fortaleza, vagalume, flor
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retratos em dupla exposição do dia em que conheci nossa mestra da fotografia Claudia Andujar. tão generosa 🤍
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sua galeria é grande, maior é ela
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inauguração da galeria Maxita Yano, 26/04/2025
Expansão
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Davi Kopenawa Yanomami
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Retrato em dupla exposição.
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Registro realizado na abertura da Galeria Claudia Andujar | Maxita Yano, no Instituto Inhotim.
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26 de abril de 2025
"Nenhum voo é gratuito". É traço, é gesto, é lançar-se na imensidão do céu e do destino. E "nenhum pouso é vão": é pausa que sustenta a próxima viagem. Penso nisso olhando os gaviões-carrapateiros. O voo como tarefa inegável e inefável, o pouso como intervalo necessário, nunca desistência. Em nossa vida talvez seja o mesmo. Penso na minha: estudar, maternar, cuidar, fotografar, cumprir tarefas e deixar outras para o tempo certo, entendendo que cada movimento compõe um acordo silencioso com a Terra e com o tempo. Há dias de corrente de ar favorável, em que tudo se eleva, e há dias de pouso, quando alguns sonhos parecem suspensos, mas na verdade apenas aguardam outra direção de vento. Entre uma coisa e outra, o coração segue suleando, e o que fazemos, mesmo no cansaço, segue nos desenhando. Como escreve Kaká Werá Jecupé, todo voo é acordo, e cada desenho que um gavião traça no ar é tarefa partilhada. Talvez viver seja isso: reconhecer que cada gesto, cada pausa e cada movimento nosso também se inscrevem em algo maior: um desenho coletivo, continuamente traçado entre nós e a Terra.
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fotos de agosto de 2025 em ouro preto-mg
o tempo corre, mas é a vida quem dita o ritmo.
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Linda e Alisson à espera de Jorge.
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#ensaiogestante #fotografaouropreto #ouropreto #gestanteouropretomg
setembro de 2025.
florianópolis vinha de dias inteiros de chuva.
chegamos e o céu abriu por quatro dias.
tempo exato para o encontro do projeto madonnas e fridas, idealizado por ana sabiá, reunindo 50 artistas que pensam a maternidade através da fotografia.
apresentamos nossas pesquisas, assistimos ao vídeoarte com o trabalho das 50 artistas e celebramos o lançamento do livro de ana sabiá.
tivemos também uma oficina de argila com a artista rosana bortolin: cada uma modelou, com as próprias mãos, algo que representasse sua maternidade. matéria, gesto e memória.
entre falas e escutas,
houve mar,
peixe, camarão, coentro e cerveja,
passeio de barco,
noites longas.
éramos mães, quase todas longe dos filhos.
eu também.
minha primeira viagem sem a iúna.
difícil.
bonito.
possível por causa dela.
quando partimos, a chuva voltou.
há encontros que parecem suspender o tempo.
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Fotos 1 e 2: @marstarosta
"Madonnas e Fridas", exposição coletiva que compõe a programação do 15º Festival de Fotografia de Tiradentes, reune 47 mulheres artistas de todo o Brasil que refletem criticamente suas vivências subjetivas de maternidades através da fotografia.
Com curadoria de Ana Sabiá, a mostra propõe fotografias e objetos afetivos que tramam olhares plurais de maternidades através de experiências de corpos, o trabalho do cuidado, debates políticos, memórias e reinvenção de si.
Artistas participantes:
Ale Baldissarelli @ale.b.art
Ana Flor @aanaflor
Ana Musova @ana_musova
Ana Sabiá @anasabia.as
Andrea Bernardelli @andreabernardelli
Cecília Carvalho @ceciliacavalodesol
Chris Bueno @chrisbueno_
Clarissa Borges
Coletivo Lumaterna
Cristal Luz
Dani de Moraes
Daniela Balestrin
Daniela Petrucci
Daniela Torrente
Di Menegazzi
Elisa Elsie
Fabi Salomão
Fernanda Klee
Ilana Bar
Irmina Walczak
Isabel Löfgren & Patricia Goùvea
Jana Cunha
Jennifer Cabral
Karen Caetano
Lia de Paula
Luiza Kons
Madame Pagu
Malu Teodoro
Mari Queiroz
Marian Starosta
Mariana Hauck
Mariana Machado
Marina Luna
Marina S. Alves
Marisi Bilini
Marta Suzi
Melissa Flores
Monique Olive
Nana Moraes
Patricia Belaestilosa
Paula Huven
Priscila Cunaccia
Sandra Resende
Tami Orlando
Tatiana Reis
Valéria Mendonça
Zuleika de Souza
Serviço:
Exposição: Madonnas e Fridas
Site do projeto: .br/
Data: 11 a 15 de março 2026
Local: Espaço Cultural Aimorés | Rua Direita, 159. Tiradentes/MG
15º Festival de Fotografía de Tiradentes | Foto em Pauta /p/DUvvtulibqi/?igsh=d2xya25wbWxicmgz
"o peso do pássaro morto"
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o ano era 2011, minha família viajava para o litoral. costumávamos parar sempre no mesmo lugar. era um restaurante no alto de um morro e cercado de natureza. foi quando, numa caminhada para contemplar aquele espaço que ja me era tao íntimo, que encontrei um pássaro entre as plantas.
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o peguei com cuidado porque achei que ele ainda estava vivo e queria ajudá-lo
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ele era muito leve. e, ainda assim, havia um peso difícil de explicar
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decidi fotografar
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naquela época, eu estava começando a fotografar com nossa olympus superzoom.
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eu explorava o que aquela pequena câmera me possibilitava.
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sem dominar nenhuma técnica mirabolante, eu fui colecionando singelas memórias
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nao sabia que, às vezes, a gente fotografa aquilo que não consegue segurar. ou aquilo que é ao mesmo tempo tão leve e tão pesado que nos escapa
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no ano seguinte, entrei para o curso de biologia na UFV, no campus de rio paranaíba. foi lá que a fotografia entrou ainda mais na minha vida. foi lá que ganhei minha primeira câmera profissional, fiz meus primeiros trabalhos e ganhei meu primeiro concurso
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com essa foto, ganhei um concurso num evento acadêmico da biologia, na categoria "animais"
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mas, de certa forma, ela nunca foi somente sobre um animal, um pássaro
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era sobre o peso da morte
sobre o tempo que as coisas duram
sobre como eternizar sentimentos
sobre não perder a delicadeza diante do fim
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ontem, encontrei essas imagens num flickr antigo.
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e entendi
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o que eu estava segurando nas mãos naquele dia era o peso de algo que não volta
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e talvez vocês não o sintam ao ver essa fotografia. tem coisa que só o meu coração vai sentir ao olhar o meu próprio trabalho
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fotografar é olhar para dentro de si. é a linguagem que eu escolhi para traduzir sentimentos que estão aqui dentro
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#opesodopassaromorto #fotografiaautoral #poeticavisual #memoria #tempo