Imigrante/Migrante
Destino.
Ser filho da capital do forró, crescer sentindo o baque das bandas de pífanos e dos bacamartes, ter na alma a ilusão dos mamulengos de mamu sebá, as girândolas, o aboio e o multigênero do forró é ser um bicho meio, carregado, cria em sí uma pátria para transitar e ser parte nessa pátria sem pai.
Porém quando se passa uma fronteira, a memória inicia um processo de atualização e adestramento que reage no corpo, o indivíduo se torna, também, fruto do seu novo meio e pode ser que a gente esqueça por via dessa atualização de onde partiu.
Fiquei 5 anos sem conseguir voltar para o meu agreste quando migrei para SP, voltei tocando com Siba, foi um abalo na alma aquele reencontro com a terra com aquele anfitrião, doido mesmo foi antes disso ter conhecido o poeta em uma loja de instrumentos musicais na teodoro sampaio, eu vendedor, ele cliente, quando vejo, começo tocar com o bicho, cê acredita? Bom, naquelas eu não sabia mais quem era, quando voltei pela primeira vez para Pernambuco, com Siba, ele me levou em uma sambada de maracatu, juro, vivi a reconexão com o meu destino, o som era o código da reconexão, as palavras surgiam dentro de minha introspecção criadas pelo som e me davam imagem de quem eu era, voltei para conversar com meu destino e acredito isso está no passado, destino é o país onde se nasce, a família, a classe, a raça, destino para mim está no passado, parte primeira da alma.
Enfim, “religado!” inclusive sem perder o que havia adquirido na Pauliceia. Depois nas andanças fui parar em Paris, ( tudo sem colher de chá de mainha )um matuto em Paris, fui atrás de uma mulher, um amor, por lá encontrei a improvisação livre e o peso de mais uma fronteira cruzada, certo dia conversando com um sanfoneiro, mestre improvisador de nome Claude Parle, ouvi dele que a sanfona Bretã era adulta quase velha mas rejuvenescia quando cantava no Brasil, voltei pela segunda vez para abraçar o meu destino.
*Estrangeiro de todo lugar
*Por trás dessa pele o que move é imagem de grandes espelhos e conflitos, loucos caminhos.
Disco & Clipe na Bio
Xêro
1 month ago