SEEDBIRDING
competição, instalação
proposta para 6ª Biennale Svizzera del Territorio, 2026
Villa Saroli, Lugano, Suíça
A pesquisa sobre a fauna e flora de Lugano é articulada com o objetivo de uma ação regenerativa através da flora nativa e estabelece contato com instituições de cuidado e proteção ambiental para colaboração na proposta. Esta cooperação busca obter sementes que fazem parte do pool genético do Ticino e de Lugano, respeitando a singularidade ecossistêmica e a procedência genética dos Alpes meridionais. Também confere visibilidade ao tema e visa servir como instrumento para esses parceiros, com a participação do público em geral. O levantamento e a seleção de espécies para a composição do banco de sementes priorizam espécies-alvo de conservação na seguinte ordem: globalmente ameaçadas; endêmicas do Ticino; espécies ruderais localmente extintas; plantas com funções ecológicas, incluindo espécies fixadoras de nitrogênio e outras que possam atuar como atratoras de fauna silvestre.
Equipe: Alena Zea, Gustavo Henrique Pires, Igor de March, João Vitor Pilati
ARMAZENAR BARRAR COBRIR
Três verbos pressupõem três procedimentos objetivos. Armazenar, barrar, cobrir. Essas três ações também pressupõem, no seu inverso, que há uma infinidade de outras coisas que não estão armazenadas, barradas ou cobertas, e que os objetos que armazenam, barram e cobrem necessitam amparar. A AMP (Arquitetos de Meio Período), prática de arquitetura que transita entre Brasil e Espanha, propõe nessa conversa a reflexão sobre três projetos recentes e como as lógicas de utilidade e de objetividade que pressupõem a forma com que encaramos o espaço podem ser repensadas, questionadas ou subvertidas — e como, talvez, armazenar, barrar e cobrir não sejam as únicas coisas que os objetos que armazenam, barram e cobrem podem fazer.
SEEDBIRDING
competição, instalação
proposta para 6ª Biennale Svizzera del Territorio, 2026
Villa Saroli, Lugano, Suíça
Trabalhar com as mãos pode ser uma tarefa difícil. Todo trabalho manual exige um esforço que não pode ser ensaiado ou antevisto; o conhecimento de um procedimento não garante que ele seja seguido ou convertido em outra coisa completamente diferente. Em uma cultura onde toda ação invoca um léxico pré-pronto de resoluções, o cuidado – mais do que como a aversão ao imprevisto – pressupõe a operação de um gesto diluído no tempo e incrustado em uma escala pequena, não muito maior do que as mãos podem segurar.
O dispositivo SEEDBIRDING repensa a noção de território enquanto uma escala pequena, tocada na palma da mão — ou na ponta do bico — e passada de um ao outro por um afeto genuíno e simplório, desinteressado.
Construída a partir de elementos dos sistemas de barreira suíços comumente vistos em ruas e canteiros de obra, esta estação produtiva interpola, de modo construtivo, a lógica gramatical desses objetos. Remontados, esses gadgets formam um dispositivo que contradiz a semântica institucional, agora coletivamente empenhado em deslocar esses objetos da interdição e do confinamento em direção à circulação e à difusão.
Diversas espécies vegetais autóctones ameaçadas [I] compõem um banco de sementes [II]. Mãos humanas friccionam os ingredientes acoplados à estrutura para produzir seedbombs [III]. No alto do dispositivo, poleiros acolhem os pássaros [IV] atraídos pelas seedbombs. Um conjunto de hardwares sobe e desce essas casas, que alcançam pontualmente as mãos humanas.
Essas mãos dão ao pássaro a comida, permitindo que ele a consuma e devolva com matéria orgânica [V] ao próprio terreno — sob uma cama de pedras eventualmente irrigada que constrói núcleos ruderais de desenvolvimento vegetal [VI] — e sob um território que pode compreender a Villa Saroli, Lugano ou o Ticino... quanto mais os pássaros puderem voar.
Equipe: Alena Zea, Gustavo Henrique Pires, Igor de March, João Vitor Pilati.
___PLANTA___BIRUTANA 11|140
competição, instalação
proposta selecionada para construir
Rizomes Festival, REG Open Call 2026
La Cellera de Ter, Girona, Espanha
O coração acelerado, a dança e o verão em Cellera nos levaram a pensar numa estação de resfriamento. Soou-nos como uma generosidade para aqueles que atravessam os agitados dias de festival terem um lugar onde possam relaxar e recarregar as energias.
A disposição preliminar dos três cones na monocultura responde à rosa dos ventos e a relação entre as médias nos últimos 10 anos e os dados do último ano no período do festival, marcado por um verão quente. Majoritariamente sopram na direção sul, sudoeste e nordeste, com médias de 30km/h. Buscamos uma relação nas dimensões do cone que mantivesse as velocidades amenas, e garantisse um fluxo de ar agradável e de temperaturas mais baixas.
No centro do espaço criado, uma linha de blocos de feno cria um espaço que imprime o histórico dos vento passados ao longo dos dias de festival. Fornecem assento, encosto e, aos que convir, um leito, que se altera conforme os ventos sopram e os desenham.
Equipe: Igor de March, João Vitor Pilati, Gabriel Espíndola, Arthur Cantanhede, Thiago Guimarães
CORTE_BIRUTANA 11|140
competição, instalação
proposta selecionada para construir
Rizomes Festival, REG Open Call 2026
La Cellera de Ter, Girona, Espanha
Equipe: Igor de March, João Vitor Pilati ,Gabriel Espíndola, Arthur Cantanhede, Thiago Guimarães
BIRUTANA 11|140
competição, instalação
proposta selecionada para construir
Rizomes Festival, REG Open Call 2026
La Cellera de Ter, Girona, Espanha
11|140 diz respeito às 11 faixas de tecidos leves de 140 cm de largura que compõem cada um dos 3 cones que conformam a proposta. As birutas, dispositivos com geometria de seção cônica com ângulos de formação entre 5 a 15 graus, ângulos ideais para menor turbulência interna, são geralmente usadas para indicar a direção e medir a velocidade do vento. Seu formato, a partir do efeito Venturi, cria uma diferença de pressão ao reduzir o tamanho disponível para a passagem do vento, gerando aceleração proporcional à diferença entre o tamanho das bocas de entrada e saída do ar, obtendo uma espécie de ventilador natural.
A confecção das birutas se dá no desenrolar e reenrolar de alguns rolos de tecido, em que o esforço em pensar uma estrutura leve, onde se preserva a integridade das faixas originais, sem corte, se traduz em um grande cone de 12 m de comprimento e apenas 10 kg. As abas que se sobrepõem, através da triangulação da construção cônica, dobram-se, unem-se e tornam-se aletas estruturantes e importantes para a formalização do volume e relação com o vento, movimentando-se ao longo de todo o corpo e nas bocas.
Equipe: Igor de March, João Vitor Pilati ,Gabriel Espíndola, Arthur Cantanhede, Thiago Guimarães
BIRUTANA 11|140
Viva! A AMP foi selecionada para integrar o conjunto de intervenções construídas durante o Rizomes Festival, na Catalunha!
Birutana 11|140 é o dispositivo que traduz os urros das bestas catalãs, desde as montanhas do norte aos sopros úmidos do sul.
assim como em qualquer boa tradução literária, a essência e a poética da linguagem - elementos que transportam os símbolos secretos da língua-mãe - não podem ser perdidas no exercício desse ofício.
a Birutana 11|140 amplifica os sopros da natureza e as concentra sob a copa das árvores, alcançando os “birutas” que ousarem atravessá-las.
EQUIPE
@igordemarch@nofuckingnameforthisaccount@gabriel.espindolap@_acantanhede@thiago.guimas
ESTAÇÃO DE TRABALHO
Estação de trabalho foi a terceira e última parte da exposição 100C/3A, que ocorreu em dezembro do último ano. Derivada dos módulos estruturais da intervenção “Apetrecho de Pesca”, as peças de madeira e a caixa são remanejadas enquanto bancos.
Buscamos articular as relações de altura do módulo da caixa de peixe utilizando as estruturas já montadas como modo de qualificá-la ergonomicamente. A intenção é que, dentro da caixa, se guarde todo o suprimento necessário para sua execução e transporte. Assim, ela retorna à posição essencial de armazenamento, carregando consigo a espessura de entrar, sair e se modificar no território, e estendendo seu ciclo de uso por tempo indefinido como mobiliário até sua eventual reinserção na cadeia produtiva.
O trabalho foi de, durante a exposição, construir como performance a prototipagem dos bancos, adaptando e criando mecanismos e modos de produção em tempo real e sobre o mundo concreto. A performance se desenrola conforme o marceneiro e performer, que também colabora intermediando criativamente a ação construtiva e a produção sonora, tem os sons do fazer manual interpolados pelo produtor musical J.V., que projeta sobre a sala o processo de construção de uma peça musical produzida inteiramente pelos ruídos captados (vídeo 03). A performance acontece a partir de um trabalho sobre o imprevisto, onde há um processo de tentativa e erro, de desconstrução e de estruturação da lógica dos sons.
Performance
@amp___amp___@jvalberton@luccvnc
Fotos
@luccvnc
na próxima semana a gatofofo abre sua programação do ano do cavalo com força e alegria. o inventário de cavalos, se um dia foi um sonho, segue sempre sendo sonho porque se os cavalos trotam é porque algo os convoca. às vezes um desejo por brincar, às vezes para romper com a clausura... ou por uma invocação, uma passagem de espírito.
dia 20 de março itajaí irá receber essa exposição que tem se feito desde 2025, ou 2023, ou 1990, ou 1983. ela reúne 15 artistas que eu levo no peito, mais eu, que também me levo no peito. a exposição testa formas de contar histórias a partir de uma polifonia de vozes titubeantes, vozes incertas de criança, vozes que racham a língua e outras mais.
água da chuva
estrela cadente
luz do luar
inventário de cavalos
casa da cultura dide brandão
rua hercílio luz, n° 655, itajaí (sc)
abertura
20 de março de 2026 às 19h
visitação
21 de março a 16 de abril de 2026
segunda a sexta, das 08h às 22h
sábado, das 08h às 12h