Resistir a existência
A ideia de fazer uma empena na Cidade Tiradentes, o maior conjunto habitacional da América Latina, situado no extremo leste da zona leste de São Paulo, onde carências se multiplicam e coexistem, não é de agora.
Vem de longe e da vontade de expandir a arte entre periferias.
Eu como artista, vindo de Santo André, onde desde 2006 "espalho" meu trabalho, entendo e vejo o quanto a arte é capaz de mudar o ambiente ao redor.
Com a realidade da maioria dos bairros periféricos do estado, onde os moradores têm pouco ou nenhum acesso a arte e cultura, poder levar um trabalho com essa proporção e representatividade, vai além do que está no muro.
Meu papel aqui é colocar na imagem dessa mulher preta, que carrega em si e representa tantas outras mulheres, de outros tempos e vidas, habitando, (r)existindo, fincando raízes e sendo possível ao lado do lúdico, do que não é palpável, mas também tá ali, movimentando e mostrando uma outra realidade.
A possibilidade de levar meu trabalho para uma região esquecida pela maioria, e assim agregar novos valores e abrir para diálogos através da arte do grafitti, me faz acreditar que todo o processo até aqui, toda vivência e estudo, sempre foi e sempre será em prol de nós e para nós. Então, minha arte só vai seguir fazendo sentido se puder estar e existir onde nós também estamos e existimos.
Pré produção:
@axenocorre
Produção:
@kleberpagu ,
em especial
@fernanda_espinosa__ que me acompanhou nas etapas do projeto.
Assistência:
@nunkaesuave
Direção de fotografia:
@gaalhard0
Realização
@smculturasp
"Galeria VLADO"
Díptico || Projeto MAR
Museu de Arte de Rua
2022.