade no futebol feminino é gigantesca e eu já tinha mostrado isso num post para @sportandrightsalliance , na qual apenas 40% das jogadoras da Copa se consideram profissionais. É um percentual bem baixo, e embora não haja estatísticas para dimensionar o quanto esse número se expandiu, é ponto pacífico dizer que há 20 anos, quando Marta estreou em Mundiais, esse percentual era de um dígito.
O número de bolas de ouro que Marta arrebatou ao longo de sua carreira demonstra bem sua capacidade dentro de campo. Poderia ter aproveitado os holofotes para celebrar suas conquistas individuais, mas sempre usou sua visibilidade para advogar pela evolução do futebol feminino como um todo.
E conseguiu. Se hoje a Copa do Mundo de futebol feminino consegue comportar 32 equipes competitivas, que desbancam inclusive as favoritas, é porque uma lenda como Marta inspirou gerações e gerações de meninas ao redor do mundo. Obrigade, Rainha!