Acho que, sempre que eu for questionado sobre alguém que eu admire muito, ela vai estar entre as primeiras que vou lembrar. Explicar a Minda para alguém que a conhecia é difícil, para alguém que não a conheceu, mais ainda. Inteligente, independente, vaidosa, irônica, debochada. Ela era cheia de contradições: na mesma visita em que demonstrava afeto, era capaz de ferir. Às vezes por descuido, outras por prazer.
Desde que tenho lembranças, as histórias dela estão presentes: a mulher que, nos anos 80, decidiu que não ficaria com um marido possessivo. Deu as costas e deixou para trás ele e a casa que haviam construído. As inúmeras especializações e viagens a trabalho que fez pelo Brasil e pelo mundo. Sempre me ensinando que o mundo era muito maior do que eu imaginava.
De diretora da antiga FEBEM a cargos no governo, em posições de chefia e estratégia. Desenvolvendo projetos de acessibilidade quando isso ainda nem era assunto muito discutido. Envolvida na política a ponto de escolher ser candidata depois dos 65 anos. Sempre admirei o quão bem relacionada era.
Do tempo em que amava ir ao cinema nas estreias dos filmes do Mazzaropi. Não queria perder a sessão, levava e pagava para todos os alunos, uma maneira de não perder a aula. Anos depois, os dias que eu passava com ela revendo todos os filmes, muitas vezes achando mais graça da reação dela do que dos próprios filmes. Eu amava imitar o jeito que ele andava só para vê-la caindo na risada na rua.
Eu era cúmplice dela quando queria ir ao bingo: eu esperava na porta enquanto ela jogava e, se ganhasse algo, eu ficava com uma parte. Quando voltávamos pra casa a história do dia era sempre outra.
Quando finalmente contei para ela que eu estava namorando um homem, ela respondeu da maneira mais doce possível e ainda disse que não me perdoaria se eu não o apresentasse. Que bom que consegui.
Engraçado que, um dia antes, eu pensei sobre ser resiliente, agora pensando em tudo isso, consigo ver o quanto eu aprendi disso com ela.
Eu amei ela, mas ela me amou muito mais. Do jeito dela: sempre cuidando, sempre ligando, sempre tentando controlar tudo o que pudesse. Muito obrigado