[[ INSCRIÇÕES ABERTAS ]]
Nós temos a honra de anunciar que o duvidoso coletivo de fotografia Erro99 fará seu retorno aos palcos no Foto em Pauta 2025.
E para este reencontro inédito e aguardado - quase 10 meses após sua despedida oficial - o Erro99 realizará o SHOW DE LA.I.KES: a maior (e quiçá única) batalha de ensaios fotográficos com imagens geradas por inteligência artificial.
>> acesse o formulário na bio para saber mais e participar <<
A inscrição é gratuita e vai até o dia 19/03. As regras e informações para participação se encontram no segundo slide deste post e no formulário de inscrição (dúvidas podem ser tiradas através do Instagram @coletivoerro99 ).
A exibição dos ensaios participantes e a escolha do vencedor - por votação popular - acontecerá dentro da programação do Festival de Fotografia de Tiradentes no dia 29 de março, sábado, a partir das 19h.
Em breve realizaremos uma live para trazer mais informações e esclarecer questões acerca deste evento totalmente questionável e inédito no Foto em Pauta.
Inscreva-se!
[as imagens utilizadas neste post são do artista Sandro Miccoli, vencedor do Show de LA.I.kes 2024]
𝐒𝐨𝐮 𝐝𝐨 𝐌𝐔𝐑𝐎, 𝐬𝐨𝐮 𝐌𝐈𝐍𝐀𝐒 𝐆𝐄𝐑𝐀𝐈𝐒!
Em 2024, o “MAPA - Mostra de Arte Pública” voltou a Itabira para a sua segunda edição.
Com a missão de abrir diálogos entre a cidade e a arte e entre Minas e o mundo, temos a honra de afirmar que conseguimos, mais uma vez, colocar Itabira no MAPA internacional da arte pública e urbana.
E também alcançamos o objetivo de consolidar e expandir, em Itabira, um dos maiores Circuitos de arte a céu aberto de Minas Gerais, com 16 obras em diferentes formatos e propostas espalhadas pelas ruas, muros e prédios da cidade.
Nossa eterna gratidão ao povo itabirano que a cada ano nos acolhe, nos inspira e compartilha conosco suas memórias, seus sonhos e sua paixão pela arte e por Itabira.
E nós queremos mais! Mais arte, mais encontros, mais festa… mais Itabira!
Estamos contando os dias para viajar novamente com vocês pelo MAPA!
VALSE IBATIRA!
[acesse .br para conhecer mais sobre as obras e artistas do MAPA Itabira]
Realização: Prefeitura de Itabira @prefeitura_itabira e Associação Cultural Cultural @casinha.ac
Produção e curadoria: Pública @publica.art
Apoio: Belacor Tintas @belacor_tintas
// Ficha técnica vídeo //
Roteiro e direção: @brunofigs
Câmera: @igormxnte / @brunofigs / @munizvideomaker
Edição: @igormxnte
Produtora: @area.de.servico
#MapaItabira #Festival #ArtePública #ArteUrbana #Itabira #MinasGerais
Passado, presente e futuro emprestam suas cores e formas para o horizonte itabirano através dos maiores murais da segunda edição do MAPA Itabira.
As obras “Cerca de Flores” de Hanna Lucatelli, “Plantando Água” de Wes Gama e “Refloreste-se (Jacarandá do Campo) de Juliana Gontijo, agora fazem parte do Circuito de Arte Pública do MAPA, composto por 12 murais e uma instalação permanente.
Acesse .br para saber mais e se localizar no MAPA da arte de Itabira!
Realização: Prefeitura de Itabira @prefeitura_itabira e Associação Cultural Cultural @casinha.ac
Produção e curadoria: Pública @publica.art
Apoio: Belacor Tintas @belacor_tintas
// Ficha técnica vídeo //
Roteiro e direção: @brunofigs
Câmera: @igormxnte e @brunofigs
Edição: @igormxnte
Produtora: @area.de.servico
#MapaItabira #Festival #ArtePública #ArteUrbana #Itabira #MinasGerais
Em 5 dias, percorremos 275 km entre Caxambu e Paraty. Viajar de bike por esse trecho da Estrada Real, composto em sua maioria por estradas de terra e trilhas, proporciona uma experiência marcante, trazendo consciência para o relevo do caminho.
Atravessamos os mares de morros do sul de Minas, descemos o paredão íngreme da Serra da Mantiqueira, cruzamos a planície do Vale do Paraíba, subimos a imponente Serra do Mar e descemos, de uma vez só, os 1.500 m de ladeira da Serra da Bocaina.
Uma expedição inesquecível, que surgiu para celebrar os 20 anos da nossa primeira viagem sobre duas rodas. Que venham muitas outras pela frente ✨
Partimos ontem de Caxambu, em direção a Paraty. Primeiro noite foi em Pouso Alto. Primeiro dia de viagem nasceu com a intenção de celebrar nossa primeira travessia de bike: de Londres a Barcelona, há exatos 20 anos. Que seja especial!
Resolvi seguir por uma estradinha que contornava a península de Juli, margeando o lago, que estava toda em obras. A margem boliviana, já bem próxima, aumentava o charme da paisagem com suas montanhas sempre cobertas de neve.
Ouvi um latido, olhei rapidamente e só o que vi foram dentes ferozes vindo na minha direção. Botei os pés pro alto e segui no embalo, desviando de uns pedregulhos no caminho. Uma bela injeção de adrenalina pra começar bem o dia.
Cheguei novamente no asfalto e eram 20 km de rodovia, sem acostamento, até chegar em Chacachaca, onde as estradas de terra recomeçavam. Achei melhor fazer esse trecho de van.
O mapa mostrava que passaria pela Serra de Khapía e lembrei que Victor, funcionário do hotel em Puno, tinha alertado sobre um demônio de lá que suga toda a gordura do corpo de viajantes. Fiquei interessado em cruzar com ele até descobrir que a vítima morria depois de três dias. Segundo ele, se alguém amigável aparecesse, era pra dar linha.
No meio da longa subida, um senhor de moto parou ao meu lado e se mostrou preocupado, dizendo que aquela estrada era muito ruim. Era a simpatia em pessoa 😂 Se isso tivesse acontecido mais para o fim do dia, eu teria me cagado todo.
No alto da serra, a estrada ficou com mais cara de trilha e eram apenas eu, algumas lhamas e mais ninguém. Só mais a frente que avistei uma senhora que vinha sozinha pela trilha. Puxei conversa e não entendi uma única palavra. Aí ela bateu no peito e disse: “Aymara”. Quando percebeu que seria complicado nos entendermos, fez um sinal com a mão e seguiu seu caminho.
Finalmente, em Yunguyo, fui para a imigração, carimbei o passaporte e atravessei um portal para o lado boliviano. Alguns Km a frente, já exausto, avistei a baía de Copacabana. Desci a ladeira na banguela, aliviado e degustando a sensação sublime de missão cumprida.
Viajar sozinho é algo muito importante pra mim, mas que fiquei tempo demais sem fazer. É incrível como me renova! Era um lindo pôr do sol e finalmente respirava com leveza, sem sentir os efeitos da altitude.
Foram 54 km percorridos.
Tenho uma crença que se aguça em viagens como essa: seja uma revoada de andorinhas ou uma folha que cai, deixo-me guiar por esses sinais. E, em uma bifurcação, foram os balidos das ovelhas que me fizeram notar uma jovem pastora que as guiava girando uma corda. Não hesitei em seguir por onde elas estavam.
Logo à frente, um jovem casal, que vivia em uma casa de adobe com telhado de palha, pisoteava o chuño e não entendia por que eu fazia aquele caminho até Ilave, sendo que pela rodovia era mais rápido e perto. Respondi que era para poder conhecê-los e abriram largos sorrisos.
Depois de alguns morros, me encontrei em um local isolado, com uma paisagem linda e rodeada por serras. A mão firme no guidão agradecia a suspensão, que facilitava a travessia por aquele terreno deliciosamente pedregoso.
Mais famílias faziam chuño, mas essas o pisoteavam dentro de um recipiente de borracha, formando uma sopa com o líquido que soltava. Outra família colhia aveia no terreno da avó, que trabalhava de igual com os mais jovens. Quando contei que era fotógrafo, o neto sacou o celular e me seguiu no Instagram. Prometi enviar as fotos mais tarde.
Em Ilave, havia um enorme e convidativo mercado. A cidade não ser turística tornava aquele espaço ainda mais genuíno. Espigas de milho com os grãos negros, carne, cabeça e patas de lhamas expostas nas bancadas e galinhas com os pés virados para cima. Precisava comer, mas as cantinas vendiam caldo de cabeça e aquilo pareceu um pouco demais para mim.
De volta ao trecho, a única opção era a que mais detestava, a rodovia. Eram 30 km até Julia e preferi ir pela contramão. Esse trecho foi extremamente desgastante. O sol mais baixo trazia o frio do altiplano e a exaustão do corpo era multiplicada pelos impactos da altitude.
Finalmente em Juli, me arrastei até o quarto do albergue e tomei um banho quente. No restaurante, novamente sopa de quinoa com PF. Sentia que estava com febre, o que se confirmou quando cheguei ao quarto. Tomei um remédio, entrei debaixo das quatro grossas cobertas e fui dormir antes das 21h.
Foram 57 km.
Cheguei cedo na cozinha e Sandra fritava um pão tradicional chamado tortoche. Ela estava arrumada para sair. As duas tradicionais tranças para trás tinham enfeites que pareciam três bolas de lã, um chapéu de palha enfeitado com um tecido que parecia chita, blusa branca bordada e uma saia longa avermelhada.
Me explicou que ia para a feira de Acora e saiu para o quintal para organizar farinha de quinoa em com de um tecido colorido no chão.
Fiquei preocupado quando Rober disse que apenas conseguiria sacar dinheiro em Puno ou Copacabana. E eu já estava quase zerado porque também não aceitavam cartões por onde passei. Isso era problema!
Terminei de preparar minhas coisas e dei um forte abraço em Rober e agradeci por me receber em sua família.
O trajeto começou em um costão e a energia foi lá no alto! Conversei com um senhor que tirava leite e tentei observar se havia algo diferente da prática no Brasil. Era a mesma coisa, só não tinha aquele cheiro de pasto úmido do interior de Minas.
A maioria das casas eram feitas de tijolo de adobe, muitas com telha de metal e algumas com telhado de palha. Além do chuño, outra coisa bastante característica são os montes dourados de aveia que se espalham pela paisagem.
Apareceu uma subida daquelas que a gente torce para acabar mas que continua curva após curva. Foi bom para pensar no que fazer. Me pareceu melhor chegar em Acora, pegar um perueiro de volta à Puno para sacar dinheiro. No dia seguinte, voltar para Acora e continuar viagem.
Percebi que havia saído da península quando o terreno ficou bem plano e mais desértico. Olhei no mapa e não estava muito longe de Acora.
Já na cidade, procurei pelos perueiros. Os transportes populares são sempre uma ótima maneira de ter contato com aspectos culturais dos lugares.
Os diálogos, as vestimentas, as comidas, as cargas, os aromas, os olhares, a ausência de cinto de segurança, a maneira de dirigir na estrada, o constante uso da buzina… Tudo são signos que nos dizem muito dos lugares.
Novamente em Puno, fui resolver as demandas e tratei de deitar cedo. No dia seguinte precisava conseguir chegar em Juli. Aquele descanso seria fundamental.
Foram 26km pedalados.
Um pouco do que foi a Última edição do Erro99! Muito obrigado a todas e todos que participaram dessa história de mais de uma década.
Uma história leve, lúdica e despretensiosa, mas ao mesmo tempo muito importante em nossas vidas.
Foram anos buscando deixar a fotografia e os estudos da imagem mais acessíveis, divertidos e engajados com as pautas mais urgentes e importantes da nossa sociedade.
Descanse em paz, Erro99.
Se tudo der errado, nos vemos de novo por aí. ❤️
Imagens: @arthurborza
Edição @edu_drummond_
**[O texto está melhor que as imagens. As imagens melhoram depois do texto]** Detesto rodovias, mas pelo menos essa tinha um largo acostamento de terra. As subidas me esgotavam e entendi que precisava ir devagar e sincronizando a respiração com cada pedalada.
Finalmente alcançei a estradinha de terra, adentrando um Peru completamente rural. Gosto de viajar de bike justamente para me conectar com cidadezinhas e vilas e com as pessoas desses lugares. E por gostar de poder mudar de acordo com o vento.
Um grupo de mulheres rodeadas de uma bolinha preta e murcha, me explicaram que aquilo era chuño, batatas desidratadas ao frio. Elas as congelam para separar a água, depois as espremem para tirar o líquido, repetindo isso por dias até que fiquem totalmente secas. O chuño dura anos e é um alimento essencial em épocas de safra ruim.
Quando saía, duas delas perguntaram se eu queria orar. Assim que concordei, agarraram minhas mãos e pediram ao Senhor proteção para meu caminho. Apesar de não ser cristão, senti naquele momento uma força enorme. Saí emocionado e me sentindo protegido.
Alguns km depois cheguei na minha primeira encruzilhada: dar a volta na Península de Chucuito, sem informações disponíveis, ou seguir direto para Ácora? Fui por Chucuito.
A península, de altiplano, só tinha o alto. O bom foi que cada ladeira era recompensada por uma descida gelada e revigorante. Disseram que só encontraria hospedagem em Luquina, 12k a frente. Exausto e com muito frio, pedi uma van que me levasse.
Luquina era uma vila em uma ribanceira, entre a estrada e a lagoa. Com os freios no máximo, desci uma trilha íngrime e cheguei a um caminho plano que ligava as casas.
Depois de ser direcionado de um lado para o outro, quase atropelado por um rebanho de ovelhas e desesperado com o frio, encontrei Rober, que tinha um quarto em sua casa. Aí que entendi que, como em Amantaní, famílias de Luquina se revezam para receber turistas.
Pude finalmente apreciar o lugar. O horizonte rosa e o filete de lua crescente me fizeram pensar na Bela e liguei para compartilhar meu dia. Depois, me juntei ao casal para jantar, enquanto conversávamos sobre nossas vidas.
Foram 46km pedalados.