Foto daquele dia em que, sentados na areia de Ses Illetes, te pedi em casamento. Depois cruzamos a ilha dirigindo e ouvindo aquele podcast até encontrarmos a água mais azul e a praia mais rasa de Formentera. Nesse dia, tu me contaste que tarta de queso era cheesecake, e eu tive uma crise de riso; e ainda fizemos um tour pela repartição pública espanhola para entender como pagava a multa do parquímetro. No fim do dia, em frente à igreja da praça, avistamos um casal com cabecinhas brancas sentados de mãos dadas, e tu falaste que um dia seríamos nós dois. Naquele momento, teu “sim” ressoou de um jeito ainda mais bonito no meu coração, e eu tive certeza de que faria de tudo para poder envelhecer ao teu lado.
Feliz mais um ano de casados, @manauaraclandestina . Te amo!
Enquanto tu dormes, eu te cheiro e escrevo essa declaração. Hoje não é uma data especial, mas há dois meses estávamos descendo de barco de Manaus pra Nhamundá, a ilha onde tu foste criada. Demos tchau pras pessoas no porto, subimos no topo do barco pra ver a imensidão do nosso rio-mar, e acompanhamos de longe, já de madrugada, a chegada à ilha sendo anunciada pelo holofote do barco. Tu não voltavas a Nhamundá há 18 anos, mas as tecnologias de sobrevivência das Icamiabas sempre habitaram teu peito esquerdo. E lá, da garupa da tua biz, indo do mercado municipal à casa pastoral, vi teus olhinhos lancinantes de guerreira virarem banzeiro e banherem nós dois. E eu, mergulhado no fenômeno da água escura-transparente do rio Nhamundá, escrevi, mais uma vez, sobre você. Eu poderia declinar a culpa ao muiraquitã que tu colocaste no meu pescoço, mas a verdade é que sempre foram teus olhos que me encheram de coragem e de amor. Coragem para escrever o nosso amor, e para contar histórias que vão atravessar o oceano, sem perder o sotaque.