Prazer, eu sou Chloe Gee, tenho 21 anos e sou natural de Pesqueira, Pernambuco.
A minha jornada na moda começou a partir da minha transição — um processo que não apenas transformou o meu corpo, mas também a minha visão de mundo e de mim mesma.
A Chloe Gee que vocês conhecem hoje nasceu da necessidade de existir com coragem, autenticidade e potência. A moda se tornou, pra mim, uma forma de resistência, um ato político, uma linguagem onde posso vestir minhas dores, conquistas e sonhos.
A marca Chloe Gee carrega tudo aquilo que eu sou: minha luta, minhas referências, minhas estéticas e principalmente minhas vivências enquanto uma mulher trans nordestina.
Espero que, de alguma forma, essa arte que nasce do meu corpo e da minha história encontre outras pessoas que também usam a moda como forma de expressão e revolução.
Sejam bem-vindos ao meu universo.
“Fetiche em corpos trans” não é só um tema — é provocação, denúncia e tentativa de virar o jogo. Queremos que pessoas cis parem para refletir sobre como o desejo pode se misturar à violência, como o olhar do outro nos despe de humanidade. Aqui, esse olhar vira resistência. Reapropriamos o fetiche, tirando-o do consumo objetificador e devolvendo-o ao nosso controle.
Historicamente, fomos empurradas às margens, muitas vezes sobrevivendo pela prostituição, após nos negarem acesso ao trabalho, saúde e educação. Nossos corpos passaram a ser vistos não como vidas, mas como objetos sexuais. A moda, que tantas vezes reforçou esse olhar, agora vira arma de ruptura.
Cada peça carrega a história de quem sobrevive num país que não nos quer vivas — mas também a força de quem transforma dor em arte, exclusão em presença, silêncio em discurso.
Essa coleção é para quem nunca nos ouviu — mas agora vai ter que escutar.
📸@eyes.grazi
Nossa primeira coleção carrega um tema necessário: Fetiche em corpos trans.
Somos alvos de desejo, mas também de violência. Somos hiperexpostas, mas invisibilizadas.
Essa coleção transforma dor em arte, medo em presença.
Chegou a hora de ocupar. De ser vista. De ser ouvida. De ser desejada com respeito.
Lançamento: 17 de Junho, terça-feita.
No Brasil, ser trans é enfrentar uma guerra diária. Somos o país que mais mata pessoas trans no mundo — mais de 300 vidas arrancadas em 2023. Ao mesmo tempo, somos o maior consumidor de pornografia trans, um reflexo cruel de como nossos corpos são vistos como fetiche, objetos para desejo, e não como vidas que merecem respeito e dignidade. A nossa expectativa de vida é de apenas 35 anos, porque a violência, o preconceito e a exclusão nos cercam todos os dias. Essa coleção nasce da nossa dor, da nossa resistência e da nossa luta para sermos vistas e ouvidas, para que ninguém mais tenha que viver com medo ou invisível.
📸@eyes.grazi
*OPERAÇÃO TARÂNTULA* 🕸️
Na década de 1980, o Brasil foi palco de uma das ações mais brutais contra corpos trans: a Operação Tarântula. Sob o pretexto de “limpar” as ruas, o Estado perseguiu, prendeu, torturou e expulsou travestis, em um ato de pura transfobia institucionalizada.
Foi nesse contexto que surgiu o termo “gilete debaixo da língua” — uma estratégia de sobrevivência, em que travestis escondiam lâminas na boca como forma extrema de autodefesa diante da violência policial.
Essa história não é só sobre o passado — ela vive no presente, na luta diária por respeito, visibilidade e dignidade.
Minha coleção nasce desse lugar: do fetiche que habita o corpo trans, mas também da sua resistência feroz. Não há erotismo sem política. Não há estética sem memória.
Vista-se de luta. Vista-se de história.