Minha relação com as redes sociais vive em constante mudança.
Com o tempo, tenho repensado o que faz sentido (para mim) compartilhar principalmente quando envolve crianças.
Como mãe e fotógrafa, lido todos os dias com memórias muito íntimas. Histórias que estão começando, vínculos sendo construídos, afetos que ainda estão encontrando forma.
E, cada vez mais, tenho refletido que nem tudo precisa estar aqui.
Sempre digo aos meus clientes: essas fotos de família não são para as redes sociais, são para a vida.
As imagens não precisam ser públicas para serem importante.
Tenho buscado um caminho com menos exposição, ou uma forma mais subjetiva e sensível de compartilhar.
Isso não muda a forma como eu fotografo, muda apenas o que eu escolho mostrar.
Meu trabalho se completa quando vira matéria.
Quando é revivido ao ser tocado.
Existem dois álbuns dos netos na casa da minha avó até hoje.
Um de capa verde, outro azul, encapados de tecido, com bordado em ponto cruz.
Eles moram na sala. E toda vez que a gente vai lá, voltam pro nosso colo.
As fotos vêm acompanhadas de memórias, muitas que a gente nem se lembra, mas lembra de ter ouvido alguém contar sobre elas por causa das imagens.
A gente aprende sobre a própria vida através do que é sentido, vivido e também transmitido.
É por isso que eu acredito tanto no álbum.