Para ti tem sido mais difícil de escrever - talvez por teres sido a primeira dor; por não esperar que uma chamada pudesse mudar tanto as nossas vidas; por ainda não saber lidar com a dor nos olhos que a Maria já trazia, com um abraço apertado para me dar; por ainda estar na tua casa e pensar que estás só a descansar no quarto - ou por estar a trabalhar e pensar que estás na cadeira que não querias e que acabou por ser tua.
Talvez esteja a ser difícil escrever-te, mas talvez sejas tu que me estás a puxar novamente para fotografar o que gosto e não ser só trabalho.
Penso que ainda te vejo na avó, e ela está a aguentar-se tão bem… obrigada. Ainda acho que és tu.
Prometo-te que um dia vou saber escrever melhor. Agora continua a tocar concertina ou acordeão - porque os nossos corações continuam a ouvir, avô Fernando.
Tenho saudades dos domingos à noite em que via de propósito o The Voice para poder comentar contigo quem tinha cantado bem ou mal; tenho saudades de percorrer o Instagram da Raquel Tavares para saber quando é que ela ia ter um concerto e de te convencer a sair de casa; tenho saudades das caminhadas iguais; de me deitar na cama contigo ao lado e saber que provavelmente achavas que me estavas a atrapalhar, enquanto eu só queria ter mais tempo na minha vida para te olhar; de te ver a comer a sopa, com um prato de seguida e uma banana ainda por provar; das lutas amigáveis para ver quem ficava com o pão; dos papéis com as indicações para conseguires puxar o programa para trás ou mexeres no tablet; tenho saudades das perguntas que fazias sempre; de te pôr creme; de partilhar a lista das compras que ambos já sabíamos de cor; da tua voz no fado; dos teus passos nos bailaricos… da tua mão grande, tal como as orelhas; dos olhos azuis e do cabelo branco; das histórias da Fonte da Telha ou de uma quinta-feira cheia de família.
Tenho saudades de ti, avô Ivo.
Saudades do avô dos 7 netos e 1 bisneto.
Toda a gente vai sempre saber quem tu foste, quem tu és.
O Dia da Mãe está a chegar e, para mim, as avós também são tudo. No ano mais delicado das nossas vidas, a @inolistudio juntou-se a mim e transformámos amor numa vela 🌹
Com a minha avó aprendi que devemos cuidar das pessoas como cuidamos das flores - e, verdade seja dita… nunca vi flor mais bonita que a minha. A D. Donzília, a senhora dos rissóis ✨ (hoje sem o avental…para variar).
Este ano, os dias custam mais e as horas às vezes parecem não passar… mas foi ali, sentada na cadeira ao pé da janela - lugar do avô - que tudo fez sentido.
Porque ele nunca deixou passar este dia em branco: mesmo nos dias mais difíceis, havia sempre uma flor para ti.
E hoje, mesmo sem ele cá, sou eu que estou aqui - por ele - a levar-te esse gesto, esse cuidado, esse amor 🤍
(Ela adivinhou logo que era uma vela pelo cheiro… agora pensem!!!)
Feliz Dia da Mãe, a todas — e às avós também 🩷