Uma semana atrás, no dia 16 de outubro de 2025, durante o festival Rec’n’Play, o grupo Sujistência, formado por três jovens negros, trabalhadores e estudantes de Igarassu, foi alvo de uma abordagem policial após sua apresentação no palco do Som na Rural.
Cercados, revistados e expostos diante do público por diversos policiais, os artistas foram tratados como suspeitos após fazerem o que sempre fizeram: cantar sua verdade.
Ao tentar garantir seus direitos, a advogada e produtora cultural Jéssica Jansen também foi cercada, empurrada, revistada por cerca de 15 policiais, e teve suas prerrogativas violadas, mesmo com sua carteira da OAB, além de crachá, rádio e farda que a identificava como produtora oficial do evento.
O que aconteceu ali é o retrato das contradições que atravessam o fazer cultural no Brasil. Enquanto o palco celebra a potência negra e periférica, com artistas como o Sujistência, levando mensagem de resistência e consciência; a rua ainda é espaço de criminalização e violência contra esses mesmos corpos.
A presença negra na produção cultural, na técnica, no som, na gestão e no palco, ainda incomoda. Ainda é vista com desconfiança. A luta antirracista também se faz na garantia de que profissionais e artistas negros possam trabalhar e circular com segurança. A arte negra não pode ser celebrada no palco e violentada nas ruas.
Mas a resposta vem em forma de arte que resiste e não se cala, porque Sujistência é o que a gente vive, não o que inventam sobre nós.
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