Em Junho me aconteceram episódios onde disseram que se eu não encontrasse formatos pra que eu me esforçasse a cuidar de mim mesmo, ninguém mais cuidaria.
Fui encontrando tanto da natureza em mim ao ponto de me dizerem que meus olhos e os boldos são a mesma coisa.
Várias catarses externas surgiram pra que internamente meu perispírito gritasse ao meu ego, esse não é o caminho! Atenção meu filho. Mas eu não pertenço a esse mundo, não me encaixo à vontade, nem dentro de mim mesmo faço casa. Desde então uma moça puxa meu queixo em direção ao espelho todos os dias.
Meu vizinho diz que quando estou próximo de casa o peregum do quintal dança, as árvores balançam e o vento dobra diferente.
Quando dizem que pareço com a minha mãe meu sorriso se forma na boca. Quando ela diz que pareço meu pai sinto meus pés firmemente aterrados, quando diz que pareço meu irmão meu Orí expande, quando diz que pareço meu avô, o corpo inteiro arrepia.
Passei a me enxergar em frente ao espelho, eu mais essa moça e um outro senhor.
Da primeira vez que me disseram que eu sou juremeiro, não entendi. Na segunda não entendi de novo. Na terceira senti forte algumas lembranças que não são minhas vir a cabeça. Tem gente aqui dentro junto comigo.
Tudo mudou a partir de Junho, tudo vem mudando a partir de cada fração de alguma hora qualquer no dia e eu tenho conseguido voltar pra mim todo final de noite. Eu não sei como fazemos pra nos perder e o que mais peço aos meus guias é discernimento, no cuidado ao falar, no que perguntar, em quais palavras dar ouvidos e vejo uma transformação densa e carinhosa surgindo.
Minha coroa brilhando e os aplausos chegando daqueles que me nutrem de amor. Faltava o amor do Bê para com Bê e minha cachoeira chegou recebendo vórteci colunar. Ora yê yê ô, é agora ou nunca filho.
ZIMBA 7/7/2025
Licença concebida para colocar esse single no mundo no tempo que o próprio som compartilhou que era preciso para nascer.
Toda vez que decido escrever sobre Zimba fico confuso. Já faz tempo (2023) que de um rascunho nasceu as melodias. No presente (2025) estou vivendo outras experiências, que vem amarrando o passado, forjando o presente e me afiando para o futuro.
Zimba é espiritual, por que amor para mim está nesse lugar. Zimba é a narrativa da chegada e de uma partida. Me ensinou o que é ‘estar nas imbiras’ e estou sempre aprendendo os macetes pra sair dessa.
Zimba pra mim é o vento que me arrastou enquanto eu compunha, fazendo um percurso que eu sentia que não sobreviveria, até que me acostumei com as curvas e as dobras, que me traz pra longe da terra firme. Sempre me senti longe. Desde a primeira ventania de Zimba meu coração se permanece em silêncio enquanto processa e a mente tranformadora com a possibilidade de chegar cada vez mais alto, cada vez mais perto de mim.
Como alinhar mente e coração? Para mim, seria ouvindo Zimba de frente de um paredão. Som estralando na caixa, só assim, pr’eu despreocupar!
Um salve aos artistas independentes de quebrada que tanto tenho me inspirado pra não desistir!
@nebulosaselo agradeço.
Mo dúpẹ́ Exu, Oxum e Oyá. Amo vocês.
Ticoroa.
Tem varias pessoas quais eu adoraria ter conhecido, entre elas, meu avô por parte de mãe. Eu ouço cada história, daquelas que você até serra os olhos como quem pensa “Isso você tá inventando” mas sempre juram de dedos cruzados. Histórias cabeludas, que se eu pudesse voltar no tempo, seria uma mosca pra curiar! Tem coisas tristes também. A maior parte é triste. É maluco quando minha mãe diz que algo em mim ou no meu irmão (João Felipe) lembra ele. Ou quando faço algo e ela diz que me pareço com o João. Parece uma conexão invisível traçada por algo que eu não sei nem qual nome teria. É engraçado sentir saudades de algo ou alguém quando você nem sequer conheceu. De alguma forma é muito bom. Mas dói.