No espaço onde o concreto ainda guarda vestígios de outras ocupações, o corpo emerge como linguagem primeira, atravessando fronteiras entre arte, convívio e resistência. O Porão Cultural, instalado na Barra Funda se organiza como um território de fricção, onde diferentes práticas e públicos coexistem em estado de experimentação contínua. Entre ensaios, encontros e ruídos, o gesto artístico parece recusar qualquer forma de acomodação. À frente dessa engrenagem viva está o ribeirão-pretano Alex Merino, bailarino e gestor que pensa o corpo não apenas como instrumento, mas como campo de disputa e invenção. Em diálogo com a pulsação urbana e com a própria transformação da região, o Porão Cultural se afirma como um espaço onde a criação acontece no entre, no trânsito, no improviso. Mais do que abrigar linguagens, o projeto tensiona seus limites, propondo uma convivência que é também um exercício de escuta. Ao refletir sobre a cena cultural paulistana e os desafios de manter um espaço independente, Merino também discute como sua trajetória artística influencia a construção de um território onde arte e vida se contaminam continuamente. Link na bio. Arte: @lehamazaki@vitalianomerino@porao.cultural@canal_aberto
Em um tempo marcado por conexões incessantes e, paradoxalmente, por uma crescente sensação de isolamento, o ator, diretor e produtor mineiro Anselmo Bandeira chega a São Paulo com o monólogo “Solo”, em curta temporada no Teatro de Arena Eugênio Kusnet. Criado a partir de uma investigação iniciada em 2015 e desenvolvido com colaboração dramatúrgica da italiana Anita Mosca, o espetáculo propõe mais do que uma reflexão intelectual sobre a solidão, busca uma experiência sensorial, quase tátil, dessa condição que atravessa o século XXI. Entre atmosferas que transitam do incômodo à libertação, “Solo” constrói um percurso íntimo que tensiona o estar só como imposição social e como escolha existencial. A cena se organiza a partir de um corpo em estado de escuta, onde palavra, gesto, som e imagem se entrelaçam em uma dramaturgia viva, aberta à experiência do público. Nesta conversa, Anselmo Bandeira compartilha os atravessamentos criativos do projeto, suas urgências temáticas e os modos de transformar a solidão em linguagem cênica. Link na bio. Arte: @lehamazaki@anselmobandeira@oficiodasletrascomunicacao
A luz, no teatro, não apenas revela o que está em cena, ela esculpe o visível e insinua o invisível, desenha abismos e cria refúgios, decide o que emerge e o que permanece à deriva. Em Travessia, espetáculo de Gabriela Mellão em cartaz no Sesc Belenzinho, o desenho de luz de Aline Santini não se limita a iluminar a cena, ele a tensiona. A luz pulsa como maré, ora revela corpos em estado de urgência, ora os engole em zonas de sombra, instaurando um campo instável entre o naufrágio histórico, as travessias do presente e as camadas mais íntimas da memória. Reconhecida como uma das mais premiadas iluminadoras do teatro brasileiro, Santini construiu uma trajetória em que rigor técnico e sensibilidade poética caminham juntos, fazendo da luz uma linguagem capaz de pensar o mundo. Nesta entrevista, ela reflete sobre os desafios visuais de Travessia, o encontro entre luz e dramaturgia e os caminhos de uma carreira que transforma o olhar em experiência. Link na bio. Arte: @lehamazaki@performphoto@travessia.teatro@sescbelenzinho
Há corpos que não pedem passagem, irrompem. A trajetória de Luaa Gabanini se inscreve nesse gesto de fricção, onde palavra, ritmo e presença não se organizam para caber, mas para tensionar. Atriz-MC, criadora que atravessa o teatro, a dança e a música, sua pesquisa se ancora no teatro hip-hop como campo expandido de enunciação, onde a oralidade é também arquivo, e o corpo, território em disputa. Entre a pulsação da rua e a elaboração cênica, Luaa faz da cena um espaço de insurgência sensível. Seus trabalhos não se contentam em narrar, convocam. Há, em suas criações, uma recusa à assepsia e ao acabamento previsível, como se cada gesto insistisse em lembrar que a arte pode ainda ser risco, desvio e confronto. Em suas criações, como o solo Baderna, no Instituto Capobianco, Luaa mobiliza memória, território e gesto performativo para instaurar experiências cênicas que dialogam diretamente com o presente, propondo uma arte que disputa imaginários e reconfigura modos de existir. Entre o palco, a pista e a pesquisa acadêmica, sua atuação revela uma artista que transforma o corpo em espaço de enunciação crítica e poética. Nesta entrevista, Luaa Gabanini pensa a cena como lugar de embate e fabulação, onde memória, política e invenção se entrelaçam na construção de outras possibilidades de presença. Link na bio. Arte: @lehamazaki@luaagabanini@nucleobartolomeu@institutocapobianco
Entre a cozinha e o consultório, entre o gesto de preparar e o ato de escutar, Chef Psi – como comer como como constrói um território cênico onde a fome deixa de ser apenas fisiológica para se revelar como linguagem, sintoma e memória. No solo autoficcional idealizado e interpretado por Maíra Maciel, a experiência íntima com a anorexia nervosa atravessa sua prática como psiquiatra e psicanalista, tensionando os limites entre saber técnico e vivência encarnada. Em cena, a personagem Chef Psi opera como uma espécie de dispositivo de exposição e desvelamento, onde cortes, receitas e relatos produzem uma dramaturgia que oscila entre controle e vertigem. A encenação aposta em uma delicada transparência etérea, uma camada sensível onde o visível e o invisível se interpenetram, deixando entrever as fissuras do corpo e da linguagem. Nesse espaço rarefeito, a palavra, o gesto e o silêncio se tornam matéria de um ritual que convoca o público a escutar aquilo que não se sacia, aquilo que escapa aos diagnósticos e às normativas do corpo. A obra emerge, assim, como um campo de tensão entre presença e apagamento, onde a fome também é metáfora daquilo que insiste em existir. Nesta entrevista, Maíra Maciel fala sobre os atravessamentos entre arte e clínica, os riscos da autoficção e os modos de tornar visível o que, muitas vezes, permanece invisível. Link na bio. Arte: @lehamazaki@maira.macc@oandar
“Gabriela Mellão conduz a cena como quem compreende o mar (…)”
Alguns dos fragmentos da crítica de tirar o fôlego de Bob Sousa.
Leia a matéria na íntegra em .br/analises/todos-os-mundos-do-mundo
Dramaturgia de Gabriela Mellão a partir de criação coletiva
Direção de Gabriela Mellão
Com Dani Mara @__danimara , Mariama Bintu Bah @mabah.oficial , Mario Tadeo, Miriam Rinaldi @rinaldi6819 , Prudence Kalambay @prudencekalambay , Rodrigo Bolzan @bolzanrodrigo , Vitor Britto @vitor_britto , Victor Gee Rosales @victorgeerosales , Shambuyi Wetu @shambuyiwetu
Coreografia: Reinaldo Soares @reisoares
Desenho de Luz: Aline Santini @performphoto
Assistente de Iluminação: Gabriela Ciancio @gabi_cianci0
Trilha Sonora Original: Federico Puppi @federicopuppi
Técnico de Som: Henrique Berrocal @berrocal_henrique
Cenografia: Camila Schmidt @camilasch
Cenógrafa assistente: Irina Bertolucci Chermont @irina_neblina
Figurinista: Kledir Salgado @klark_dandara
Assistente de Figurino: Cicer Ryan (Ateliê Fhom) @cicearense@fhom__
Assistente de Direção e Preparador de Ator: Daniel Passi @danielpassi1
Fotografia: Bob Sousa @bobsousa
Tratamento de Imagem: Leonardo Palma palma
Designer Gráfico: Victor Gee Rosales @victorgeerosales
Voz em off: Gerson Geleia
Produção: Corpo Rastreado @corporastreado Realização: SESC Belenzinho @sescbelenzinho
Encerrando a trilogia Afeto, Raiva e Coragem, a dramaturga e diretora Carla Zanini leva à cena, em CORAGEM – um lugar melhor do que aqui, um teatro atravessado pelas fraturas do presente. Em cartaz no Sesc Ipiranga, o espetáculo desloca o olhar para um hospital público em colapso, espaço onde se condensam algumas das formas mais naturalizadas da violência estrutural brasileira: a espera interminável, a burocracia que desumaniza, a precarização do trabalho e o desgaste cotidiano de quem insiste em sustentar a vida. A partir desse cenário reconhecível, a peça introduz o absurdo como chave de leitura. Uma criança que cai do céu e acontecimentos improváveis rompem a lógica realista para revelar, com ainda mais nitidez, um cotidiano já esgarçado. Entre humor, drama e estranhamento, a encenação constrói uma visualidade instável, em que o cuidado deixa de ser atributo moral e se afirma como gesto político de resistência. Ao encerrar a trilogia, Zanini reafirma seu interesse em observar grandes violências sociais a partir da intimidade de personagens femininas atravessadas por sistemas falidos e relações limite. Nesta entrevista, Carla Zanini fala sobre os encontros entre realismo e delírio, a criação ao lado de Ricardo Henrique, a potência do elenco e as possibilidades de permanência quando as instituições deixam de sustentar a vida. Link na bio. Arte: @lehamazaki@carlamzanini@desubitocia