Acabado de aterrar do Brasil, escrevi um pequeno diário para a posterioridade. Mas antes de mais nada… Meu querido, muito mais que amigo,
@salvadorsobral.music , obrigado por me proporcionares dias tão memoráveis, alguns dos mais felizes da minha vida.
No meu primeiro dia no Rio de Janeiro perguntei-me como é que tinha esperado tanto tempo para visitar um país que ando a conhecer e a apaixonar-me há mais de 30 anos, desde aquele walkman que me ofereceram com a voz e o violão do João Gilberto lá dentro. Mas ao fim de 24h acordado em solo brasileiro e com vontade de ficar acordado (pelo menos, e se não houvesse concerto no dia seguinte) outras 24, percebi que a espera tinha valido a pena, porque era directamente proporcional à intensidade com que sentia as coisas.
Depois de dormir um par de horas, continuava num sonho acordado - o primeiro concerto no Rio, num teatro lotado, com o mestre
@caetanoveloso a assistir. Chorei que me fartei naquele palco. Tocámos ‘Jobim’, a nossa ode à música brasileira, no lugar onde mais fazia sentido.
Depois do concerto, o sonho continuava, cada vez mais surreal. Estar de sofá, na casa de Caetano, a tocar e a cantar um punhado de canções… nem no avesso do avesso dos meus sonhos mais surreais eu imaginei tal cenário. Que coisa linda, que coisa louca!
No outro dia viajámos para Ilhabela, para tocar no Teatro Vermelhos, um projecto incrível no meio do paraíso. Chegado à ilha, ilhéu me senti. Deu para respirar fundo e digerir um pouco da intensidade dos dois dias anteriores no Rio e o concerto no Vermelhos foi muito divertido. Saímos cheios de vontade de aproveitar mais uns dias. A promessa de voltar ficou feita por ambas as partes.
Domingo fomos para São Paulo, directos ao teatro, teste de som e concerto. O público já estava rendido ainda antes da primeira nota, e rendido ficou depois da última. Foi bonita a festa, a saideira, com a participação do
@timbernardes e da
@julia_mestre . No fim do concerto bateu o cansaço da semana toda.
No dia seguinte, a despedida. Não cruzei Ipiranga/Av. São João, mas passeei por outros versos de Sampa e disse ‘Muito obrigado e até breve’.